Depois destes três artigos anteriores a falar bastante sobre dispositivos Chromebook:
Chegou o momento de escrever sobre um aspeto não tão positivo destes equipamentos: a reprodução de vídeo.
E é algo que afeta todos estes PCs, mas especialmente os de gama baixa. Explico-te porquê.
Índice de Contenidos del Artículo
- Os problemas ao reproduzir vídeos num Chromebook
- As possíveis soluções
- Conclusões
- Perguntas frequentes
- É possível ver filmes descarregados num Chromebook?
- Porque é que alguns vídeos não se reproduzem no Chromebook?
- Que formatos funcionam melhor para ver filmes no Chromebook?
- Um Chromebook consegue reproduzir vídeos em 4K?
- Porque é que um vídeo 4K fica lento ou nem sequer abre no meu Chromebook?
- O VLC para Android resolve os problemas de reprodução no Chromebook?
- Instalar VLC ou MPV no Linux dentro do Chromebook ajuda?
- Que codecs costumam dar mais problemas no Chromebook?
- A Google não suporta todos os codecs de vídeo?
- Que leitor de vídeo usar no Chromebook?
- Qual é a melhor forma de ver filmes num Chromebook sem erros?
- Convém converter vídeos antes de os passar para o Chromebook?
- Com que programa posso converter um filme para o ver no Chromebook?
- Posso converter vídeos diretamente no Chromebook?
- As legendas influenciam a reprodução?
- Ligar o Chromebook à TV por HDMI resolve os problemas?
- Montar um NAS ou um servidor multimédia pode ajudar?
- Então um Chromebook é boa ideia para ver filmes descarregados?
- Que dispositivo costuma funcionar melhor do que um Chromebook para ver séries e filmes descarregados?
- Vale a pena um Chromebook se também quero trabalhar?
Os problemas ao reproduzir vídeos num Chromebook
Não são poucos os inconvenientes neste sentido. Podemos agrupá-los em três tipos:
- Problemas de software: leitores de vídeo mais limitados do que no Windows.
- Problemas de hardware: equipamentos com CPUs pouco potentes, incapazes de reproduzir vídeos em 4K por software. Só conseguem descodificá-los por hardware, se a CPU o fizer nativamente, o que nem sempre acontece.
- Problemas de licenças de codecs: a Google não paga o que pedem as empresas proprietárias de certos codecs privados muito difundidos, por isso os Chromebooks não conseguem reproduzi-los nem fazer passthrough (ou seja, deixar que o equipamento externo, quando ligas um HDMI, descodifique o vídeo).
Por isso, se o que queres é usar o dispositivo para ver séries e filmes descarregados (não em streaming), diria que talvez seja melhor procurares outro tipo de equipamento.
Vejamos cada ponto.
Problemas de software
A primeira coisa é que a app que vem de série no ChromeOS é limitada e vais ter problemas para reproduzir muitos vídeos descarregados.
Seja pelo codec de vídeo que usam, pelo de áudio, pela resolução do vídeo, pela profundidade de cor, ou pelas legendas…
Vais encontrar mais vezes do que gostarias a mensagem “o vídeo não pode ser reproduzido” ao tentar abri-lo.
Problemas de hardware
A capacidade técnica dos processadores que a maioria destes equipamentos monta (gama baixa ou média-baixa) é muito limitada, pois eram orientados para estudantes. Então, as CPUs não têm capacidade nativa para descodificar, por exemplo, AV1, ou em menor medida H265.
E o processador também não é suficientemente potente para o fazer por força bruta. Por isso, muitos vídeos em resolução 4K não poderão ser reproduzidos.
Digamos que tudo o que saia de ficheiros H264 e MP3 sem legendas pode dar problemas. Não é exatamente assim, mas serve-nos de base.
Portanto, se não fores exigente com a qualidade, tudo bem. Mas se fores… estes dispositivos não te vão reproduzir quase nada.
Problemas de licenças
A Google não paga as licenças de formatos de vídeo como HEVC, AV1 ou VP9 nem de áudio como DTS ou AC3. Se isto te soa a chinês, dá uma vista de olhos a este artigo onde explico com mais detalhe tudo isto dos formatos e codecs de vídeo..
Embora algo esteja a mudar ultimamente, a verdade é que a compatibilidade ainda é muito menor do que em Windows ou Linux.
