É provável que, se você tem um eCommerce, tenha bastante claro quem é a sua concorrência. Da mesma forma, se ainda não lançou um, mas já vem pensando nisso há bastante tempo e tem uma ideia bem elaborada, também é possível que saiba quem seriam seus concorrentes. Claro que, se você está em uma fase anterior — pensando em montar um, mas sem nada avançado —, praticamente não saberá nada sobre quem vai enfrentar.
Agora, em qualquer um desses casos talvez faltem muitos dados e contexto sobre eles e fazer uma análise da concorrência será extremamente útil. Neste artigo explico um método bastante simples para fazer isso, usando ferramentas gratuitas e sem tomar muito do seu tempo. Estou bastante convencido de que a informação extraída compensará o tempo investido.
Antes de começar, é necessário comentar que neste artigo vamos nos concentrar na análise da concorrência digital, não na física, embora ela também seja uma parte importante das vendas do setor. Na verdade, em alguns setores, as transações do canal físico podem chegar a 95% do mercado.
O que foi dito no parágrafo anterior não significa que se avaliem apenas os pure players — aqueles concorrentes que são puramente online — mas também levaremos em conta os sites de redes de lojas físicas, como Carrefour, Mercadona, Fnac ou MediaMarkt desde que estejam dentro do grupo de concorrentes mais relevantes para o meu negócio.
Neste post vamos supor que se trata da análise da concorrência antes do lançamento de um eCommerce e que, portanto, desconhecemos totalmente os sites que atualmente vendem a minha categoria de produtos. Por isso, a primeira coisa será descobri-los. Para saber quem são realmente, vamos aproveitar a análise de demanda online que fizemos no artigo anterior.
No entanto, esta análise pode (e deve) ser feita com certa recorrência — pelo menos semestral ou anual — no caso de você administrar uma loja online. A planilha que usaremos contempla as duas situações: a análise inicial e a recorrente.
Por último, embora existam ferramentas pagas que facilitariam o trabalho, usaremos algumas totalmente gratuitas (o navegador será nosso aliado mais fiel nisso) ou que tenham um plano gratuito limitado. Na planilha que você pode baixar a seguir, há uma coluna que indica a ferramenta adequada para extrair a informação necessária.

Índice de Contenidos del Artículo
Pontos a analisar
As secções que proponho avaliar em cada concorrente, de modo a termos uma visão o mais global possível sem investir demasiado tempo a extrair a informação, são as seguintes:
- Marketing Digital
- Posicionamento SEO
- Canais pagos
- Redes Sociais
- Promoções permanentes (cupom de boas-vindas de 10% de desconto ou frete grátis no primeiro pedido ou ao ultrapassar X euros)
- Operações: empresas de logística com que trabalham
- Custos de envio
- Tempo de envio
- Embalagem
- Devoluções
- Tráfego
- Categorização
- Filtros
- Público-alvo
- Proposta de valor
- Vantagens competitivas
- Mais vendidos
- Preços
- Canais utilizados
- Tom
- Faturamento
- Orçamento de marketing
- Ano de fundação
- Número de funcionários
Assim, começar pelo Posicionamento SEO é uma boa forma de saber quem são, à partida, os meus concorrentes, já que é raro que os 3 ou 4 principais não apareçam nas primeiras páginas do Google se eu pesquisar pelos termos que sei que têm mais pesquisas mensais.
Continuaremos com o exemplo da loja online de tênis esportivos que usamos no artigo anterior, no qual fizemos a análise de demanda desses produtos. Comecemos por aqui:
Marketing Digital
SEO
Como muitos saberão, SEO é o acrónimo de Search Engine Optimization e engloba o bom trabalho de um site do ponto de vista dos motores de busca, ou seja, se esse site é “bom” para o Google, sobretudo. Se for, seremos premiados com as primeiras posições quando alguém pesquisar algum dos nossos produtos ou marcas.
A ordem deste índice não é fruto do acaso; cada seção está colocada da forma que considero mais adequada para que cada ponto nos vá dando mais contexto e nos vá ajudando a perceber contra quem competimos.
Para investigar quem são os nossos concorrentes online, vamos usar esta planilha baixável. Assine para baixá-la:
Tenha uma coisa clara: se você não sabe quem é a sua concorrência nem como ela é, está em desvantagem.
Felizmente para você, é muito fácil descobrir. Usando esta planilha, claro.
Ela é sua só por deixar seu e-mail.
E, de quebra, todos os dias na sua caixa de entrada, um truque ou conselho para melhorar seu negócio ou projeto digital.
Keywords
O primeiro passo é preencher a aba “SEO” com as palavras-chave (keywords) mais pesquisadas no Google que coletamos durante a análise de demanda:

