Depois de te explicar nos artigos anteriores deste guia para aprender a investir do zero, chegou o momento de te explicar como faço eu e porquê. As vantagens — e desvantagens, que também existem — do meu sistema de investimento.
Antes de começar, deixo-te os artigos a que me refiro, caso queiras dar uma olhada antes de avançar com este:
- Investir do zero: onde investir o teu dinheiro.
- Tipos de ativos em que podes investir conforme a sua função na carteira.
- Como comprar ativos: os veículos de investimento.
- Plataformas de investimento: onde comprar veículos ou ativos de investimento.
- Riscos e garantias de investir.
- O meu sistema de investimento. (É este que estás a ler).
- Património: como aumentá-lo, protegê-lo e transmiti-lo.
Índice de Contenidos del Artículo
- A importância de um sistema de investimento
- Como invisto eu em qualquer ativo
- A minha carteira
- Como investir conforme o capital inicial disponível
- Resumo das plataformas que utilizo
- Conclusões
- Próximos passos
- Perguntas frequentes
- O que é um sistema de investimento?
- Qual é a primeira regra antes de investir?
- Quanto dinheiro convém ter como almofada de segurança?
- Porque é que não convém investir todo o dinheiro de uma vez?
- O que é o DCA ou Dollar Cost Averaging?
- Que ativos fazem parte da minha carteira de investimento?
- Porque é que uso fundos indexados?
- Porque é que não recomendo começar por ações individuais?
- Que papel tem o ouro na carteira?
- Que papel tem o Bitcoin no sistema?
- É boa ideia investir em habitação para arrendar?
- Faz sentido comprar habitação própria?
- Onde mantenho a liquidez?
- Qual é o objetivo final do sistema?
A importância de um sistema de investimento
Tentei deixar claro ao longo dos artigos que o importante não é escolher um produto concreto ou outro, mas sim construir um sistema.
Um que se adapte a ti e às tuas circunstâncias.
Quais são essas circunstâncias?
Pois consegues imaginá-las:
- O teu património.
- A tua idade.
- A tua aversão ou desejo de risco.
- A tua capacidade de investimento mensal.
- O tempo que queres ou podes dedicar ao assunto.
- Se o investimento vai ser o núcleo central da tua geração de rendimentos para viver ou um complemento.
- Se tens família ou não.
- Se tens casa própria ou não.
- …
Como vês, não são poucas as variáveis que é preciso avaliar na hora de montar a tua carteira.
Porque qualquer sistema, em geral, combina diferentes tipos de ativos com funções diferentes. Já sabes, os quatro objetivos que os ativos podiam ter e que te comentava aqui: uma parte procura crescimento, outra aporta estabilidade, outra gera rendimentos e outra protege em momentos complicados.
E, por outro lado, tens de decidir quanto controlo queres ter. Se preferes simplicidade, os ETF ou os roboadvisors podem ser suficientes. Se procuras otimizar ou entender mais a fundo o que fazes, podes combinar ações, fundos e outros ativos como ouro ou criptomoedas.
O importante é que o efeito do conjunto de peças faça sentido para ti.
Por isso encontro muita gente que só procura algo simples que seja um complemento ao seu salário atual a pensar no futuro. E, como têm claro o que procuram e o grau de dificuldade, montar a carteira é algo bastante simples de fazer, como te conto já a seguir.
A propósito, tudo o que explico aqui não são conselhos de investimento, mas sim a forma como eu invisto e como o faria sob certas condições.
As minhas circunstâncias são as minhas e podem não ser as tuas, por isso toma isto como referência e analisa se encaixa ou não na tua situação. Eu vou explicar-te os motivos pelos quais faço uma coisa e não outra, para que percebas e vejas se se aplica ao teu caso.
Como invisto eu em qualquer ativo
Regra número um: investe apenas o capital de que não precisas.
Ou seja, a ordem do processo para investir é a seguinte:
- Analisa primeiro as tuas despesas mensais habituais. Calcula o valor médio.
- Tem claros os teus rendimentos médios. Com isto e o anterior já saberás a tua capacidade de investimento mensal.
