
Há já alguns anos que os negócios digitais estão na boca de toda a gente.
O motivo é simples: facilitam -enormemente- o empreendedorismo.
E as vantagens que têm não são poucas, como verá ao longo deste artigo.
Se tem interesse em criar alguma coisa mas não sabe exatamente o quê, penso que encontrará aqui alguma orientação.
Mas, antes de começar, se você já tem um negócio digital, dê uma olhada nisto porque talvez seja do seu interesse:
Distribua o orçamento e crie diferentes cenários muito rapidamente
Montar o plano anual de Marketing para uma loja online é um saco. Seja uma loja nova ou uma com histórico.
E se, além disso, tiver de encaixar o orçamento no investimento necessário, ainda pior.
É por isso que uso este modelo: introduzo os dados de um projeto e ele devolve o investimento necessário com os números atualizados. Sem precisar alterar fórmulas e cálculos.
Não é uma má forma de começar com a analítica do seu ecommerce.
Além disso, para lá da calculadora, todos os dias receberá na sua caixa de entrada uma dica ou conselho (dos bons) para melhorar o seu negócio ou projeto digital.
Agora sim, vamos às diferentes possibilidades…
#1. Venda online de produtos
A venda de produtos será um dos primeiros tipos de negócio online que nos virá à cabeça.
Afinal, a Amazon já está entre nós há muito tempo.
Modelo de negócio
É muito simples: compro mercadoria e vendo-a com uma margem, que será o meu lucro.
Mas dentro deste mesmo modelo existem diferentes possibilidades.
Variantes
Provavelmente já conhece as três fórmulas mais habituais.
Loja online

É talvez a fórmula mais comum. A versão 2.0 da loja física de sempre.
Também costumamos referir-nos a ela como montar "um ecommerce", embora, se formos técnicos, os dois conceitos não sejam exatamente a mesma coisa.
Se quiser se aprofundar no tema, deixo aqui outro artigo em que explico as diferenças com base nos tipos de ecommerce que podem existir.
Características
- Trata-se de uma loja online própria, não de uma store num marketplace (falaremos deles a seguir).
- Podem vender uma única marca (normalmente própria) ou várias marcas (distribuidor multimarcas).
- As lojas online utilizam um CMS Open Source ou um SaaS (Software as a Service) para gerenciar tudo: o que o usuário vê e a operação que existe por trás.
- A logística pode ser própria ou utilizar um sistema de dropshipping.
- O que será 100% nosso é o faturamento dos clientes e a gestão do atendimento ao cliente.
- Utilizaremos diferentes canais de marketing para atrair usuários ao nosso site ou app e fazer com que comprem.
- Da mesma forma, aplicaremos conceitos de UX ou CRO para aumentar a conversão.
- Uma loja online pode ter qualquer tamanho: desde algo muito pequeno com apenas 10 produtos até monstros com dezenas de milhares de produtos.
- Da mesma forma, pode geri-la como autônomo (ideal para certos modelos) ou diretamente como uma empresa.
Exemplos
- Yo pongo el hielo (a minha).
- Ikea
- Lidl
- Primor
Se você está pensando em lançar a sua, tenho uma formação para montar um negócio de ecommerce do zero que pode ser do seu interesse.
Marketplace

Se a loja online era a versão digital da loja física, um marketplace é o centro comercial da internet.
Aqui poderá encontrar diferentes lojas que venderão os seus produtos na plataforma.
Haverá produtos que uma loja terá em exclusivo, enquanto outros estarão à venda em diferentes lojas do marketplace, cada um com um preço e condições de envio diferentes, já que cada loja define as suas.
Este modelo tem duas figuras que fazem negócio:
1. O responsável pelo marketplace
É responsável pela gestão geral da plataforma -seria o gerente ou dono do centro comercial- e cobrará aos vendedores:
- Uma mensalidade.
- Uma comissão por cada venda, conforme a categoria do produto.
- Opcionalmente, a publicidade dentro da plataforma contratada pelo vendedor. É o que se chama Retail Media.
- Também opcionalmente, poderá oferecer os seus próprios sistemas logísticos aos vendedores.
Além disso, poderá ou não ter os seus próprios produtos à venda dentro da plataforma.
2. Os vendedores
Publicarão os seus produtos no perfil do marketplace (ou store) e vendê-los-ão com uma margem.
É semelhante ao modelo de loja online, só que a plataforma não é sua e você tem que pagar comissões.
Em troca, você não precisa gerenciar nenhuma tecnologia (não precisa ter um site, basta um depósito) e o alcance e a divulgação costumam ser maiores.
Características
- No caso do dono do marketplace, se não vender os seus próprios produtos, poderíamos falar de um modelo de venda de serviços e publicidade.
- Os vendedores ganham dinheiro com base na margem de venda.
- Podem utilizar a sua própria logística ou a do marketplace (pagando-a em ambos os casos).
- Este modelo é ótimo para as marcas, que colocam os seus produtos na plataforma, controlando -mais ou menos- os preços.
- Para as empresas que distribuem várias marcas, talvez não compense entrar por causa das comissões.
- A melhoria da plataforma fica nas mãos do dono. Os vendedores pouco podem fazer, além de configurar suas stores e definir os preços.
- A faturamento aos clientes poderá ficar do lado do marketplace ou dos vendedores.
- O apoio ao cliente ficará a cargo do marketplace.
- Se for vendedor, pode gerir ambas como autônomo ou como empresa.
Exemplos
- Amazon.
- Ebay.
- AliExpress.
- PcComponentes (começou como loja online).
Como pode ver, há marketplaces generalistas juntamente com outros especializados num setor concreto.
Se tem um negócio físico, é uma forma mais simples de vender pela internet do que montar uma loja online.
Plataformas digitais de segunda mão