O segundo passo é ir pesquisando uma a uma cada palavra no Google utilizando um navegador em modo incógnito. Este é um modo do navegador que evita que o Google nos mostre resultados personalizados em função da nossa navegação anterior. Para abrir uma janela em modo incógnito, cada navegador utiliza uma forma. No Chrome, por exemplo, abre-se assim:

Uma vez aberto o Google, pesquisamos a primeira palavra:

Uma coisa importante: é indispensável que, para esta análise, você não leve em conta os resultados pagos do Google, mas apenas os orgânicos (os gratuitos):

Adicionamos o domínio que ocupa cada posição nos resultados do Google na célula correspondente da planilha:

E vamos fazendo o mesmo com as seguintes keywords até completar o quadro:

Olhando para os resultados, vemos que há dois gigantes com os quais me vou bater: Amazon e Zalando. A Amazon é habitual em qualquer setor do eCommerce e a Zalando em tudo o que tenha a ver com calçado e roupa.
Em seguida, vêm aqueles que, sem serem tão grandes quanto os anteriores, provavelmente são concorrentes bastante consolidados e podem servir como referência:

Embora todos sejam realmente concorrentes, nesta primeira triagem eu ficaria com maspormenos.net. runnea.com, priveesport.com e deichmann.com como concorrência, pelo menos para começar, por várias razões:
- Os quatro são eCommerce de tênis esportivos com SEO trabalhado, algo que considero indispensável se você quer montar uma loja online com orçamento apertado.
- Deixaria de lado a Zalando e a Amazon porque, obviamente, não são eCommerce de baixo orçamento. São demasiado grandes em tudo para que os seus dados e números nos sejam úteis.
- Os sites da Adidas e da Nike não são multimarcas e, muito provavelmente, teremos em mente que a nossa loja sim, será.
Uma vez que tenho claro quais são os concorrentes que vou estudar, é o momento de começar a fazê-lo.
Autoridade de domínio
É uma métrica que faz referência a a importância de um domínio na internet. Praticamente cada ferramenta de SEO tem a sua própria forma de avaliar esta “autoridade”, com base no seu algoritmo e na utilização de umas ou outras métricas para o seu cálculo.
Para ver a autoridade própria do SEMrush teremos apenas de adicionar o domínio do nosso concorrente no campo da parte superior (maspormenos.net neste exemplo) e selecionar “visão geral do domínio” no seletor. Depois disso, a métrica aparecerá logo abaixo (38 neste caso):

Links recebidos
O número de páginas que apontam para um concorrente é uma forma de ver duas coisas:
- O quão popular é um site (links gratuitos ganhos organicamente)
- O orçamento que utilizou na obtenção desses links (links pagos)
É, portanto, uma métrica que nos falará de quanto um concorrente investiu em SEO e de quão conhecido é entre certo tipo de público.
O mesmo relatório anterior do SEMrush mostra-nos isso:

Tráfego orgânico
Um último ponto relevante que nos ajudará a entender o quanto o SEO de um site está trabalhado é o tráfego orgânico que ele tem, isto é, a quantidade de usuários que chegam a partir de um mecanismo de busca.
Novamente, a partir do relatório anterior no SEMrush poderemos extrair a informação, fazendo referência ao número de visitas que a ferramenta estima que o site teve no mês anterior. É importante entender que é isso mesmo, uma estimativa, já que os dados reais só serão conhecidos pela própria empresa dona do site (e pelo Google):