- Cria uma almofada de segurança entre seis meses e dois anos de despesas, conforme a tua resposta à incerteza. Este dinheiro não se toca jamais. Nunca para investir e, se tiveres de mexer nele por um imprevisto, repõe-no antes de continuares a investir.
- Define o teu sistema de investimento: ativos, valor inicial e contribuições mensais.
- Executa-o nas plataformas correspondentes e deixa-o em automático. Que não dependa de ti, de te lembrares ou de te dar jeito num mês.
- Opcional: em caso de quedas significativas, analisa se te convém acrescentar um extra QUE NÃO SAIA DA TUA ALMOFADA DE SEGURANÇA.
Como vês, não faço trading. Não compro para vender rápido. Compro aquilo com que estou confortável e prefiro investir menos inicialmente e fazer investimentos mensais a investir tudo de uma vez.
Os estudos dizem que, a longo prazo, é melhor fazê-lo de uma vez. Mas eu levei com todo o mercado em baixa de 2022 com algum investimento que tinha feito mesmo antes. E sei como é duro ver, dia após dia, os teus ativos valerem menos durante um período longo sem recuperação.
Quando já ganhaste calo nisto dos investimentos, o viés de aversão a perdas afeta menos, mas de início pode ser uma pancada dura, por isso a minha recomendação é esta: o menor investimento inicial e contribuições mensais com pelo menos um ou dois anos pela frente. E, idealmente, sem limite.
É o que se conhece como Dollar Cost Averaging (DCA) e é simples e muito prático para qualquer pessoa.
Isto é ideal para fundos e ativos como o ouro ou Bitcoin. Com as ações, no meu caso, é um pouco diferente, já que o que costumo fazer é um investimento inicial não demasiado importante (sempre abaixo de 3.000€) e deixo-o evoluir.
Em certos casos, quando vejo que cai e acredito que, apesar disso, no futuro subirá, acrescento capital, de forma que o meu preço médio de compra baixa.
De qualquer forma, como te comentei antes, vou desfazendo as minhas posições em ações pouco a pouco e passando-as para indexados e Bitcoin.
A minha carteira
Bom, depois de te explicar o meu sistema, vamos à minha carteira atual. Vou explicar-te, cronologicamente, como fui montando a minha carteira atual ao longo destes anos até chegar à composição atual.
#1. Imobiliário
Como muita gente neste país, comecei com isto há já trinta anos. Basicamente, quando vivia em Madrid, comprei um apartamento no centro de Málaga para a minha mãe.
Mas poucos anos depois deram-lhe uma habitação social maior e ela mudou-se, pelo que pus o apartamento para alugar. O meu objetivo não era outro senão perder pouca liquidez mensal.
Habitação para arrendamento
Hoje em dia o apartamento está praticamente pago e a sua avaliação é quase 200% relativamente ao que paguei na altura (em plena bolha).
Apesar disso a minha opinião é muito negativa: a mim custou-me mais do que me deu, por vários motivos:
O primeiro é que, vivendo em Madrid, era difícil geri-lo em condições.
O segundo é que, além disso, ainda estou em tribunal com a minha inquilina. Desde 2023, quando o contrato terminava, ela não saiu do apartamento e tenho o julgamento em abril de 2027.
Quatro anos para poder recuperar a tua casa parece-me alucinante. É o que há neste país, cada vez mais república das bananas.
O terceiro motivo é que a rentabilidade que me deu — nos últimos anos, porque antes nem isso — está entre 1% e 2%. Ou seja, lamentável. Menos que qualquer conta remunerada.
E sim, quando o recuperar e o vender, depois da obra de recondicionamento necessária, tirarei algo mais, mas considerando o custo da obra, o pagamento de mais-valias e impostos, nem de longe compensa trinta anos de preocupações.
Por isso, a minha opinião sobre o imobiliário é que, se não contas com alguma vantagem competitiva — tens experiência prévia, conheces pedreiros e eletricistas que o acondicionem, ou tens contactos legais e de gestão de arrendamentos —, então há opções muito melhores para investir o teu capital.
Porque além disso te limita bastante para muitas outras coisas, como poderes ir viver para outro país se te apetecer, já que, por exemplo, ter uma casa fará com que a Autoridade Tributária espanhola tente que a tua residência fiscal continue a ser esta.
