A primeira coisa que tens de entender é que nem todos os investimentos servem para o mesmo.
Alguns são pensados para fazer crescer o teu património, outros para o proteger, outros para te gerar rendimentos desde já. E é necessário conheceres esta primeira classificação para poderes construir uma carteira que se adapte ao que realmente procuras.
Deixo-te primeiro um esquema para veres tudo de relance e depois entramos em cada categoria:
- Crescimento
- Ações / Fundos
- Cripto
- Startups ou empresas
- Estabilidade
- Obrigações (rendimento fixo)
- Liquidez
- Refúgio
- Ouro
- Bitcoin
- Imobiliário
- Geração de rendimentos
- Ações / Fundos com dividendos
- Imobiliário para arrendamento
Este artigo é o segundo da série em que te explico porque tens de investir, como e onde, para aprenderes o essencial mesmo que comeces do zero:
- Investir do zero: onde investir o teu dinheiro.
- Tipos de ativos em que podes investir consoante a sua função na carteira. (É este que estás a ler).
- Como comprar ativos: instrumentos de investimento.
- Plataformas de investimento: onde comprar veículos de investimento ou ativos.
- Riscos e garantias ao investir.
- O meu sistema de investimento.
- Património: como aumentá-lo, protegê-lo e transmiti-lo.
Índice de Contenidos del Artículo
- #1. Ativos de crescimento
- #2. Ativos para manter estabilidade
- #3. Ativos-refúgio
- #4. Ativos que geram rendimento
- Conclusões
- Próximos passos
- Perguntas frequentes
- Todos os ativos de investimento servem para o mesmo?
- O que são ativos de crescimento?
- Que exemplos de ativos de crescimento existem?
- Porque é que as ações podem fazer crescer o teu património?
- Que risco têm as criptomoedas?
- Porque é que investir em startups é tão arriscado?
- Que ativos dão estabilidade a uma carteira?
- Que função cumpre a liquidez?
- O que são ativos refúgio?
- Que ativos podem funcionar como refúgio?
- Que ativos geram rendimentos recorrentes?
- Qual é a diferença entre ações com dividendos e fundos de acumulação?
- Qual é a chave ao combinar ativos?
#1. Ativos de crescimento
Aqui estão os ativos que, com o tempo, podem fazer o teu dinheiro crescer de verdade.
O seu funcionamento é simples: compras esperando que valorizem com o tempo, superando amplamente a inflação.
Ou seja, esperas que cresçam mais de 5% ao ano, porque se não fosse assim investias o teu dinheiro noutro tipo de ativos.
Sobretudo porque são os que assumem mais risco. Em troca, como te digo, são os que têm maior potencial.
Bem, neste grupo poderíamos considerar principalmente três ativos.
As ações: investir na bolsa
Representam pequenas partes de empresas. Quando essas empresas crescem, o normal é que as suas ações valham mais, pelo que o teu investimento nelas também cresce.
Algumas ações distribuem dividendos e outras não (já falaremos disso a seguir), mas o objetivo principal das ações de crescimento é conseguir o aumento do seu valor.
Podes comprar ações de forma isolada ou elas podem fazer parte de um fundo; veremos cada caso depois.
Bitcoin e outras criptomoedas
O investimento em criptomoedas funciona de forma semelhante às ações, mas com mais volatilidade. Ou seja, haverá muito mais oscilações de preço.
O bom é que, quanto maior a volatilidade, maior o ganho potencial. Mas também maior o risco de queda, sobretudo no curto prazo.
Dentro deste grupo podes distinguir vários tipos. Os principais:
- Bitcoin costuma ser visto como reserva de valor. Na verdade, também o vamos colocar aí.
- Ethereum como infraestrutura tecnológica: uma base de dados distribuída muito robusta.
- Solana é parecida com Ethereum, mas menos madura.
- As stablecoins, como USDT e USDC que replicam o preço de uma moeda fiat (as tradicionais), neste caso o dólar, e têm a sua utilidade.
- Por último, temos as altcoins como apostas mais especulativas e as memecoins como a expressão máxima do risco.
Empresas, geralmente startups
As startups são empresas em fases muito iniciais, geralmente de cariz tecnológico. E, como tal, podem multiplicar o teu investimento… ou desaparecer.
A compra de ações destas empresas não acontece em mercados como o S&P 500, o Nasdaq ou o IBEX35, mas maioritariamente fora dos mercados tradicionais, através de rondas privadas ou plataformas especializadas.
É a forma mais arriscada de investir e, ao contrário das anteriores, não é adequada para toda a gente, mas também é a mais assimétrica e a que te pode dar um retorno de 20x no investimento.
#2. Ativos para manter estabilidade
Nem tudo numa carteira de investimento tem de crescer depressa. Também podes procurar peças que reduzam os golpes quando o mercado cai.
Além disso, dependendo da tua situação económica e de outros fatores como a idade, talvez priorizes este tipo de ativos face aos anteriores, dado o seu menor risco.