Pois bem, depois de explicar como extrair a informação de cada um dos nossos concorrentes, é hora de colocá-la na planilha e passar a analisar o tráfego pago:

PAID MEDIA
Em contraposição ao tráfego orgânico gratuito, aqui buscamos descobrir como nossos concorrentes online estão anunciando. Isso nos dará uma ideia do orçamento de investimento em marketing digital de cada um deles. Vamos nos concentrar em Google Ads e Shopping, os canais pagos mais frequentes em eCommerce.
Usaremos as mesmas armas que no ponto anterior: SEMrush e Google. Se começarmos pelo SEMrush, vemos que maspormenos.net não usa Google Ads:

Fazendo várias pesquisas no Google, não conseguimos que o concorrente apareça entre os resultados pagos do Google Ads:

E também não aparece entre os resultados gratuitos do Google Shopping:

Preenchemos a planilha com os resultados de cada um dos concorrentes:

É muito provável que, ao fazer as pesquisas pagas, você observe que há concorrentes que em SEO não pareciam tão fortes, mas que investem bastante em tráfego pago e convém tê-los também no radar, já que, dado que têm à partida um orçamento de marketing elevado, é muito possível que as suas vendas digitais também sejam elevadas.
Neste caso detectamos vários, como por exemplo Deporvillage.com, JD Sports ou Sprinter.

Nesta altura já começas a ver que, na maioria dos setores, em eCommerce há várias ligas de concorrentes, diferenciadas sobretudo pelo orçamento e pelo enfoque do marketing. Se o seu objetivo é lançar sua loja online com o mínimo orçamento, vai precisar trabalhar muito o SEO; se prevê que poderá investir em marketing digital, terá de investir melhor que os outros, captando tráfego pago mais barato. Com isso em mente, já pode começar a pensar em opções e ir refinando a que melhor se encaixa no seu projeto.
REDES SOCIAIS
Das redes sociais dos nossos concorrentes, neste momento vamos nos concentrar em dois aspectos: as redes que usam e quantos seguidores têm em cada perfil. Com um navegador ou com o app correspondente é mais do que suficiente para extrair os dados e colocá-los na planilha.

Depois de ver os resultados, fica claro que a concorrência cuida das redes sociais. Conseguir o número de seguidores que têm — por mais que possa haver sempre alguns comprados — não é fruto de um dia, mas de uma estratégia e dedicação constante.
Também podemos inferir que Instagram e Facebook são as redes mais usadas, embora algum dos concorrentes tenha no YouTube um grande aliado. LinkedIn e Twitter ficam longe das primeiras.
PROMOÇÕES
Para fechar esta análise do marketing digital que a nossa possível concorrência realiza, só faltaria descobrir se utilizam alguma destas três táticas muito habituais:
- Desconto no primeiro pedido
- Frete grátis no primeiro pedido
- Frete grátis para qualquer pedido acima de determinado valor (não apenas para o primeiro)
Para extrair a informação necessária, na maioria das vezes basta navegar pelo site do nosso concorrente até a encontrar:


Noutros casos, contudo, será necessário nos cadastrarmos e adicionar produtos ao carrinho, mas sem finalizar a compra, para que a oferta possa chegar ao nosso e-mail. É uma técnica muito comum, conhecida como “recuperação de carrinho”.
Com toda a informação em mãos, preenchemos a tabela e assim completamos a seção de Marketing Digital do estudo de mercado.