E bom, a legislação muda continuamente, por isso não sabes quando e como vais poder dispor da tua casa, nem por quanto a vais poder alugar nem a quem (eliminação de apartamentos turísticos). A segurança jurídica é mínima.
Para não falar de que, alugues o apartamento ou o tenhas vazio, vais ter certos gastos e impostos a pagar.
Enfim, se procuras liberdade financeira, esta parece-me uma das piores formas de começar. E isto apesar de eu conhecer casos próximos de gente a quem corre bem, mas claro, são pessoas com três e quatro apartamentos que já pagaram o pato e já têm a rede de contactos bem definida.
Habitação própria
O investimento em habitação própria muda um pouco o conceito tão negativo por dois motivos:
- Evitas o problema dos inquilinos.
- Reduzes uma parte do seu custo na declaração do património, se é que tens de a fazer.
Por isso, se tens claro, claríssimo onde queres viver porque:
- Trabalhas a partir de casa ou não vais mudar de trabalho para um que te deixe pior servido de transportes jamais.
- As crianças não vão mudar de escola.
- Não há problemas com os vizinhos.
- Gostas do bairro e não há projetos que o possam mudar (digo-te isto porque Málaga mudou por completo em quinze anos).
- O que procuras agora numa casa é o mesmo que vais querer daqui a dez ou vinte anos. Exemplo: pátio e piscina nos arredores vs. apartamento alto e cómodo no centro.
- A casa não vai ficar pequena para ti (é grande ou não vais ter mais filhos).
- Não ponderas a possibilidade de ir viver para outro país.
Então investir em habitação própria parece-me adequado pelos dois motivos acima. E por outros dois mais:
- A hipoteca é uma boa forma de poupar, sobretudo passados os primeiros anos.
- E porque estar bem onde vives é fundamental para ser feliz.
Mas atenção, relê antes a lista de condições acima, porque se não se verificarem, talvez haja melhores opções de investimento do que a habitação própria.
De facto, pensa que é bastante frequente que pessoas com bastante dinheiro vivam em boas casas arrendadas, já que lhes compensa mais pagar essa renda do que a hipoteca dessa casa. E não são burros.
No meu caso, herdei a minha habitação própria e tenho claro que a venderei dentro de alguns anos. O que não tenho nada claro é que vá reinvestir esse dinheiro na compra de outra, apesar da vantagem fiscal no IRPF de reinvestimento em habitação própria após a venda.
#2. Fundos
Depois de me livrar de boa parte da hipoteca vários anos depois, informei-me e fiz várias operações simultaneamente. Ou seja, contratei vários veículos.
Este dos fundos já me convencia bastante à partida e digo-te que continua a convencer-me hoje.
Fundos indexados
Sou extremamente fã de o que estes fundos indexados representam.
E seria ainda mais se não fosse pela loucura da impressão de dinheiro que os bancos centrais executam, o que limita claramente o seu rendimento real.
E é que, embora com estes fundos possas conseguir rendimentos anuais sustentados elevados — quase 10% de média anual no meu caso —, se o dinheiro fiduciário se desvaloriza tanto, a realidade é que não ficas 11% mais rico a cada ano, mas sim em ambientes reais de 5% ou 6%.
Ainda assim, compensa-me. Tanto que uso dois (links de recomendação, quando existem):
Porque é que uso dois em vez de um só, para maior tranquilidade?
Por dois motivos:
- Porque o Fundo de Garantia de Depósitos, FOGAIN, só cobre até 100.000€ por entidade espanhola (ambas o são).
- Para diversificar também ligeiramente, já que ambas as carteiras são parecidas, mas não iguais.
Se quiseres começar com alguma, recomendo-te Indexa. Basicamente porque tudo é mais simples, tem mais capital total investido e os fundadores têm o seu capital lá metido, o que me gera confiança. Além disso, a web e a app parecem-me melhores.
Pelo contrário, MyInvestor tem uma oferta inigualável de ativos, não só de fundos. Nesse sentido é mais avançado que Indexa.
Em ambos os casos as minhas carteiras são de risco 10/10. Porquê? Porque invisto a longo prazo e não me importa que caiam temporariamente, já que no fim a sua rentabilidade é superior. De qualquer forma, fazem-te um teste inicial para ajustar o risco da tua carteira à tua realidade.
