Esta semana tive a sorte de participar na 4.ª edição de Erros X Aprendizaxes, um grande evento de ecommerce organizado pelo Clúster de Ecommerce Gallego e que reuniu perto de 200 pessoas — nada de brincadeira — na Corunha.
Um evento que reflete a maturidade real do setor em Espanha. Ou pelo menos na Galiza.
Digo isto porque todas as palestras eram de empresas “normais”, puramente digitais ou não, que rentabilizavam o seu canal de comércio eletrónico.
E, por empresas normais, refiro-me a que não eram os grandes casos de sucesso do setor, que há anos protagonizam eventos como este.
Não, eram empresas mais pequenas que estão a fazer as coisas muito bem.
É por isto que assumo que a camada online já se aprofundou e criou raízes no tecido empresarial das PME, alcançando uma maturidade que há não tanto tempo parecia um pouco utópica.
Claro que, para isso, os empresários mais veteranos tiveram de dar um “salto de fé” e abraçar o novo paradigma dos consumidores, de mãos dadas com profissionais superqualificados —nativos digitais ou reconvertidos— que deram um passo em frente e assumiram a responsabilidade pela parte do P&L do negócio que lhes cabia.
Neste post, o que quero é centrar-me nestes profissionais e nas suas palestras, porque foram, absolutamente todas, de altíssimo nível.
Além disso, e antes de começar, tenho de dizer que a abordagem, baseada nos erros cometidos em cada um dos projetos, foi um acerto total: muito entretida e didática ao mesmo tempo.
Porque aquilo que contavam, se tens ou geres um ecommerce, certamente, certamente te soava familiar.
Muita verdade ali condensada. E muito pouca pose.
A sério, nota 10.
Bem, terminada a introdução, vou ao resumo e às principais ideias que levo de cada palestra.

Índice de Contenidos del Artículo
- As palestras
- Conclusões
- Perguntas frequentes
- O que demonstra este evento sobre o ecommerce?
- Porque foi tão útil a abordagem baseada em erros?
- Que erros legais se repetem mais nos negócios digitais?
- Que riscos tem usar inteligência artificial sem supervisão em ecommerce?
- Como saber se uma queda de tráfego SEO é realmente um problema grave?
- Que peso têm as operações e o negócio face à tecnologia no ecommerce?
- O que pode aprender um ecommerce multimarca com as mudanças de estratégia das grandes marcas?
- Que ensinamentos práticos podes tirar deste resumo se geres um ecommerce?
As palestras
Par y Escala foi a primeira. Iara Viñuales, a sua fundadora, explicou-nos como começou com esta marca de moda feminina.
Realçou duas ideias:
- Joga a favor da sazonalidade: foca-te nos meses em que o teu público compra mais e usa os de menor sazonalidade para melhorar a operação da empresa.
- A importância —e a dificuldade— de acertar na forma jurídica da empresa, pois, como também nos aconteceu a nós, começou por uma cooperativa que depois teve de transformar em SL.
Em seguida foi a minha vez, em que expliquei os 10 maiores erros cometidos ao lançar o meu primeiro ecommerce e como os resolvemos ao lançar o segundo.
Mesmo antes do café, Víctor Salgado, sócio-diretor da Pintos & Salgado Abogados, S.C.P., um escritório galego de advogados, contou-nos os 10 principais erros que os seus clientes cometem no digital.
E que acredito que todos os que já andamos nisto há algum tempo cometemos:
- Copiar os textos legais de outros.
- Ou deixar que a IA os redija e não os rever.
- O consentimento de cookies feito de qualquer maneira.
- Ou o das comunicações comerciais.
- …
Enfim, uma palestra entretida que nos lembrou a importância de “prevenir antes de remediar” nesta área tantas vezes deixada de lado nos nossos projetos.
Alda Hotels é um exemplo de crescimento empresarial baseado em ter muito, muito claro o seu cliente ideal e o que ele procura. Graças a isso, na sua proposta de valor não oferecem nem mais nem menos do que aquilo de que os seus clientes precisam.