Operações
Começamos com a segunda seção da análise, a de operações. Aqui se trata de avaliar todo o sistema de envios dos nossos concorrentes: a área de serviço (local, nacional ou internacional), a embalagem, o prazo de entrega e as empresas com que trabalham.
Esta informação é fundamental para desenhar o nosso sistema, já que, conhecendo as empresas com que a nossa concorrência trabalha, poderemos pedir as tarifas a cada uma delas e escolher a que mais nos convém.
No que diz respeito à embalagem, fazer um pedido de teste e processar sua devolução permitirá saber se enviam por caixas, sacos, envelopes e que material de proteção usam. Da mesma forma, poderemos pedir orçamento para o tipo ou tipos que quisermos, para avaliar adequadamente os custos de envio.
Por último, investigar a política de devoluções nos dará uma ideia para a nossa e permitirá testar diferentes porcentagens para avaliar de forma mais realista os custos em diferentes cenários (por exemplo, avaliar os diferentes custos se as devoluções representarem 2% ou se, pelo contrário, chegarem a 10% dos pedidos).
CUSTOS DE ENVIO
Separamos aqui entre os diferentes serviços habituais: locais, nacionais e internacionais. Poderiam acrescentar-se alguns mais específicos se acharmos que são relevantes, como envios para as Canárias ou detalhar os internacionais por cada país.
Para preencher a planilha basta entrar no site e obter a informação de cada serviço. É algo que costuma estar disponível em alguma das páginas informativas do footer do site.

Caso os custos variem em função do país, indicaremos isso e, se não houver algum tipo de serviço, deixaremos a célula vazia:

OUTRAS CONSIDERAÇÕES
Aqui se trata de avaliar certas características de forma subjetiva: o tipo de embalagem, o prazo de envio e a política de devoluções. Em cada caso, será avaliado com 3 como nota máxima e 1 como mínima.
Obviamente, para avaliar a embalagem é necessário fazer pelo menos um pedido de teste e, de quebra, avaliar também o sistema de devoluções. Toda esta informação será colocada na tabela:

É importante acrescentar que, com a embalagem em mãos, poderemos recorrer a uma empresa de soluções logísticas para que nos informe o custo, o que nos será muito útil em breve na hora de colocar os números no plano financeiro prévio ao lançamento do eCommerce.
EMPRESAS DE TRANSPORTE
Por último, bastará investigar com quais transportadoras meus concorrentes trabalham. Há duas formas de fazer isso:
- Que o comuniquem nas páginas de informação
- Que tenhamos de nos cadastrar e ir avançando pelo processo de checkout até descobrir


Como comentamos no início, uma vez que tenhamos esta informação em nosso poder poderemos pedir as tarifas a todas as transportadoras da nossa concorrência (e a mais alguma, se as conhecermos) para decidir qual ou quais nos convêm.

Com as tarifas em mãos, já teremos números reais para poder ajustar os orçamentos e o plano financeiro do nosso projeto de forma objetiva e não estimada.
Plataforma Digital
Neste terceiro grupo começamos a analisar cada site da concorrência. O objetivo é tentar compreender quanto tráfego recebem, que categorias de produto vendem, como as agrupam e que filtros nos oferecem. Com isso, poderemos ir formando a nossa plataforma digital: saberemos o que queremos oferecer aos nossos usuários e que CMS e temas tornam isso possível.
TRÁFEGO
Utilizamos o plano gratuito do SimilarWeb para descobrir. São estimativas, não dados absolutos, e apenas de desktop (não mobile), mas servem para termos uma ideia:

SimilarWeb permite-nos, além disso, comparar entre domínios:

Como vemos aqui, deichmann.com é uma loja online multinacional e a ferramenta, por enquanto, não permite segmentar apenas a loja de cada país; daí as diferenças tão enormes no tráfego. Ainda assim, será este número que colocaremos como tráfego estimado.

A ferramenta nos dá muito mais informação, por isso recomendo fuçar um pouco e ir entendendo a estratégia online de cada um. Junto com o SEMrush, seremos bastante capazes de entender o mix de cada concorrente.
FILTROS
Os filtros são uma forma cómoda de limitar a pesquisa de produtos ao que precisamos. Há alguns filtros que se repetem na maioria das lojas online, enquanto há outros específicos do setor ou da loja em concreto.
Entre os habituais destacam-se o de preço e o de marca; nos setoriais poderíamos situar o de cor e, nos de lojas concretas, o de frete grátis. A planilha inclui esses quatro, mas está preparada para acrescentar todos os que nos interessem para o nosso projeto, duplicando qualquer uma das linhas de filtros; daí as reticências “…” do último filtro.
Para preencher a planilha bastará navegar por cada site e observar se ele tem ou não o filtro que estamos procurando.

