
Agora que já sabemos o que é CRO, como funcionam os usuários, as técnicas e ferramentas que podemos aplicar, é altura de juntar tudo e criar um framework de trabalho.
Este ponto é o último e o mais importante do artigo, porque é aquele que reúne tudo o que temos vindo a explicar até agora. Por isso, atenção.
Porque este framework explica o processo que podemos seguir se quisermos melhorar globalmente o nosso projeto, sem nos focarmos em aspetos pontuais, mas encarando-o como uma metodologia que faça parte do core do negócio.
O que eu proponho para você é o seguinte:
- Coletar informação sobre o site, os objetivos pretendidos e a tipologia de usuários (personas, dados sociodemográficos, etc): dar-nos-á o contexto necessário e as primeiras pistas.
- Estudar as métricas: normalmente o site terá uma ferramenta de analítica digital. Se não tiver, será necessário implementá-la o quanto antes e seguir a metodologia do Plano de medição abordada no primeiro capítulo.
- Propor as alterações e lançar os testes: com toda a informação analisada, proporemos alterações que deverão ser testadas em testes A/B (geralmente) ou testes de usuários (menos frequentemente), conforme seja mais adequado.
- Analisar os resultados: verificar se as melhorias propostas melhoram efetivamente ou não e voltar novamente ao passo 1. É uma metodologia iterativa.
Vou explicar cada passo, juntando os dois primeiros.
#1 e #2. Coleta de informações e análise de métricas
Os objetivos nestas fases serão:
- Conhecer o site que queremos otimizar.
- Definir os objetivos.
- Selecionar as páginas mais adequadas para os testes com base nos objetivos definidos.
- Analisar os problemas da página e a forma como os usuários usam o site.
- Formular as hipóteses, que servirão de base para a proposta de alterações a realizar.
A) Conhecer o site que queremos otimizar:
Para isso podemos criar uma ficha do projeto semelhante a esta:
Projeto: Yo pongo el hielo.
Tipologia de site: Ecommerce.
Objetivos principais:
- Compra de produto.
- Assinatura da newsletter.
Páginas relevantes:
- Home.
- Listagem de produtos.
- Ficha de produto.
- Processo de compra.
Primeiras impressões:
- O carrossel responsive pode ser problemático (fora do padrão).
- Copy do banner pequeno.
- Checkout que pode ser melhorado: passos “1” diferentes e repetidos
- Não existe personalização.
- Nas categorias, os produtos estão em modo lista e não grid.
- Ficha de produto: muitas têm o mesmo texto genérico.
B) Definir o objetivo
Será feito com base em:
- O que dizem as métricas.
- Tendência.
- Estudos de mercado.
- Benchmarking da concorrência.
- SWOT.
- Feedback de clientes.
- Qualquer fonte de informação que nos possa parecer relevante.
Idealmente, terminaremos com um objetivo que defina o KPI a aumentar, o tempo necessário para que se concretize e, se necessário, o segmento de usuários.
Por exemplo: Aumentar o CR mensal de novos usuários em 1% no prazo de 6 meses.
C) Selecionar as páginas mais adequadas para os testes
Tomando como base os objetivos definidos:
- Estudaremos as métricas que tivermos disponíveis: ferramentas de Analítica Digital, Heatmaps, inquéritos…
- Vamos puxando o fio de tudo o que nos chame a atenção e observando tendências (sazonalidade, YoY, canais e segmentos…).
- Podemos adicionar técnicas como funis de conversão, gravações, heurísticas, questionários ou heatmaps.
- Devem ser páginas com tráfego e que conduzam a conversões. Se não houver tráfego ou conversões suficientes (consideremos 100 como mínimo), os resultados não serão conclusivos. Isto leva-nos à possibilidade de investir na compra de tráfego.
- É mais fácil começar por: As páginas com problemas (rejeição e saídas elevadas, CR baixo…)
- Quanto mais perto estivermos da página de conversão, mais depressa veremos resultados (Checkout)
Acabaremos com uma seleção de páginas do tipo:
- Página home.
- Página de catálogo.
- Páginas de informação sobre um produto.
- Passos do processo de compra.
D) Analisar os problemas da página e a forma como os usuários usam o site
Vamos rever o seguinte:
Erros funcionais:
- Carregamento lento.
- 404.
- Falta alguma parte.
- Erros que impedem avançar (botão que não funciona).
Acessibilidade
- Tamanhos.
- Cores.
- Dispositivos.
- Leitores para pessoas cegas e pessoas com deficiência.
Usabilidade
- Pouca informação.
- Proposta de valor pouco clara.
- CTA situado below the fold ou pouco visível.
- Copy e textos melhoráveis.
- Formulários longos.
- Pedido de demasiados dados.
- …

Em suma, todos os pontos referidos na técnica de análise heurística.
Para coletar feedback dos usuários temos estas fontes:
- Apoio ao cliente.