Fundos de gestão ativa
Ao mesmo tempo que investia em indexados, comecei com os fundos de gestão ativa do meu banco, o BBVA (se quiseres começar com uma oferta, deixo-te o meu código para o acrescentares ao registar-te online: 10B20011121F4C).
Neste caso investi em quatro fundos que me recomendou uma amiga que trabalha precisamente nisto no BBVA (não é a minha gestora direta). O resultado global foi positivo, mas este ano migrei tudo para a MyInvestor, já que as comissões destes fundos são elevadas e confio mais no sistema indexado.
Ainda assim, e apesar das comissões, o fundo Megatendencias tecnológicas, que era aquele em que eu tinha mais capital aplicado, deu-me uma rentabilidade próxima de 20% anual nos anos em que o tive.
#3. Ações
Quando comecei com os fundos, também reservei um capital para ver como funcionava isto das ações.
Como eu entendo sobretudo de tecnológicas, o que comprei, em geral, foram empresas deste perfil: Apple, Nvidia, Intel, AMD inicialmente. Depois incorporei outras como ARM, Palantir, Rivian e Nike.
O resultado foi extremamente positivo. Mas, para ser sincero, foi mais sorte do que outra coisa.
Por exemplo, com a Nvidia estive a perder dinheiro durante mais de dois anos, até que graças à IA disparou como poucas vezes se viu, o que me permitiu vender a minha contribuição inicial de 2.200€ por 11.000€. E ainda guardo mais de metade do total de ações compradas bastante mais baratas para quando subir para perto de 270€ por ação, que é a estimativa atual dos analistas.
Digo que é sorte porque, com a Nvidia, como com a Palantir, era difícil prever este crescimento. Ainda assim, graças ao meu sistema, que te detalho no ponto seguinte, ter a minha almofada de segurança fez com que eu não precisasse — nem quisesse — vender quando a Nvidia caía 60% sobre o que eu tinha aportado. A Intel chegou a cair mais. E a Rivian continua lá no buraco.
Eu compro e vendo as ações na XTB, principalmente por comodidade — a app funciona muito bem — embora o facto de a cobertura só chegar aos 30.000€ me deixe um pouco de pé atrás.
De qualquer forma, depois de experimentar, tenho bastante claro que vou reduzir as minhas posições em ações individuais e vou transferir capital para fundos indexados e Bitcoin, com os quais comungo mais ideologicamente.
E farei isso pouco a pouco ao longo de vários anos, já que fazê-lo de uma vez penaliza fiscalmente (aumenta a percentagem que pagas de impostos sobre os lucros).
Obviamente, a menos que sejas um freak da informação empresarial — balanços, estimativas, vaivéns do setor — não te recomendo começar a investir em ações. Considero que há opções melhores.
E, a propósito, se apesar da minha recomendação decidires investir nisto, olha mais para as empresas do S&P 500 ou do Nasdaq do que para as do IBEX35, por favor.
#4. Ouro
A reserva de valor por excelência. E é por alguma razão: porque demonstrou ao longo dos anos que é um refúgio seguro.
E é-o não porque o ouro ganhe valor por si só, mas porque o dinheiro fiduciário se desvaloriza. Comentei-te na altura que, se olhares para o preço da habitação em onças de ouro em vez de dinheiro fiduciário, vês que não subiu. Ou seja, um apartamento — que parece que agora está caríssimo — custa-te as mesmas onças de ouro agora que há trinta anos.
Esse é o valor do ouro. A isto soma-se que, em épocas de incerteza em que outros ativos como ações ou fundos se comportam mal, o ouro brilha.
Por isso considero necessário ter uma percentagem de ouro na tua carteira, entre 5% e 10%. No meu caso eu inclino-me mais para os 5%, mas ter 10%, ou até um pouco mais, não me parece nada disparatado.
Estou exposto ao preço através de um ETF na Degiro, porque, embora entenda o valor de ter ouro físico, a sua custódia não me é cómoda.
#5. Bitcoin
Quando já tive claro como funcionam todos os ativos anteriores, foi quando entrei no mundo do Bitcoin e das finanças descentralizadas.