CATEGORIAS
Da mesma forma que verificamos a existência ou não de certos filtros, fazemos o mesmo com as categorias: adicionando 1 na planilha se o concorrente tiver essa categoria ou 0 se não tiver.
No entanto, há uma diferença: é que as categorias variam enormemente entre setores, por isso a primeira coisa é pensar que categorias de produtos quero ou posso incorporar à minha plataforma e escrevê-las nas células em vermelho. Para isso, podemos nos apoiar na análise de demanda online que fizemos anteriormente.

Depois de revisar todos os sites concorrentes e adicioná-los à planilha, é possível que surja a ideia de acrescentar alguma categoria que não tínhamos pensado inicialmente, mas que vários ou todos os concorrentes têm. Por exemplo, neste caso “Tênis de trekking” parece relevante, por isso seria interessante ver se na minha loja posso acrescentar essa seção agora ou no futuro.
Poderíamos verificar o número de pesquisas da categoria como fizemos na seção da análise de demanda, embora, se vários concorrentes tiverem essa categoria, seja mais do que provável que ela tenha a demanda online adequada.

Posicionamento de marca
Até agora foi tudo bastante objetivo: muitos números ou possibilidades binárias — ou “1” ou “0” — mas agora nos encontramos com um grupo em que cabem subjetividade e interpretação.
Nesta seção tentaremos interpretar quais são as propostas de valor de cada concorrente e a que público se dirigem: ao consumidor final ou ao profissional. E, para descobrir, será preciso navegar pelo site e, sobretudo, interpretar as mensagens e imagens mostradas, com suas conotações. O tipo de promoções também nos ajudará a entender a que tipo de consumidor se dirigem.
PÚBLICO-ALVO
Trata-se de perceber se é um site focado no cliente final e utiliza linguagem simples ou se, pelo contrário, procura o cliente profissional, que compra em grandes quantidades e domina os termos técnicos.
Adicionaremos um “1” nas caixas correspondentes:

PROPOSTA DE VALOR
Ao preencher a planilha, analisaremos as sensações que o site nos provoca em relação a cada uma das diferentes propostas de valor possíveis: é um site centrado no preço? Destaca mais o atendimento ao cliente? Ou a comodidade de comprar nele? E suas imagens transmitem produtos exclusivos ou de qualidade?
Com base neste tipo de perguntas, colocaremos um “1” se não acharmos que se centra nesse aspecto, um “2” se se centra parcialmente ou um “3” se estiver muito presente ao longo de todo o site.

VANTAGENS COMPETITIVAS
Aterrissando um pouco mais o ponto anterior: quais são as vantagens diretas que, como usuários, podemos observar no site. Já não se trata de intuir, mas de observar as vantagens que nos oferecem. Em alguns casos eles as destacarão e, em outros, não (talvez porque nem eles próprios tenham consciência de que têm essa vantagem em relação aos demais, como pode ser o prazo de entrega ou os custos de envio).
Também nos basearemos, para a pontuação, em dados que obtivemos ao longo do processo de análise: já verificamos antes o custo dos envios, o prazo de entrega e se há frete grátis, por exemplo.
Para os dois últimos aspectos (posicionamento SEO e orçamento de marketing), usaremos as estimativas do SEMrush. Já extraímos as métricas SEO no módulo de Marketing Digital da tabela. Para estimar o orçamento pago, vamos nos concentrar nestas, que quanto mais altas forem, melhor:

Avaliaremos cada concorrente de 1 a 3 em ambos os pontos, SEO e orçamento de marketing, e com isso teríamos completo o grupo de posicionamento de marca.

