
Não é a primeira vez que falo sobre este tema. Na verdade, devido ao impacto, tenho vários artigos relacionados:
- O Consent Mode V1 e V2
- Como implementar o Google Analytics sem banner de cookies.
- Como melhorar os dados do GA4 com uma implementação dual.
Mas neste artigo não vou explicar como implementar nada; vou mostrar um caso real.
Com dados reais.
Trata-se de uma experiência que fiz com um cliente que tinha um problema com a analítica em geral e, em particular, com a analítica digital.
Conto-lhe tudo.
Índice de Contenidos del Artículo
O cliente
Estamos a falar de um ecommerce multinacional que fatura vários milhões de euros por ano, tem 10 funcionários e investe cerca de 5.000 € por mês através de diferentes agências, cobrindo todos os canais habituais:
- SEO.
- SEM.
- Retargeting.
- Redes sociais (orgânicas e pagas).
- Email.
Para uma PME, este investimento não é pequeno, por isso é preciso rentabilizá-lo ao máximo. E a melhor forma de o fazer é analisar bem o que funciona e o que não funciona.
É aqui que entra a analítica digital.
O problema
Neste caso, o problema não estava no singular, mas no plural:
Por um lado, a pessoa que geria anteriormente o orçamento já tinha saído há algum tempo e ninguém tinha pegado no testemunho. Bem, na verdade o proprietário tinha, mas deixando bastante liberdade às diferentes agências.
Em um contexto positivo como o dos anos — no plural — da pandemia, isso podia funcionar. Mas, quando o efeito começou a desaparecer, as falhas tornaram-se evidentes.
E claro, se ninguém está realmente responsável, os dados não são bem analisados. E o que acontece se não forem analisados regularmente? Para além de não serem usados para tomar decisões, nem sequer se percebe se é realmente possível obter os dados necessários.
Ou se as suas ferramentas estão corretamente implementadas.
Posso já dizer que, sem uma revisão interna, é difícil que estejam.
Neste caso, não estavam.
O processo
Com toda esta confusão acumulada no sótão, a primeira coisa a fazer era pôr ordem.
Rever a implementação do GA4 para, em primeiro lugar, corrigir erros e, em segundo, recolher comodamente as métricas necessárias.
Implementámos uma propriedade roll-up que reunia em uma só os dados dos sites de todos os países, pois até então havia apenas uma propriedade por domínio e era necessário exportar e consolidar. Com essa propriedade podíamos obter rapidamente os dados globais do negócio.
Pois bem, com esta propriedade na configuração padrão e com o Consent Mode tal como estava, eram recolhidos cerca de 50% das transações da loja (retiradas do CMS), uma percentagem extremamente baixa e totalmente insuficiente se quisermos usar o GA4 como principal referência para as vendas e receitas geradas por cada canal.
Por isso, configurámos esta propriedade como bannerless em um sistema analítico de medição dual, o que aumentou a captação das vendas para 62%.
Um pouco melhor, sim, mas ainda muito longe dos valores ideais, que eu situo acima dos 80%.
Chegados a este ponto, tínhamos duas vias de teste para tentar melhorar:
- Verificar se o script do GA4 disparava sempre na página de agradecimento.
- Rever o Consent Mode e a forma como estava implementado.
Posso já dizer que a primeira via trouxe poucos resultados. Os testes confirmaram que o script disparava corretamente sempre que uma compra era concluída.
A solução
Por isso seguimos a outra via: mexer no consentimento.
Foi aí que percebemos que, embora o sistema dual capture corretamente a origem e o meio pelos quais o usuário chega ao site, assim que entra em jogo o segundo consentimento, tudo desanda. Ele registra apenas 10% a mais de conversões, como comentei antes.
O que fizemos?
Testamos o que acontecia se definíssemos o consentimento dos cookies analíticos como “granted”, independentemente do que o usuário fizesse: aceitasse ou rejeitasse, os cookies do GA4 eram sempre instalados, ao contrário dos publicitários.
O resultado?
Uma recuperação no GA4 de 92% das transações reais, algo que eu já não via desde os tempos da TiendAnimal.

Claro que, com dados desta qualidade — juntamente com os relatórios de cada plataforma — é muito mais fácil compreender o funcionamento do nosso mix de marketing e tomar decisões acertadas.
A decisão final
Então, o que fazemos? Temos três opções:
- Deixamos tudo como está, correndo o risco de uma multa da AEPD? Em troca, temos muito mais informação.
- Também podemos alterar o banner de cookies: no design e nos textos, ou implementar um paywall de 2 € como fazem os meios de comunicação.
- Desenvolver uma solução que permita que a propriedade roll-up recolha todos os dados (o que estamos legalmente autorizados a fazer), enquanto as demais propriedades coletam dados conforme o consentimento do usuário.
- Adicionar uma ferramenta como Matomo, que não considere o Consent Mode da Google e agregue os dados de todos os sites, de forma semelhante à propriedade roll-up do GA4.
E aqui não existe uma resposta universal válida para todos os negócios.
Neste caso, escolheremos a terceira opção, sabendo que o desenvolvimento não será especialmente difícil ao nível do código, mas exigirá muitos testes até acertarmos.
Conclusões
Como vê, a analítica digital torna-se um pouco mais complicada a cada dia.
É o que é, e temos de nos adaptar da melhor forma possível, pelo menos se não quisermos trabalhar às cegas e perder competitividade no ambiente digital.
Se o tema lhe interessa, pode consultar outros artigos sobre analítica que escrevi, tanto digital como de negócio.
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