E é assim que lhes corre tão bem.
Além disso, María Domínguez, responsável de ecommerce, explicou-nos uma partida má —mas muito divertida vista de fora— que a IA lhes pregou.
E é que, o chatbot de atendimento ao cliente fechou um acordo de patrocínio com os organizadores de um campeonato de matraquilhos sem que nenhuma pessoa humana o tivesse validado.
E tiveram de pagar.
A sério, foi uma história muito divertida, ao mesmo tempo que deixa claro o estrago que uma IA sem controlo pode chegar a fazer no teu negócio.
Logo a seguir, acho que chegou o ponto alto do evento, quando Jorge Bermello, fundador da histórica cadeia de lojas de eletrodomésticos Bermello, foi entrevistado por Xosé Luís Reza (presidente do Cluster de ecommerce).
O curioso aqui é que Jorge está prestes a fazer 90 anos. E continua à frente da empresa. Normal, porque a lucidez e a experiência que as suas palavras transmitiam faziam com que não pudesses fazer outra coisa senão calar, ouvir e aprender.
E ficar com vontade de montar coisas que ainda te motivem quando estás a entrar na tua nona década.
Depois, Sergio Castelo, SEO Manager e diretor de projetos digitais da Smartclick, empresa de serviços de marketing digital que defende um SEO ético, fez uma apresentação muito dinâmica e divertida com erros que viu e sobre como a IA está a afetar o SEO.
Além de explicar como distinguir uma queda em SEO natural dos efeitos da chegada das AI Overviews, já que é fácil confundi-las e, portanto, diagnosticar um caso e tratá-lo de forma errada.
Marta Calvo García, Marketing & Event Manager da Calvo Joyeros, uma empresa de joalharia e produtos de luxo com longa trajetória, explicou-nos como aquilo que funciona a nível técnico num momento concreto do projeto pode deixar de funcionar algum tempo depois.
E como, na hora de o mudar, é importante deixares-te aconselhar, mas também seguir os teus instintos, já que ninguém sabe mais do teu negócio nem do teu projeto do que tu.
E, acrescento eu, as consequências vais carregá-las sobretudo tu. Em caso de falha, nenhum partner nem empregado vai sofrer o que te cabe a ti. Portanto isso: confia em ti depois de teres sido bem aconselhado.
Muito, muito de acordo com absolutamente tudo o que Iván Expósito, responsável de Atendimento ao Cliente da Dinahosting, que, caso não conheças, é uma empresa galega especializada em domínios.
Iván explicou que o ecommerce tem muito mais de “commerce” do que de “e” (eletrónico)). E, depois de 17 anos no setor, não podia estar mais de acordo com isso.
Ainda por cima, o facto de ser uma empresa da parte do “e” a afirmá-lo dá-lhe muito mais valor.
Enfim, a palestra dele é daquelas que qualquer pessoa que esteja a pensar lançar um ecommerce devia ver e rever várias vezes antes de se lançar na aventura.
O evento encerrou com Cultura Urbana, uma loja de referência de streetwear. Omnichannel e com ecommerce desde 2007, que não é pouca coisa. Iván Omar, tesoureiro do Cluster, entrevistou Marcos Cardero, fundador da loja, cuja trajetória é a do próprio setor em Espanha.
Se tivesse de ficar só com um ponto, seria com a gestão da relação entre as marcas e os ecommerce (ou lojas) multimarca. Porque é uma relação em que a marca tem, na maioria das vezes e sobretudo se for muito grande, a faca e o queijo na mão.
O caso da Nike, que decidiu mudar o modelo e passar a DTC (Direct-To-Consumer) fez com que, de um dia para o outro, a Cultura Urbana (e todos os restantes distribuidores da marca) deixassem de faturar milhões de euros.
Repito: milhões de euros.
E claro, isso afeta as receitas, mas também a logística (armazenagem), o pessoal, o fluxo de caixa… Tudo.