As possíveis soluções
Já te adianto que, nos equipamentos de gama baixa, não há magia possível.
Uso de programas Android ou Linux
Podes pensar que usar uma app Android como o VLC, que no Windows traz os seus próprios pacotes de codecs, vai resolver o problema. Mas não é assim.
É possível que reproduza mais algum vídeo do que a app nativa do ChromeOS, mas pouco mais, já que é muito provável que não consiga ativar a aceleração gráfica da CPU, o que torna ver filmes em 4K uma missão impossível.
E se pensas que a versão Linux do VLC (ou MPV, que é ainda melhor) vai resolver isto, fica a saber que também não. Pelo menos no meu PC com Intel N3450 com suporte nativo de descodificação de H265, nenhum programa Android ou Linux consegue obter a aceleração gráfica necessária para ver filmes em 4K com este codec (o mais popular).
E, como dizia antes, o processador não é suficientemente potente para o descodificar por força bruta.
É possível que em Chromebooks mais modernos ou com CPUs mais potentes se consiga ativar a aceleração ou que a CPU seja capaz de descodificar, mas por enquanto, nos modelos de gama baixa, nem tentes.
Usar formatos compatíveis
A única via real: usar aquilo que a app nativa é capaz de reproduzir.
Esta configuração nunca te falhará:
- Resolução: 1080p (Full-HD).
- Codec: H264.
- Profundidade de cor: 8 bits (nunca 10 bits).
- Legendas: embora seja o menos relevante, é melhor sem legendas ou com elas embutidas no vídeo. Se forem separadas, um formato simples de .srt em texto simples melhorará a compatibilidade.
Fora disto, já é arriscar e testar.
Para conseguires estes vídeos tens duas vias:
- Descarregá-los assim (por exemplo, como te contava aqui).
- Transformar os vídeos que já tens —através do HandBrake ou de um conversor online— para o formato acima, para o que precisarás de outro PC.
Servidor de vídeo pessoal
Uma última via mais técnica é montares um servidor e/ou um NAS e transcodificar aí, de forma que o servidor envie o sinal para o teu Chromebook num formato que ele entenda e possas ver sem problema.
É o teu serviço de streaming privado: como a Netflix, mas com os teus próprios vídeos.
Falando da grande N vermelha, usar Netflix ou HBO também é uma solução, mas precisas de conta e ficas limitado ao catálogo que tenham. Além disso, os vídeos gravados com o teu telemóvel não estarão lá, ao contrário do que acontece no teu servidor pessoal.
Conclusões
Como vês, reproduzir vídeo não é um dos casos de uso mais bem implementados nos Chromebooks.
Já te digo que, salvo se for algo ocasional ou se souberes muito bem o que fazes, há formas mais fáceis de ver séries e filmes e, provavelmente, qualquer tablet Android barata mas moderna será melhor aqui.
Mas claro, para trabalhar ou para o resto dos usos que vimos nesta série de artigos sobre Chromebooks, o ChromeOS mostra-se superior, portanto cabe-te a ti ter claro para que o vais usar e escolher uma via ou outra.
Aqui vai um módulo FAQ pronto para colocar por baixo desse artigo.
Perguntas frequentes
É possível ver filmes descarregados num Chromebook?
Sim, mas com bastantes limites. Um Chromebook consegue reproduzir vídeos locais, embora a experiência dependa muito do formato do ficheiro, do codec, da resolução e da potência do equipamento.
Porque é que alguns vídeos não se reproduzem no Chromebook?
Porque o ChromeOS tem menos compatibilidade do que o Windows com certos formatos de vídeo e áudio. Além disso, muitos Chromebooks dependem muito da descodificação por hardware e, se o processador não suportar bem esse codec, o ficheiro simplesmente não abrirá ou ficará aos soluços.
Que formatos funcionam melhor para ver filmes no Chromebook?
A opção mais segura costuma ser esta:
-
- resolução 1080p
-
- vídeo em H264
-
- cor em 8 bits
-
- áudio simples e compatível
-
- legendas embutidas ou num ficheiro .srt
É a combinação com menor risco de erros.
Um Chromebook consegue reproduzir vídeos em 4K?