Quando és jovem e tens pouco, o que procuras é crescer, mas quando és mais velho e já acumulaste bastante, provavelmente preferes não o perder, mesmo que ganhes menos.
Nesses cenários tens os seguintes ativos.
As obrigações ou rendimento fixo
São empréstimos que fazes a governos ou empresas em troca do pagamento de juros. Estes juros são fixados antecipadamente, sem oscilar ao longo do tempo, daí o nome rendimento fixo.
Normalmente não dão grandes rentabilidades — estamos a falar de entre 2% e 4%, no máximo— mas dão estabilidade ao teu património e um risco muito reduzido.
A liquidez
É o dinheiro disponível em conta ou em produtos muito conservadores.
Cumpre uma função semelhante às obrigações: quase não gera rentabilidade, mas dá-te segurança e capacidade de reação.
Neste sentido, em geral, mais vale ter o teu dinheiro numa conta remunerada do que na conta corrente de sempre, porque tens o dinheiro disponível de imediato e ainda ganhas entre 1% e 3%. O justinho para manter a inflação à distância.
#3. Ativos-refúgio
São ativos que, quando tudo corre mal, se comportam de forma diferente, daí o nome.
Não sobem tanto como os ativos de crescimento, mas protegem parte do valor do teu património em momentos de crise.
Investir em ouro
O ouro é o exemplo clássico de reserva de valor. Pensa que, quando dizes que “a vida ficou mais cara”, estás a referir-te ao dinheiro fiat. Uma casa hoje custa aproximadamente as mesmas onças de ouro que há trinta anos.
Ou seja, na realidade, a coisa pode ser vista como “a vida ficou mais cara” ou como “o valor do dinheiro (fiat) caiu”. E o ouro ajuda a combater essa realidade.
Pode ser comprado:
- Em formato físico: joias ou lingotes, com o risco de custódia.
- Em produtos financeiros ligados diretamente, como ETFs.
- Em produtos financeiros com ligação indireta, já que podes estar exposto ao seu preço através de ações de empresas do setor, como as mineiras.
Investir em Bitcoin
Não digo cripto, digo Bitcoin.
Porque nem todos os tokens de DeFi (finanças descentralizadas), nem de perto, podem ser considerados reserva de valor.
Bitcoin parece que sim; não é por acaso que lhe chamam o ouro digital. E é que, apesar de ser relativamente recente, começa a ser visto cada vez mais como um ativo refúgio alternativo.
Consoante a forma como o encares, podes considerá-lo tanto na parte de crescimento —Bitcoin é provavelmente o ativo que mais valorizou nos últimos dez anos— e aqui, na categoria de reserva de valor.
Porque, para além do seu crescimento, o poder autocustodiá-lo sem que ninguém saiba, ou levá-lo para outro país sem problema, dá-lhe um potencial muito acima dos outros.
Investimento imobiliário
Dependendo do objetivo, este ativo pode estar neste grupo ou no seguinte.
Dentro do imobiliário temos duas grandes formas:
- Direta a que compras em teu nome e é a mais habitual:
- Apartamento
- Loja
- Garagem
- Arrecadação
- Indireta, composta por produtos financeiros um pouco mais complexos:
- REITs / SOCIMIs
- ETF imobiliários
Podes entender o investimento imobiliário como refúgio porque o mais habitual é que, salvo se compraste mesmo na época da bolha (entre 2006 e 2008) o ativo que compras vá valorizando, pelo menos, tanto quanto a inflação. E muito acima em certos lugares como as Baleares ou a Costa del Sol.
Compras um apartamento e, teoricamente, o teu património não perde valor com o tempo.
Porque, além disso, a habitação própria permanente conta com certas vantagens fiscais, especialmente na hora de calcular o património, já que em muitos casos está parcialmente isenta do Imposto sobre o Património.
No entanto, além deste refúgio e da exposição ao preço, também lhe podes tirar rendimento.
#4. Ativos que geram rendimento
Aqui o objetivo não é tanto que o ativo suba, mas sim que te gere rendimentos de forma recorrente.
Quais são estes ativos?
Arrendamento de ativos imobiliários
Pois continuamos com o imobiliário, porque quando investes diretamente, comprando um apartamento, loja, garagem ou arrecadação e o arrendas, estás a gerar uma renda todos os meses, além da já referida exposição ao preço.
Provavelmente por esta dupla vertente de refúgio mais geração de rendimentos, o imobiliário foi o principal — e quase o único — veículo de investimento em Espanha.
Mas há outros.
Ações com dividendos
Já te tinha dito antes que as ações podem distribuir ou não dividendos. Estes não são mais do que a distribuição dos lucros da empresa aos seus sócios.
Quando tens ações diretamente, se a empresa paga dividendos, recebes-os na tua conta e são tributados nesse momento. Ou seja, são sempre de distribuição e geram impacto fiscal.