Produtos
Já estamos nos aproximando do final da análise da concorrência e ainda não entramos em um dos aspectos fundamentais de qualquer loja: seus produtos.
Uma análise de produto pode ser muito ampla; por isso, o que proponho aqui é limitá-la a descobrir se seus concorrentes têm os 10-20 produtos mais vendidos da categoria e a que preço os vendem.
Para descobrir quais são os produtos mais vendidos, recorreremos ao Google, onde praticamente sempre encontraremos informação sobre os artigos mais vendidos de uma categoria. Caso contrário, poderemos sempre recorrer aos artigos mais vendidos de algum dos meus concorrentes (melhor se forem os do mais forte) ou, se eu tivesse uma loja física e quisesse lançar o canal online, aos meus campeões de venda. Depois de escolhê-los, colo-os nas células em vermelho da planilha.

É o momento de navegar por cada concorrente e verificar se tem cada referência em stock e anotar o seu preço na tabela.

Como se aprecia na imagem, nenhum dos concorrentes escolhidos tem mais de dois ou três modelos dos mais vendidos em stock. Este pode ser um bom ponto a meu favor, se eu for capaz de conseguir estes modelos.
Dito isso, ao fazer consultas, constatamos que outro concorrente que não está na planilha e de que já falamos anteriormente, JD Sport, de fato tem à venda vários dos modelos aqui assinalados. Talvez seja hora de olhar mais para ele e adicioná-lo ou substituí-lo por algum destes quatro (por exemplo, por runnea.com, que é o mais diferente por ser um marketplace). O estudo da concorrência não é imutável; pelo contrário, varia sempre com o tempo.
Por isso, embora este que estamos fazendo esteja focado em decidir se lançamos ou não uma loja online, no momento de lançar a loja, pode (e deve) ser repetida com regularidade (a cada 3 ou 6 meses) uma análise semelhante, que recolherá as mudanças ocorridas durante o período, com o aparecimento de novos concorrentes e a informação atualizada de toda a minha concorrência. Saber o que estão fazendo me ajudará a entender mudanças nos números da minha loja.
Atendimento ao cliente
É provável que você não tenha claro por quais canais os clientes vão entrar em contato e, embora num primeiro momento seja muito louvável pensar que seremos capazes de atender todos eles, a realidade sempre mostra que não é bem assim. Por isso, ter identificados os canais aos quais os usuários de portais semelhantes ao meu estão acostumados nos ajudará a simplificar as coisas.
O que proponho é entrar em cada um dos portais da concorrência e observar que canais usam. Além disso, se quisermos ir um passo além, podemos entrar em contato com eles por meio de cada canal e definir se a linguagem usada é formal ou informal. É um bom ponto de apoio para decidir como queremos fazer isso.

Os canais de atendimento ao cliente de cada concorrente são diferentes. Curiosamente, nenhum usa WhatsApp, o que poderia servir para nos diferenciarmos. Também não promovem o uso das redes sociais como canal de contato.
Dados econômicos e da empresa
Para fechar a análise da concorrência, será hora de mergulhar no Google e encontrar informação sobre a organização. É muito útil saber quão grande é cada concorrente para entender com que armas pode contar e intuir o orçamento de marketing que pode usar para captar usuários.
E como começar a procurar estes dados? Geralmente, a forma mais simples é a seguinte:
- Ir à página de “Aviso legal”, que costuma estar no footer, para descobrir como se chama a empresa dona do portal


- Pesquisar no Google o nome da empresa proprietária. Surgirão páginas como empresite.eleconomista.es, libertaddigital.com ou einforma.com que trazem bastante informação sobre a sociedade

- Há outra fonte de dados que são as aparições na imprensa. É provável que haja artigos no Google falando sobre a empresa ou seus fundadores e, geralmente, eles trarão dados de natureza econômica, que são os que queremos acrescentar:

Agora adicionamos tudo o que encontrarmos à planilha:

Com toda esta informação já podemos entender melhor a trajetória de cada concorrente: se é uma multinacional que abriu canal online no nosso país, se se trata de uma loja física que lança sua loja online, se é um pure player recém-saído do forno ou se já leva mais de 10 anos no digital…
Temos todo o contexto necessário para o ponto mais importante de qualquer análise: extrair conclusões e tomar decisões com base nisso.
Extraindo conclusões
Depois de realizar todo o processo, já terei informação suficiente para avaliar e posicionar meus concorrentes. O resultado do estudo pode revelar diferentes situações:
- Não há concorrência: é a situação ideal, mas é pouco provável que aconteça, pelo menos nos setores com alguma demanda. Ainda assim, de vez em quando vemos algum caso de sucesso que, a princípio, era difícil de imaginar, por exemplo, uma loja de material religioso para igrejas. Vale a pena pensar em algum nicho assim e verificar a demanda do produto.
- Vários concorrentes médios sem líder claro: outra boa situação de partida. Se as bases do nosso projeto forem fortes, é possível que possamos entrar na briga e que haja mercado suficiente para todos. Neste caso, convém manter os concorrentes bem vigiados e verificar que nenhum dispara; se disparar, entender por quê e se podemos replicar seu sucesso.
- Um líder forte e vários secundários: a situação começa a complicar. É provável que leve anos para competir com o líder, se é que algum dia chegaremos a fazê-lo. Aqui é importante quantificar o tamanho e a tendência online do setor, já que, dependendo disso, o que o líder deixa no mercado pode ser suficiente para tornar outros projetos rentáveis ou, simplesmente, não ser suficiente. Fundamental aqui é conseguir os dados de faturamento dos demais concorrentes para decidir.
- Monopólio: se não há concorrência, pode ser sinal de que ninguém pensou nisso antes ou de que a situação atual do mercado não permite que ela exista. Se for o primeiro caso, não há problema. Se for o segundo, será necessário avançar com o plano de negócios antes de descartar qualquer coisa.
- Vários líderes fortes: o pior cenário. Muito possivelmente você terá de baixar os preços (e com isso os lucros por produto) para poder competir, o que limitará muito a margem de manobra do seu projeto. Se quer lançar o projeto só para testar, o investimento inicial em tempo e recursos é mínimo e você tem poucas expectativas, vá em frente. Caso contrário, eu recomendaria pensar muito bem, porque é provável que o projeto seja mais um eCommerce dos que não chegam a um ano de vida.
Com estas situações em mente e com o contexto suficiente que teremos adquirido ao realizar o estudo de mercado, já seremos bastante capazes de tomar decisões sobre o nosso projeto de eCommerce.
Assim, se estou pensando em montar minha loja, avaliar as situações anteriores me permitirá decidir se continuo ou não com o projeto. No caso de eu administrar uma loja online existente, tirarei ideias para aumentar minhas vantagens competitivas sobre eles.
Por outro lado, o estudo terá fornecido muitíssima informação sobre as operações da nossa loja (atual ou futura):
- Como a embalagem deve ser
- Com que empresas de transporte falar
- Que canais de atendimento ao cliente posso acrescentar
- A quanto chegam os custos médios de envio
- Que margem de tempo tenho para os envios
- Com que margem trabalham nos produtos mais vendidos
- …
Em suma, terei resolvido muitas das dúvidas que provavelmente tinha antes de começar a análise. Este aspecto é, sem dúvida, um dos motivos mais valiosos para completar o estudo.
Como você vê, este sistema está preparado para obter muita informação com um investimento de tempo e recursos muito pequeno, por isso recomendo levá-lo adiante sempre que for necessário.
Naturalmente, ele poderá ser ampliado com a profundidade de que você precisar, acrescentando campos, produtos ou palavras-chave. Tomando a planilha como base, é simples duplicar campos ou acrescentar outros. Cada projeto é um mundo, embora eu tente fazer com que este sistema seja válido para uma grande quantidade de lojas online.
Qualquer sugestão ou melhoria, podem deixar nos comentários. Todas são bem-vindas.


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