Depois de o trabalhar bastante, vejo claras as suas vantagens sobre o dinheiro fiduciário, mas também os seus inconvenientes. E é que, a autocustódia que os maximalistas de Bitcoin propõem não é para toda a gente (embora devesse ser).
Por isso, se não queres fazer autocustódia do teu BTC, a minha recomendação não é que o compres numa exchange centralizada tipo Binance, mas sim que invistas num ETF, por exemplo na XTB.
Ainda assim, hoje em dia, Bitcoin é um ativo que não deveria faltar em nenhuma carteira, na proporção que cada um considere relevante, sabendo que é um ativo muito volátil.
No meu caso, venho aumentando o seu peso ano após ano e, por enquanto, não vou parar.
#6. Liquidez
Antes falei-te da almofada de segurança que tens de ter e de que não a deves investir em lado nenhum. Mas a liquidez podes tê-la na conta do teu banco de sempre, ou numa conta remunerada.
No meu caso, eu uso a do Bankinter que me dá 2% anual pago mensalmente. Não é a panaceia, mas é mais do que os 0% que o BBVA me dava. No BBVA continuo a manter uma pequena parte, por causa das bonificações da hipoteca e porque gosto de ter opções, pelo que possa acontecer.
Também tenho uma parte numa conta na Wise em dólares, precisamente pelo mesmo motivo, caso aconteça alguma coisa, ter algum dinheirinho com que me aguentar noutra moeda dá-me alguma tranquilidade.
A propósito, a conta da Wise também é remunerada e gera-me uns pequenos recebimentos mensais, mas como tenho pouco capital lá, são insignificantes.
E esta é toda a minha carteira de investimentos, dado que vendi a minha percentagem da minha empresa há algum tempo.
Tabela resumo
| Ativo / Veículo | Função | Plataforma | Peso orientativo | Opinião |
|---|---|---|---|---|
| Fundos indexados | Crescimento | Indexa / MyInvestor | Alto | Base principal |
| Bitcoin | Crescimento / Refúgio | ETF XTB / autocustódia | Alto | Volátil, muito potencial |
| Ouro | Refúgio | ETF Degiro | 5-10% | Refúgio |
| Liquidez | Estabilidade | Conta remunerada Bankinter / Wise | Almofada | Não se toca |
| Ações | Crescimento | XTB | A diminuir | Há opções melhores |
| Imobiliário | Geração de rendimentos | Direto | Saída futura | Má experiência |
Como investir conforme o capital inicial disponível
Não é a mesma coisa uma carteira de 3.000€, uma de 20.000€, uma de 100.000€ e uma de 500.000€. E, embora a base possa ser semelhante, cada cenário exige certos ajustes.
Isto é o que eu faria em cada caso.
Como investir 100.000 euros
A primeira coisa é que ter esta quantia pode surpreender alguns, dada a sociedade consumista em que vivemos, mas não é assim tão difícil. Nem trabalhando, nem recebendo uma herança. Mais raro é sair-te a lotaria.
Esclarecido isto, digo-te que dependerá da tua idade — quanto mais jovem, mais risco podes assumir porque tens mais tempo para corrigir as consequências se forem negativas —, mas vou dizer-te como eu o faria.
A primeira coisa seria ter todo o dinheiro numa conta remunerada como a do Bankinter, de forma que vás gerando rendimento enquanto todo o capital é investido. No fim, não deixaremos nada aqui.
50% do total irá para uma carteira indexada na Indexa. Em função do teu risco, a carteira estará entre 7 e 10. E o investimento não seria de uma vez, mas sim:
- Investimento inicial: 3.000€.
- Investimento semanal: 500€.
Em cerca de dois anos terás investido tudo o que vamos destinar aqui.
40% para Bitcoin, com um DCA de 500€ por semana. Novamente, levarás dois anos para ter tudo investido. Se quiseres autocustódia, melhor. Se não, ETF na XTB.
10% para ouro, com um ETF na XTB. Novamente faríamos DCA com 200€ semanais até cobrir o total.
E pronto. Isto seria tudo.
Não soa muito complicado, pois não?
Porque não é.