No entanto, quando investes através de fundos ou ETF, a coisa muda. Existem produtos denominados “de acumulação” que reinvestem automaticamente esses dividendos dentro do próprio fundo, sem que recebas o dinheiro.
Isto tem uma vantagem clara: não pagas impostos até venderes o investimento. Entretanto, os lucros vão sendo reinvestidos e geram um maior efeito composto.
Por isso, nestes casos, embora o ativo em si (as ações) possa gerar dividendos, o tratamento que recebes depende do veículo que utilizas para investir.
Conclusões
Nem todos os ativos cumprem a mesma função dentro de uma carteira, e entender isto é o primeiro passo para investir com sentido.
Há ativos orientados para crescimento, outros para estabilidade, outros para proteção e outros para geração de rendimentos. O erro habitual é misturar objetivos sem uma estrutura clara.
Os ativos de crescimento são os que realmente permitem aumentar o património a longo prazo, mas implicam maior volatilidade e risco.
Face a eles, os ativos de estabilidade e liquidez reduzem o impacto das quedas, embora à custa de uma menor rentabilidade.
Os ativos refúgio cumprem um papel-chave em cenários adversos, pois ajudam a preservar valor quando o resto do mercado sofre.
Por sua vez, os ativos geradores de rendimentos aportam fluxo de caixa recorrente, o que pode ser especialmente útil em fases mais avançadas ou quando procuras complementar rendimentos.
Escolher entre uns e outros depende em grande medida do teu momento de vida e da tua tolerância ao risco, embora a chave não esteja em escolher um único tipo de ativo, mas sim em combiná-los de forma coerente.
Uma carteira não tem de procurar sempre maximizar a rentabilidade em todos os momentos; deve adaptar-se a diferentes cenários e manter o equilíbrio entre crescimento, proteção e rendimentos ao longo do tempo. Depende dos teus objetivos.
Próximos passos
Se queres avançar um pouco mais, convido-te a continuar com o próximo artigo da série:
- Investir do zero: onde investir o teu dinheiro.
- Tipos de ativos em que podes investir consoante a sua função na carteira. (É este que estás a ler).
- Como comprar ativos: instrumentos de investimento.
- Plataformas de investimento: onde comprar veículos de investimento ou ativos.
- Riscos e garantias ao investir.
- O meu sistema de investimento.
- Património: como aumentá-lo, protegê-lo e transmiti-lo.
Perguntas frequentes
Todos os ativos de investimento servem para o mesmo?
Não. Alguns ativos são pensados para fazer crescer o património, outros para manter estabilidade, outros para proteger valor em momentos complicados e outros para gerar rendimentos recorrentes.
O que são ativos de crescimento?
São ativos que compras esperando que valorizem com o tempo e superem amplamente a inflação. Têm mais risco, mas também maior potencial de rentabilidade.
Que exemplos de ativos de crescimento existem?
Ações, fundos de investimento com exposição a ações, criptomoedas e participações em empresas ou startups.
Porque é que as ações podem fazer crescer o teu património?
Porque representam pequenas partes de empresas. Se essas empresas crescem e aumentam de valor, o normal é que as suas ações também valorizem.
Que risco têm as criptomoedas?
Têm muita volatilidade. Podem oferecer grandes subidas, mas também quedas fortes, especialmente no curto prazo.
Porque é que investir em startups é tão arriscado?
Porque são empresas em fases muito iniciais. Podem multiplicar o investimento, mas também desaparecer, por isso não são adequadas para toda a gente.
Que ativos dão estabilidade a uma carteira?
Principalmente as obrigações ou rendimento fixo e a liquidez. Normalmente não oferecem grandes rentabilidades, mas ajudam a reduzir os golpes quando o mercado cai.
Que função cumpre a liquidez?
A liquidez dá-te segurança e capacidade de reação. Quase não gera rentabilidade, mas permite dispor do dinheiro quando precisas.
O que são ativos refúgio?
São ativos que costumam comportar-se de forma diferente quando tudo corre mal. Não procuram crescer tanto como os ativos de crescimento, mas proteger parte do valor do património.
Que ativos podem funcionar como refúgio?
O ouro, Bitcoin e o investimento imobiliário podem cumprir essa função, embora cada um tenha características e riscos diferentes.
Que ativos geram rendimentos recorrentes?
Principalmente imóveis arrendados e ações ou fundos que distribuem dividendos.
Qual é a diferença entre ações com dividendos e fundos de acumulação?
Com ações diretas, os dividendos são recebidos na conta e tributados nesse momento. Em fundos ou ETF de acumulação, os dividendos são reinvestidos automaticamente e só pagas impostos quando vendes.
Qual é a chave ao combinar ativos?
Entender que função cumpre cada um dentro da tua carteira: crescimento, estabilidade, refúgio ou geração de rendimentos. A carteira deve ser construída segundo o que procuras, não misturando ativos ao acaso.

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