Mais uma vez, encontramos um sistema que existia antes da chegada da internet -o dos anúncios classificados– que se atualizou para a nova era digital.
E, mais uma vez, tal como no caso dos marketplaces, existem duas formas de fazer negócio:
1. Dono da plataforma
É responsável por gerenciá-la e por conseguir usuários que a utilizem.
Cobra de três formas:
- Comissão de venda por envio a título de "seguro".
- Publicidade: a que os anunciantes contratam na plataforma para dar visibilidade aos seus produtos e, além disso, espaços reservados para outros anunciantes, normalmente contratados por redes de retargeting.
- Provavelmente, uma pequena margem na tarifa de envio assumida pelo vendedor que envia.
Importante: se a compra e venda entre usuários for feita presencialmente e em dinheiro, a plataforma não recebe comissão.
Em troca, também não oferecerá nenhum seguro ou garantia.
2. Vendedores
Podem ser particulares ou profissionais.
De fato, embora a maioria das vendas seja de produtos, também é possível encontrar alguns serviços (encanadores, profissionais de TI…)
Características:
- Quando há envios, a logística é escolhida pela plataforma. A menos que queira fechar o negócio fora dela, algo pouco recomendável.
- Dependendo da plataforma, a comissão por envio de produtos comprados como seguro (não confundir com frete) pode parecer elevada, em torno de 10%, mas é paga pelo comprador.
- Embora a conversa aconteça entre comprador e vendedor, se houver algum problema o apoio ao cliente ficará a cargo do marketplace.
- Se for vendedor profissional, pode gerenciar o faturamento como autônomo ou como empresa.
- Estas plataformas podem dar origem a negócios numa zona cinzenta legal. Ou diretamente ilegais. E não me refiro a vender produtos ou serviços proibidos por lei (como drogas e semelhantes), mas a profissionais de fato que ganham dinheiro aqui sem declarar impostos, sem se cadastrar como autônomos, sem emitir nota fiscal nem oferecer a garantia legal…
Exemplos
Aqui, embora a maioria sejam plataformas generalistas, também pode encontrar alguma setorial, como a Vinted, especializada em roupa.
#2. Venda online de serviços
Depois dos produtos, este será provavelmente o segundo tipo de negócio que vem à cabeça. Afinal, também se trata de fazer online algo —a venda de serviços— que sempre foi feito por outros canais.
Modelo de negócio
Embora, em geral, o modelo seja trocar tempo por dinheiro, há alguns casos específicos, como os SaaS ou outros serviços particulares, em que não funciona exatamente assim.
Vamos ver todas as possibilidades.
Variantes
Saiba que estes modelos servem tanto para trabalhadores independentes / freelancers como para empresas ou agências.
Profissões digitais

Neste grupo temos as profissões que surgiram (ou se ampliaram) com a chegada do setor digital e que, além disso, só precisam de um PC para serem desempenhadas.
- SEO.
- Trafficker.
- Copywriter.
- Community Manager.
- Designer / Editor de vídeo.
- Analista.
- …
Profissões tradicionais adaptadas ao canal digital

Por exemplo:
- Serralheiros.
- Canalizadores.
- Médicos.
- Psicólogos.
- Imobiliárias.
- Restaurantes.
- Concessionários de automóveis.
- …
E qualquer outra que venha à cabeça. A lista seria infinita.
É que poucas, muito poucas profissões baseadas em serviços conseguem hoje passar sem uma vertente digital.
Por outro lado, o marketing e os seus canais podem mudar bastante em relação ao que vimos na venda de produtos. Aqui os diretórios estão na ordem do dia.
SaaS e outros serviços