- Formulários.
- Feedback sobre o site (email de contacto, redes sociais).
- Testes de usuários / entrevistas.
- Heatmaps.
- Gravações.

Assim que tivermos tanto os problemas do site como o feedback dos usuários, estaremos em condições de estabelecer o KPI a melhorar na página.
Por exemplo, numa página de produto será o número de “Add to cart” ou, numa página de listagem de categoria de produto, a taxa de rejeição ou abandono.
E) Formular as hipóteses
Que servirão de base para a proposta de alterações a realizar.
Neste último ponto desta fase, vamos utilizar o método científico: identificamos um problema e sugerimos uma possível solução (hipótese). É desenhada uma experiência que valide ou não a nossa hipótese
Já temos o KPI selecionado no passo anterior, por isso é altura de sermos criativos e pensar em que alterações melhorarão esse KPI, formulando a hipótese.
Exemplo de hipótese:
“Na página de categorias, ao mostrar mais produtos de uma vez, mudando de um formato “lista” para um formato “grid”, o usuário abandonará menos o site por essa página.”
Importante: as hipóteses têm sempre de conter tanto a suposição que queremos testar como o resultado (caso contrário, será uma “hipótese nula”).
#3. Desenho e lançamento do teste
Depois de termos a nossa hipótese formulada, é altura de a testar.
Para isso utilizaremos uma ferramenta de testing como a VWO, que tem um plano gratuito e é potente.

Existem vários tipos de testes A/B:
- A/B (também chamado Split): uma página de controle e uma ou várias páginas de teste (variantes) onde se avalia apenas uma alteração. Por exemplo, cores diferentes para o botão “Pagar agora”.
- Multivariante: uma página de controle e várias páginas alternativas, tantas quantas as combinações possíveis de diferentes variáveis. Continuando com o caso anterior, além das cores do botão, poderíamos testar diferentes copies como “Pagar agora”, “Finalizar e pagar”, “Ir ao banco e pagar”. Seria testada cada combinação de cor e copy.
- Redirecionamento: leva-o para um URL completamente diferente (válido para fluxos de checkout diferentes, num único passo ou em vários, por exemplo).
Elementos a testar
A verdade é que, num site de dimensão média, há uma infinidade de partes que podem ser testadas. Aqui estão algumas:
CTA
- Copy.
- Forma.
- Cor.
- Tamanho.
- Ícone.
- Localização.
Proposta de Valor Única / Proposta de Campanha Única
- Copy.
- Imagens principais.
- Elementos distrativos vs elementos que ajudam à conversão.
Checkout
- Informação: suficiente, adequada, persuasiva…
- Copy dos botões => “comprar” vs “adicionar ao carrinho”.
- Número e ordem dos campos: menos nem sempre é melhor, depende da qualificação do lead.
- Número de passos (URLs).
- Formato de inputs e labels (maior melhora ou piora o CR em mobile?).
- Adicionar ou eliminar imagens ou vídeos (distraem ou reforçam?).
- Adicionar upselling no fecho.
Momento do usuário (sabe o que quer, procura informação…)
- Informação para cada tipo de usuário: Guias de utilização / tutoriais. Páginas “sobre nós” e “condições”. Testemunhos e prova social.
- Páginas “sobre nosotros” y “condiciones”.
- Testimonios y pruebas sociales.
- Adicionar o número de referências de cada categoria.
- Categorizaciones distintas (por marca, categorías, tipo de uso…).
- Descrições de categorias.
- Design da home (módulos diferentes).
Usabilidade
- Tamanho da letra.
- Cores: Fundo de divs ou módulos. Ícones.
- De iconos.
- Links.
Look and Feel
- Quantidade de espaço em branco na página.
- Tipografias.
- Paleta de cores.
- Cor / imagem de fundo.
- Cantos arredondados ou curvos em botões e imagens.
- Qualidade e tipo de imagens (mais pesadas, de stock vs próprias).
- Em checkouts externos, testar aproximá-los do look and feel do site ou incluí-los como iframes.
- Número de produtos por página, em ecommerce.
- Número de colunas de texto, em meios de comunicação.
“Encontrabilidade” (capacidade de chegar ao que se procura no site)
- Mostrar os artigos mais lidos ou os produtos mais comprados na home.
- Mostrar produtos nas pesquisas sem resultados.
- Quantidade de informação a mostrar na página de resultados de pesquisa (imagens, preço, stock, descrição curta?).
- Naming dos menus.
- Número de elementos do menu e respetiva ordem.
- Barra de pesquisa: tamanho, fixa, localização, copy…
- Métodos de refinamento de pesquisas: adicionar “talvez quisesse dizer XXXX”
Hierarquia visual
- Mover elementos importantes de um lado para o outro da landing page.
- Tamanhos: absolutos e relativos.
- Número de elementos.
Compra
- Unidades em stock => sensação de urgência.