Por isso, se tens um ecommerce multimarca, ponderar criar a tua própria marca é um pilar fundamental em que te podes apoiar para rentabilizar e sustentar o teu negócio.
Conclusões
Espero ter-te convencido com este pequeno resumo de que foi um evento excelente do princípio ao fim, onde encontrei gente super simpática e muito top, com quem aprender muito além de passar um momento muito agradável.
Por isso, só me resta agradecer ao Ivan, à Beatriz e ao Xosé Luis pelo convite e desejar-lhes que este evento tão fixe que montaram continue como até agora: a subir como um foguete.
Vendo as mãos em que está, não tenho qualquer dúvida de que assim será.
Perguntas frequentes
O que demonstra este evento sobre o ecommerce?
Que o canal online já amadureceu dentro de muitas PME e negócios tradicionais. O evento reuniu empresas rentáveis e operacionais, não apenas grandes casos mediáticos, o que reforça a ideia de que o ecommerce já faz parte real do tecido empresarial.
Porque foi tão útil a abordagem baseada em erros?
Porque levou os aprendizados para problemas reais: decisões legais mal pensadas, automatizações sem controlo, dependência de marcas externas, erros de diagnóstico em SEO ou falhas estratégicas ao escalar. Precisamente por isso as palestras foram didáticas e credíveis, sem pose nem teoria vazia.
Que erros legais se repetem mais nos negócios digitais?
Entre os mais habituais estão copiar textos legais de outros sites, deixar documentos sensíveis nas mãos da IA sem revisão humana e gerir mal consentimentos como os de cookies ou comunicações comerciais. Essa foi uma das ideias centrais da intervenção da Pintos & Salgado Abogados, que insistiu na importância de prevenir antes de remediar.
Que riscos tem usar inteligência artificial sem supervisão em ecommerce?
Pode provocar erros operacionais e reputacionais bastante sérios. Um exemplo chamativo foi o caso partilhado pela Alda Hotels, em que um chatbot de atendimento ao cliente chegou a fechar um acordo de patrocínio sem validação humana. A anedota era divertida, mas a lição não: a IA sem controlo pode gerar um belo estrago.
Como saber se uma queda de tráfego SEO é realmente um problema grave?
A primeira coisa é não diagnosticar à pressa. Nem toda a descida implica uma penalização ou uma perda estrutural: pode haver mudanças na SERP, impacto das AI Overviews ou variações normais da procura. Essa foi uma das chaves que a Smartclick explicou, insistindo que confundir causas diferentes leva a decisões erradas.
Que peso têm as operações e o negócio face à tecnologia no ecommerce?
Muito mais do que muitos pensam. Uma das ideias mais acertadas do evento foi que o ecommerce tem muito mais de “commerce” do que de “e”. A Dinahosting expressou-o com muita clareza: a tecnologia importa, sim, mas sem cliente, operação, atendimento, produto, margens e gestão, não há negócio que aguente.
O que pode aprender um ecommerce multimarca com as mudanças de estratégia das grandes marcas?
Que depender demasiado de terceiros te deixa exposto. A Cultura Urbana explicou muito bem como uma mudança de modelo de uma grande marca pode afetar de repente receitas, logística, stock, pessoal e caixa. Por isso, em muitos ecommerce multimarca, desenvolver uma marca própria pode tornar-se uma alavanca estratégica fundamental.
Que ensinamentos práticos podes tirar deste resumo se geres um ecommerce?
Vários: adaptar a operação à sazonalidade, rever bem a parte legal, não delegar decisões críticas em automatizações sem controlo, interpretar com cabeça os dados SEO, ouvir especialistas sem perder o teu próprio critério e não esquecer que o canal online faz parte de um negócio completo. Foi exatamente isso que deixaram palestras como as de Par y Escala, Alda Hotels, Smartclick, Calvo Joyeros, Dinahosting ou Cultura Urbana.

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