Às vezes sim, muitas vezes não. Nos modelos de gama baixa é muito comum não conseguirem lidar com 4K, sobretudo se o ficheiro usar codecs exigentes como H265 ou AV1 e não houver suporte nativo por hardware.
Porque é que um vídeo 4K fica lento ou nem sequer abre no meu Chromebook?
Porque reproduzir vídeo em alta resolução exige bastante do processador. Se a CPU não conseguir descodificar esse formato por hardware e também não tiver potência suficiente para o fazer por software, o vídeo engasga ou simplesmente não reproduz.
O VLC para Android resolve os problemas de reprodução no Chromebook?
Pode melhorar um pouco, mas não esperes milagres. Em muitos casos abre mais ficheiros do que a app nativa do ChromeOS, mas continua a esbarrar nas mesmas limitações de aceleração gráfica e potência do hardware.
Instalar VLC ou MPV no Linux dentro do Chromebook ajuda?
Não como solução universal. Em teoria parece uma boa ideia, mas na prática muitos Chromebooks modestos continuam sem ativar bem a aceleração necessária para certos formatos, especialmente em 4K.
Que codecs costumam dar mais problemas no Chromebook?
Os mais delicados costumam ser HEVC/H265, AV1, VP9 em alguns casos, e certos formatos de áudio como DTS ou AC3. Também podem dar dores de cabeça os vídeos em 10 bits ou com legendas complexas.
A Google não suporta todos os codecs de vídeo?
Não totalmente. Parte do problema vem das licenças e do suporte desigual no ChromeOS. O resultado prático é simples: há menos compatibilidade do que em Windows ou num PC Linux convencional.
Que leitor de vídeo usar no Chromebook?
Primeiro experimenta a app nativa se o ficheiro for compatível. Se não, podes tentar com VLC para Android. Se o teu Chromebook permitir Linux, MPV ou VLC para Linuxpodem servir para testar, mas eu não os venderia como solução definitiva.
Qual é a melhor forma de ver filmes num Chromebook sem erros?
Usar ficheiros já preparados num formato compatível: 1080p, H264, 8 bits e legendas simples. Tudo o que se afaste disso aumenta bastante as probabilidades de erro.
Convém converter vídeos antes de os passar para o Chromebook?
Sim. Na verdade, é a solução mais realista. Se já tens filmes em formatos problemáticos, convertê-los previamente para um perfil compatível costuma funcionar melhor do que lutar com leitores alternativos.
Com que programa posso converter um filme para o ver no Chromebook?
Uma opção clássica é HandBrake. Também há conversores online, embora para ficheiros grandes costumem ser pior ideia por tempo, privacidade e limites de tamanho.
Posso converter vídeos diretamente no Chromebook?
Poder, às vezes. Fazê-lo bem e sem sofrer, nem tanto. O normal é ser mais prático convertê-los noutro computador mais potente e depois passá-los já prontos para o Chromebook.
As legendas influenciam a reprodução?
Sim. Algumas legendas externas ou formatos mais complexos podem dar problemas. O mais seguro é usar um ficheiro .srt simples ou embuti-las no próprio vídeo.
Ligar o Chromebook à TV por HDMI resolve os problemas?
Não necessariamente. Se o Chromebook não consegue lidar com esse ficheiro ou não faz bem o passthrough, ligá-lo a um ecrã externo não resolve o problema de base.
Montar um NAS ou um servidor multimédia pode ajudar?
Sim, bastante. Se um servidor transcodificar o vídeo e o enviar para o Chromebook num formato compatível, o equipamento local sofre muito menos. É uma solução mais técnica, mas também mais sólida.
Então um Chromebook é boa ideia para ver filmes descarregados?
Só se for algo ocasional ou se dominares bem os formatos. Se a tua prioridade é consumir muito vídeo descarregado e não queres complicações, um Chromebook normalmente não é a melhor compra para esse uso.
Que dispositivo costuma funcionar melhor do que um Chromebook para ver séries e filmes descarregados?
Para esse caso concreto, muitas vezes uma tablet Android moderna, mesmo barata, dará menos trabalho do que um Chromebook básico.
Vale a pena um Chromebook se também quero trabalhar?
Sim, aí a coisa muda. Para trabalho, navegação e muitas tarefas online, o ChromeOS pode ser uma ótima opção. O problema não é o equipamento em geral, mas esperar que se destaque na reprodução local de vídeo exigente.

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