Neste artigo quero contar-te a última colaboração que montei para a minha antiga empresa, porque acho que pode dar-te alguma ideia para o teu negócio.
Neste caso, tratava-se de montar um sistema de preços surpreendente. Ou pelo menos foi para mim, quando me apresentaram o que tinham em mente e me pediram que o criasse.
Para que entendas melhor a solução e o contexto, digo-te que a empresa para a qual o montei era a nossa distribuidora de bebidas para o canal HORECA (o nosso grupo tinha várias empresas diferentes), que contava com mais de 4.000 referências e cujos preços de compra eram muito competitivos.
Além disso, acrescentarei que o problema inicial não eram os preços. Ou pelo menos não diretamente.
A questão a resolver era a cotação de pedidos.
No setor, é bastante habitual ter um WhatsApp de atendimento ao cliente em que os clientes pedem constantemente preços e cotações de pedidos.
E claro, estamos a falar de profissionais que têm à disposição diferentes fornecedores, com preços diferentes para o mesmo ou diferente catálogo, e que procuram essa cotação no momento de fazer as compras, pelo que precisam dela de forma imediata.
A solução procurava uma fórmula que automatizasse e centralizasse isto o máximo possível, já que havia várias pessoas envolvidas e as respostas nem sempre eram idênticas ou imediatas.
Sim, podia ter sido um chatbot, mas achámos que havia opções melhores.
E ocorreu-nos uma abordagem que permitia aos clientes duas coisas:
- Cotar eles próprios os seus pedidos.
- Ajustar os custos de cada referência.
Desta forma tinham a resposta no momento e podiam, além disso, ajustar os preços de compra de cada produto, o que lhes permitia comprar da forma que lhes fosse mais cómoda: todas as referências ao mesmo fornecedor (nós) ou utilizar diferentes fornecedores, considerando o preço total da compra, os custos de transporte, os pedidos mínimos e os prazos de entrega.
Parece-te bem? Pois a verdade é que o que montámos está a funcionar estupendamente. Conto-te em detalhe.
Índice de Contenidos del Artículo
- A nossa solução
- Resumo e conclusões
- Perguntas frequentes
- O que é uma estratégia de preços em que o cliente escolhe o seu preço?
- Para que serve este sistema de preços?
- Em que tipo de empresa faz mais sentido?
- O cliente pode colocar qualquer preço?
- Como funciona o semáforo de viabilidade?
- Porquê usar uma folha de cálculo em vez de uma web app?
- Que tecnologia há por trás do sistema?
- O que ganha o cliente com este sistema?
- O que ganha a empresa?
- É uma estratégia recomendável para qualquer negócio?
A nossa solução
Este é o sistema e os seus pontos-chave.
Objetivo
Como te indiquei, era duplo:
- Que a cotação de produtos fosse imediata e sempre a mesma.
- Que os clientes atuais nos comprassem mais referências, idealmente todas.
Como consegui-lo
Permitindo que o cliente possa cotar automaticamente o preço do pedido, escolhendo também o preço de cada referência na sua folha de pedido.
Nós indicamos-lhe um preço recomendado para cada produto — preços de mercado, não mais altos para simular uma oferta maior —, mas o cliente é livre de o baixar se considerar oportuno.

Mas com um limite.
O sistema tem implementado um semáforo que calcula a margem da compra total e indica se o pedido é viável ou não:
- Verde: o pedido pode ser feito automaticamente.
- Amarelo: é preciso cotá-lo manualmente.
- Vermelho: o pedido não é viável.

Desta forma, a maioria dos pedidos é cotada automaticamente sem intervenção humana, que só é necessária nos pedidos com semáforo amarelo. Reduz-se, portanto, a carga de trabalho do nosso lado e o cliente obtém uma resposta instantânea.
A tecnologia por trás
O sistema partia da base de que tinha de ser simples e o mais padronizado possível.
Já tínhamos testado web apps que funcionavam em telemóveis e PC, e os clientes não acabavam por as usar.
Porque é que não o faziam?
Pois porque não estavam habituados a trabalhar com ela no seu dia a dia e, apesar de serem extremamente simples, não as usavam, porque havia fricção.
A nossa decisão aqui foi a que viste: escolher uma ferramenta com que estejam habituados a trabalhar, como uma folha de cálculo.
Assim, o sistema que montámos baseia-se em duas folhas de cálculo, ambas no Google Sheets devido a três motivos:
- A interface familiar para o cliente.
- A possibilidade, do nosso lado, de inserir código via Apps Script.
- A facilidade na hora de partilhar a folha de pedidos com clientes.
Como funciona tudo isto
Pois a verdade é que a solução é mais simples do que poderia parecer. Tem apenas três partes.
#1. A base de dados
Uma das folhas de cálculo é a nossa base de dados. Porquê isso e não outra coisa? Pois por comodidade e agilidade para o departamento de compras e produto.
Aí colocamos os preços, custos e pesos do produto:

Também temos outro separador onde se calcula o custo de cada envio em função do destino e do peso.
Esta folha obviamente é de gestão interna, já que contém os dados de negócio que serão usados para calcular a margem total do pedido.
#2. A folha de pedidos
Esta folha é a que se partilha com o cliente para que introduza os seus preços.
Logicamente, partilha-se uma cópia com cada um dos clientes para que os pedidos de uns e outros não se sobreponham.