Também podemos contratar online outros tipos de serviços que não exigem o tempo de trabalho de uma pessoa para podermos usufruir deles.
Refiro-me a contratar planos pagos de:
- Ferramentas SaaS: como Canva, Dropbox ou ChatGPT (SaaS).
- Outros serviços: como os de streaming (Netflix), financeiros (Wise) ou de internet (Lowi), entre muitos outros.
A empresa que os oferece cobra-nos uma tarifa mensal ou anual que nos permite usufruir deles, mas não é uma troca de tempo por dinheiro como na venda de serviços anterior.
Este tipo de negócios costuma ter barreiras à entrada elevadas, pelo que este modelo fica limitado de fato a empresas.
#3. Venda de conteúdos digitais
Começamos agora com tipos de negócios online menos conhecidos.
Ou que consideramos menos plausíveis. Sobretudo se já tivermos uma certa idade.
Na realidade, não têm de ser assim tão complicados se pensarmos um pouco. Que o digam aos milhares de adolescentes que tentam ser YouTubers.
Modelo de negócio
Neste caso, tentaremos criar conteúdo para a nossa audiência e receber dinheiro em troca.
O tipo de conteúdo e a forma de pagamento podem variar consideravelmente.
Variantes
Embora, quando o projeto dá certo, você inevitavelmente precise se tornar autônomo ou abrir uma empresa, quando a criação de conteúdo é apenas uma renda extra pequena ou algo pontual, pode fazer isso como pessoa física.
Influencers

Talvez a variante mais em voga. Mais uma vez, o conceito é semelhante ao das celebrities dos meios tradicionais.
Estas pessoas criam conteúdo público nas suas redes sociais para que os seguidores o vejam e partilhem.
Quando começam a ter um número importante de followers e interações, as marcas propõem colaborações a eles, e os influencers ganham com publicidade da marca ou comissões por venda dos produtos anunciados.
Não é raro um influencer lançar a sua própria marca de roupa, óculos, cremes… acrescentando um modelo de venda de produtos ao seu negócio.
YouTubers, podcasters

O modelo de negócio é semelhante ao caso anterior: oferecem conteúdo gratuito nos seus canais de YouTube, Twitch ou podcast e podem cobrar às marcas por anunciar os seus produtos, sob a forma de patrocínios ou comissões por venda.
No entanto, a sua principal fonte de rendimentos é a publicidade gerida pela própria plataforma nos seus canais, da qual recebem uma pequena percentagem.
Podcasts e newsletters pagos

Neste caso, embora veja que voltei a incluir os podcasts, não se trata de um erro, mas de um modelo diferente:
Aqui o conteúdo não é público, mas privado. E os rendimentos não são gerados pela publicidade das marcas, mas pelos assinantes que pagam por esse conteúdo.
E sim, há pessoas que pagam, e muito, por estes conteúdos.
Embora seja um modelo mais típico do mercado americano, em Espanha está numa tendência de crescimento.
Exemplos
- Podimo (podcast pago).
- Gente invencible (newsletter paga).
Onlyfans e semelhantes

Encontramos plataformas onde os criadores de conteúdo partilham conteúdo exclusivo com os seus followers / patrocinadores, em muitos casos de caráter erótico ou diretamente sexual.
Os criadores obtêm rendimentos através de assinantes, patrocínios e gorjetas dos seus seguidores.
Patreon, LiberaPay, PayPal e outros patrocínios

É semelhante ao modelo Onlyfans, só que neste caso o conteúdo não segue os mesmos caminhos, sendo mais de opinião pessoal ou informativo.
Embora seja provavelmente o sistema de patrocínio mais ligado a blogs pessoais, também aparece em newsletters.
Os patrocínios podem ser pontuais ou recorrentes e a eles juntam-se as gorjetas como formas de rendimento.
Como é lógico, a plataforma de pagamento fica com uma percentagem de cada transação e, embora o PayPal tenha sido a primeira a disponibilizar este sistema, o Patreon é hoje a mais popular.
Além dessas plataformas, nesses blogs e newsletters de opinião os anunciantes podem contratar uma aparição ou patrocínio.
Assim, o autor expõe a sua audiência à marca em concreto e, embora normalmente seja um custo fixo, por vezes pode funcionar a CPL ou CPA.
#4. Venda de tráfego online
Vamos um passo mais além.
Algumas variantes deste sistema soar-nos-ão familiares, mas parecerão distantes.
Outras nem sequer conheceremos se não estivermos dentro do setor do marketing digital.
Modelo de negócio
O que faremos aqui é trocar visibilidade e tráfego —converta ou não, dependendo do caso— por dinheiro .
Existem diferentes formas de o fazer.
Variantes
Para duas das variantes, o normal será sermos trabalhadores independentes ou empresa.
No entanto, para as comissões de afiliação, dependendo do volume, talvez não seja necessário.
Publicidade digital
Esta certamente nos soa familiar.
É idêntico ao que acontece nos canais tradicionais, onde se cobra aos anunciantes por aparecerem nos formatos publicitários estabelecidos e por a nossa audiência os ver.
A publicidade online tem duas variedades diferentes dependendo da plataforma em que é exibida, embora ambas sejam basicamente semelhantes.
Publicidade nos meios de comunicação