Se eu quisesse complicar ligeiramente a vida, se visse que algum ativo — sobretudo ouro e BTC — cai muito pelo motivo que fosse (guerra do Irão), como estou a fazer DCA e tenho capital restante, poderia fazer contribuições extra, mas não é necessário.
Uma vez que esteja tudo investido, o ideal seria que durante esse tempo tivesse acumulado mais poupança para poder continuar com o plano de forma indefinida; mas, se não, só com estas contribuições, sem lhes tocar e graças ao juro composto, já estarei a gerar uma boa e crescente rentabilidade anual, aumentando o meu património muito acima da inflação.
Sei que é um investimento com um perfil de risco elevado, devido ao peso do Bitcoin, mas é o que eu faria sem dúvida. É que os rumos que o sistema financeiro tradicional vem tomando há anos convidam-me a sair dele, ainda que parcialmente.
Como investir 20.000 euros
Neste caso, eliminaria o ouro da equação e colocaria um 50% em indexados na Indexa e outros 50% em BTC.
E a forma em ambos os casos seria com um DCA de 200€ por semana, para ter tudo aplicado no intervalo de um ano.
Como investir 3.000 euros
Aqui a coisa muda, porque a quantia é pequena e não convém diversificar: eu colocaria tudo em Bitcoin, dado que é o ativo com maior potencial real de rendimento. E comprá-lo-ia em autocustódia ou através de um ETF na XTB.
Em função do seu comportamento nos meses anteriores e da tua capacidade de contribuição mensal, eu pensaria se colocava tudo de uma vez ou se fazia DCA de 500€ por mês.
Como investir 500.000 euros
E para terminar, entramos num cenário muito diferente. E claro, o filme muda. Bastante, aliás.
Porque meio milhão é uma quantia mais do que razoável para começar a pensar mais em gerar rendimento do que em aumentar lucros.
Por isso, neste caso, eu não seria tão agressivo. O que provavelmente recomendaria é algo diferente:
Começaria igual, colocando tudo numa conta remunerada que me desse cerca de 2%.
A partir daqui faria DCA por duas vias:
Por um lado, o grosso do capital, entre 400.000€ e 450.000€, iria para um fundo como o de "Aristocratas dos dividendos do S&P 500", com um rendimento anual médio próximo de 3% em dividendos, que eu não reinvestiria.
O meu DCA aqui seria de 1.000€ por semana, pelo que demoraria quase oito anos a estar totalmente investido. Sim, gerarei menos do que se investisse tudo de uma vez, mas também me afetarão menos as quedas mais do que prováveis que possam ocorrer durante este período.
O importante é que durante todo este tempo estarei a gerar rendimentos passivos, tanto da conta remunerada como dos dividendos do fundo. Começarão por ser cerca de 800€ por mês descontando impostos, mas irão subindo para 1.000€, 1.200€, 1.500€ progressivamente.
E isto sem vender participações do fundo, cujo valor irá aumentando. Ou seja, ganhas por duas vias: dividendos e exposição ao preço da tua participação no fundo.
Se já tens a hipoteca paga e os filhos fora de casa, pode ser que com o que este investimento te gerar em alguns anos não precises de mais para viver, porque, como te digo, os rendimentos irão aumentando com o tempo.
Por outro lado, os outros 50.000€-100.000€ eu colocaria em Bitcoin através de um DCA de 1.000€ por mês. É aqui que procuraria o maior crescimento da carteira.
Juntando ambos os investimentos e puxando pelo histórico, não seria nada estranho ultrapassar um milhão de euros de património em dez anos.
Soa bem isso de ser milionário, não é?
Resumo das plataformas que utilizo
Deixo-te aqui de novo as plataformas que utilizo, com links de recomendação quando existem (dão-nos uma oferta aos dois se te registares através deles):
Liquidez:
- BBVA (se quiseres começar com um presente, deixo-te o meu código para o acrescentares ao fazeres o registo online: 10B20011121F4C).
Contas remuneradas:
Fundos indexados:
Ouro (ETF):
Ações:
Conclusões
O meu sistema de investimento não procura acertar no investimento perfeito, mas sim construir uma carteira que se adapte à minha situação e com a ideia de a poder manter durante anos.