Aqui cada cliente escolherá:
- Se precisa de envio ou recolhe o pedido no armazém.
- Os produtos que quer, as suas quantidades e o seu preço.
Além disso, a folha calcula automaticamente:
- Preço total da compra.
- Margem do pedido. Não é mostrada, mas altera a cor do semáforo.
- Peso total do pedido (para calcular os custos de envio).
Por último, alguns produtos são marcados a verde porque são aqueles em que se recomenda ao cliente rever o preço e adicioná-los ao seu pedido, já que estão promocionados.
E fá-lo graças ao seguinte.
#3. O código
Nesta mesma folha de Google está incorporado código em Apps Script:

É aqui que está toda a lógica do sistema.
O principal é o semáforo, que calcula a margem total do pedido. Este cálculo tem em conta a margem dos produtos segundo o preço que o cliente marcou e o custo do envio segundo peso e distância, e é isso que dá ou não luz verde ao pedido.
Por último, como os preços variam todas as semanas ou meses, o código também se encarrega de atualizar os preços alterados na folha de base de dados interna e refleti-los na folha de pedidos.
Resumo e conclusões
Não sei se já tinhas pensado num sistema de pricing assim.
Está muito focado em empresas de distribuição que trabalhem com referências multimarca. Muitas, se possível.
É uma forma muito boa de aproveitar, se uma das tuas vantagens é o preço de compra, já que para o cliente está claro que é uma grande oportunidade.
De qualquer forma, além do preço em si, o sistema resolve o problema principal: evitar a cotação constante e manual dos pedidos do cliente. O cliente autocota o seu pedido de forma imediata, pelo que a fricção se reduz totalmente.
Espero que, se nunca pensaste que isto era possível, este sistema te dê ideias para o teu negócio, porque já te digo que aos meus ex-colegas está a funcionar muito, muito bem.
Perguntas frequentes
O que é uma estratégia de preços em que o cliente escolhe o seu preço?
É um sistema em que o cliente pode ajustar o preço de cada referência dentro da sua folha de pedido, sempre com limites marcados pela margem total da compra.
Para que serve este sistema de preços?
Serve para que o cliente possa autocotar o seu pedido no momento e para reduzir a carga de trabalho interna em empresas que recebem muitos pedidos de preços e cotações.
Em que tipo de empresa faz mais sentido?
Faz sentido sobretudo em distribuidoras com muitas referências, clientes profissionais e preços de compra competitivos, especialmente se trabalham com pedidos recorrentes e comparações entre fornecedores.
O cliente pode colocar qualquer preço?
Não. O cliente pode baixar preços, mas o sistema calcula a margem total do pedido e marca se a operação é viável, se precisa de revisão manual ou se diretamente não pode ser aceite.
Como funciona o semáforo de viabilidade?
O semáforo indica o estado do pedido: verde se pode ser feito automaticamente, amarelo se tem de ser revisto manualmente e vermelho se o pedido não é viável.
Porquê usar uma folha de cálculo em vez de uma web app?
Porque muitos clientes já estão habituados a trabalhar com folhas de cálculo. Se a ferramenta encaixa na sua rotina diária, há menos fricção e mais possibilidades de que realmente a usem.
Que tecnologia há por trás do sistema?
O sistema apoia-se no Google Sheets e em Apps Script: uma folha interna com preços, custos e pesos, uma folha de pedidos para cada cliente e código que calcula margens, envios e atualizações.
O que ganha o cliente com este sistema?
Ganha rapidez e controlo. Pode ver no momento se lhe compensa fazer todo o pedido com um fornecedor, ajustar preços, comparar custos e decidir sem esperar por uma cotação manual.
O que ganha a empresa?
Reduz cotações manuais, centraliza critérios, responde mais rápido e pode conseguir que os clientes atuais lhe comprem mais referências sem depender sempre de conversas por WhatsApp.
É uma estratégia recomendável para qualquer negócio?
Não. Funciona melhor quando há muitas referências, clientes profissionais, pedidos recorrentes e margem suficiente para jogar com preços sem perder rentabilidade.

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