- Data de receção da encomenda.
- Preço do envio na ficha de produto.
- Checkout com Paypal Express.
- Formas de pagamento (segmentando por país).
- Gateway de pagamento interno ou externo (com ou sem iFrame).
Prevenção de erros
- Mensagem de erro: deixar claro que a culpa é do site, não do usuário.
- Destacar o campo com erro.
- Conteúdos e copies de páginas 404.
- Eliminar campos opcionais dos formulários.
- Copies dos labels.
Enfim, como vê, a lista é longa. E ainda deixei algumas coisas de fora…
#4. Análise de resultados
É altura de ver se a nossa hipótese se revelou correta ou não.
- Se se revelou correta: será necessário pensar na iteração seguinte, na mesma página ou noutra.
- Se não teve um resultado positivo: será necessário reformular a hipótese para conseguir melhorar o KPI.
Ou seja, o processo de testing nunca termina, quer o resultado seja positivo ou negativo.
É importante ter em conta que, mesmo que o teste tenha dado um resultado negativo extraímos mais informação sobre o nosso site e os seus usuários, por isso nunca é em vão.
Exemplo real
Para terminar esta seção e este artigo interminável, vou mostrar um caso real de um ecommerce para o qual prestei consultoria.
O processo completo, resumido, foi o seguinte. Tal e qual:
- Análise heurística: ao rever, vi que, embora o site estivesse bem no geral, (faturava mais de 2 milhões de euros, na minha opinião o processo de checkout podia ser melhorado.
- Análise de métricas: o CR do checkout (usuários que compram / usuários que entravam no checkout) era de 18%. Achei que podia ser melhorado.
- Protótipo comentado: um design que sugeria algumas alterações:
- Fluxo: o cadastro (não o login) tirava o usuário do checkout.
- Copy: algumas mensagens, como a da endereço de cobrança, não eram claras, tal como algumas mensagens de erro.
- Design: demasiadas vias de saída. Eliminámos o menu superior e o rodapé inferior, e substituímos links externos obrigatórios (“condições de contratação” e “financiamento a prestações”) por pop-ups com o mesmo conteúdo.
- Definição da experiência: neste caso foi com Google Optimize, antes de a Google o eliminar. Por facilidade, deixámos de lado a alteração do fluxo e fizemos apenas as alterações de copy e design.
- Resultados do teste: o CR do checkout subiu para 22%. E estou convencido de que, com mais algumas melhorias, ainda é possível ganhar mais um pontinho.
Mentiria se dissesse que analisei a melhoria das receitas, sinceramente, mas perante esse aumento do CR, teve de se notar.
Portanto, se tem um ecommerce, você pode replicar o processo tal e qual.
A sério, experimente exatamente assim e veja o que acontece no seu caso 😉
E com isto terminamos…
Mais sobre CRO…
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- Metodologia de testes para CRO (é o que você está lendo).
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Perguntas frequentes
Que passos inclui uma metodologia de testes para CRO?
A metodologia começa por coletar informação sobre o site, estudar as métricas, propor alterações, lançar testes e analisar os resultados para voltar a iterar.
Porque é necessário coletar informação antes de lançar um teste CRO?
Porque precisa de contexto sobre o site, os seus objetivos, as páginas relevantes e as primeiras fricções antes de decidir o que alterar.
Como se define o objetivo de um teste CRO?
É definido a partir de métricas, tendências, estudos de mercado, benchmarking, SWOT, feedback de clientes e qualquer fonte útil de informação.
Que páginas convém selecionar para um teste CRO?
As que têm tráfego suficiente, conduzem à conversão e apresentam problemas claros, como rejeição elevada, muitas saídas ou baixa taxa de conversão.
Que problemas devem ser analisados antes de formular hipóteses?
Erros funcionais, problemas de acessibilidade, problemas de usabilidade, fricções em formulários, CTA pouco visíveis, copy que pode ser melhorado e feedback real dos usuários.
O que deve incluir uma hipótese de CRO?
Deve incluir a suposição que se pretende testar e o resultado esperado. Se não incluir ambas as partes, fica reduzida a uma hipótese nula.
Que tipos de testes podem ser usados em CRO?
Podem ser usados testes A/B, testes multivariantes ou testes de redirecionamento, conforme a alteração que se pretende validar.
Que elementos podem ser testados num site?
CTA, proposta de valor, checkout, copy, imagens, hierarquia visual, usabilidade, métodos de pagamento, menus, pesquisa, erros e elementos de confiança.
O que acontece se um teste CRO não melhorar o resultado?
Não é considerado uma perda. Serve para aprender mais sobre o site e os usuários, reformular a hipótese e continuar a iterar.
Quando termina o processo de testing CRO?
Nunca termina por completo. O processo é iterativo: se o teste funciona, procura-se a melhoria seguinte; se não funciona, reformula-se a hipótese.

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