Para isso, baseio-me em três ideias:
- Montar a tua almofada de segurança antes de investir.
- Selecionar os ativos que melhor se adaptem à tua situação e diversificar as plataformas de compra só se fizer sentido.
- Não investir de uma vez, mas sim com contribuições recorrentes automatizadas.
No meu caso, cada ativo cumpre uma função: os indexados são a base, Bitcoin aporta potencial e volatilidade, o ouro protege, a liquidez dá tranquilidade e as ações individuais ficam cada vez mais em segundo plano.
O imobiliário, no meu caso, foi o pior investimento pela relação entre rentabilidade, problemas e redução da liberdade.
De qualquer forma, o que aprendi é que investir não é emocionar-se quando tudo sobe, mas precisamente o contrário: é ter um sistema em que estejas convicto, que te ajude a manter-te firme quando as coisas não correm tão bem.
Com isso e paciência, vais bem armado.
Próximos passos
Se queres avançar um pouquinho mais, convido-te a continuar com o próximo artigo da série, que já é o último:
- Investir do zero: onde investir o teu dinheiro.
- Tipos de ativos em que podes investir conforme a sua função na carteira.
- Como comprar ativos: os veículos de investimento.
- Plataformas de investimento: onde comprar veículos ou ativos de investimento.
- Riscos e garantias de investir.
- O meu sistema de investimento. (É este que estás a ler).
- Património: como aumentá-lo, protegê-lo e transmiti-lo.
Perguntas frequentes
O que é um sistema de investimento?
Um sistema de investimento é uma forma ordenada de decidir onde, quanto e como investir de acordo com a tua situação pessoal, os teus rendimentos, as tuas despesas, a tua tolerância ao risco e os teus objetivos.
Qual é a primeira regra antes de investir?
A primeira regra é investir apenas dinheiro de que não precisas, tendo antes claros os teus gastos, os teus rendimentos e a tua capacidade real de investimento mensal.
Quanto dinheiro convém ter como almofada de segurança?
Uma referência razoável é ter entre seis meses e dois anos de despesas cobertas, conforme a tua situação e a tua tolerância à incerteza.
Porque é que não convém investir todo o dinheiro de uma vez?
Porque, embora possa ser rentável a longo prazo, psicologicamente pode ser duro ver a tua carteira cair logo depois de entrar; por isso prefiro investir pouco a pouco.
O que é o DCA ou Dollar Cost Averaging?
O DCA consiste em investir quantias periódicas durante um período prolongado para não depender de acertar o momento exato de entrada.
Que ativos fazem parte da minha carteira de investimento?
A minha carteira combina fundos indexados, fundos de gestão ativa, ações, ouro, Bitcoin, liquidez e imobiliário, cada um com uma função distinta.
Porque é que uso fundos indexados?
Porque permitem investir de forma diversificada, simples e eficiente a longo prazo sem ter de escolher empresas concretas.
Porque é que não recomendo começar por ações individuais?
Porque as ações individuais exigem mais conhecimento, acompanhamento e tolerância ao risco do que outras opções mais simples como os fundos indexados.
Que papel tem o ouro na carteira?
O ouro funciona como reserva de valor e como ativo-refúgio para proteger parte do património em momentos complicados.
Que papel tem o Bitcoin no sistema?
O Bitcoin é a parte mais volátil e com maior potencial da carteira, pelo que o seu peso deve depender da tolerância ao risco de cada pessoa.
É boa ideia investir em habitação para arrendar?
No meu caso não foi uma boa experiência pela baixa rentabilidade, pelos problemas de gestão, pelos impostos, pela falta de liquidez e pela insegurança jurídica.
Faz sentido comprar habitação própria?
Pode fazer sentido se tens muito claro onde queres viver durante muitos anos, embora nem sempre seja a melhor opção se a tua vida puder mudar.
Onde mantenho a liquidez?
A liquidez deveria estar numa conta corrente ou remunerada, disponível quando for necessária e separada do dinheiro destinado ao investimento.
Qual é o objetivo final do sistema?
O objetivo é construir uma carteira diversificada, automatizada e sustentável ao longo do tempo, que consigas manter tanto quando sobe como quando baixa.

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