É, sem dúvida, a mais conhecida.
Engloba a que aparece em meios como jornais digitais, revistas ou blogs (grandes). Sejam publicações generalistas ou setoriais.
Este canal chama-se display e aqui os banners como o da imagem que abre esta seção são os reis.
Costumam ser utilizados para campanhas de branding ou, em marketing de performance, para prospecting.
Existem vários formatos de banners dependendo do tamanho e eles lembram muito a publicidade na imprensa escrita. Você sabe, os rodapés publicitários, , meias páginas e páginas inteiras.
Também podemos encontrar outros formatos como:
- Vídeo online: spots que aparecem antes de vermos um vídeo na plataforma.
- Intersticiais ou popups: janelas emergentes que aparecem ao carregar a página e que, apesar de terem desaparecido em grande parte quando o Google anunciou que penalizaria seu uso nas versões móveis dos sites, ainda continuam aparecendo.
- Brand-days: banners que aparecem nas laterais do meio, funcionando como fundo e enquadrando a publicação.
- Display retargeting: são criativos dinâmicos que mostram ao usuário os produtos ou serviços que ele viu ou adicionou ao carrinho no site do anunciante. São um lembrete de compra e funcionam realmente bem.
Na hora de pagar, o anunciante fará isso a CPM (custo por mil impressões) ou por dias contratados, em plataformas menores.
Retail media

É o mesmo, anunciar os nossos produtos, mas em vez de o fazer nos meios de comunicação, fazemos nas grandes plataformas de ecommerce (principalmente marketplaces, mas também os grandes players setoriais).
Dessa forma, garantimos que nossos produtos fiquem visíveis para os usuários interessados, aumentando as chances de compra.
Os formatos disponíveis dependerão de cada plataforma, mas podemos dizer sem nos enganarmos que há mais possibilidades do que nos meios de comunicação.
Mais uma vez, é uma ideia do canal tradicional –publicidade no ponto de venda– transferida para o online.
Comissão por afiliação

Mencionei esta segunda variante no início. Chegou o momento de a explicar, pois é uma que só os marketers conhecerão.
E é uma excelente forma de começar nos negócios digitais, por isso convém conhecê-la.
Se no modelo publicitário simplesmente anunciávamos produtos ou serviços e pouco importava que os clientes clicassem no banner —e muito menos que comprassem ou não o produto no site do anunciante—, aqui viramos o jogo.
Aqui não importa o número de usuários que enviamos ao anunciante, mas sim que os que enviamos se registem, comprem ou contratem.
É um modelo baseado em comissões idênticas às dos comerciais nos negócios tradicionais: quando trabalha apenas à comissão, se consegue resultados recebe, se não, não.
Por isso, os modelos são a CPL (custo por lead ou cadastro) ou CPA (custo por aquisição / compra).
A forma de enviar o tráfego fica por sua conta. Pode ser por meio de:
- Um blog bem posicionado organicamente sobre algum tema. É o que se conhece como site de nicho. Exemplo: O blog Placas Chinas.
- Plataformas comparadoras, como Rastreator.
- Perfis sociais de microinfluencers.
- Links nas descrições dos vídeos de YouTube.
- Newsletters com links para produtos.
- Páginas de promoções, como Chollómetro.
- Sites de cupons. Ou seções de meios de comunicação: Cupones de El País.
- Plataformas de remarketing, como Blue Performance.
- Ferramentas de email marketing, como Probance.
- …
Quase todos os grandes players do ecommerce têm os seus programas de afiliados:
Como digo, se tem uma audiência por ter trabalhado bem um perfil social ou se é bom em SEO e copywriting, é uma forma muito cómoda de ganhar alguns euros extra por mês.
Plataformas a CPC

São comparadores online como os que acabamos de ver, só que o sistema de receitas não é a CPL ou CPA, mas a CPC (custo por clique).
Ou seja, enviam tráfego ao anunciante e cobram por esse tráfego, independentemente do que os usuários façam no site da marca.
A forma que têm de conseguir o tráfego que depois reenviam deve-se a:
- Ter conseguido um bom posicionamento orgânico.
- Ter criado uma boa imagem de marca.
- Através de um sistema de arbitragem num canal concreto. Explico a seguir.
Exemplos
Sistemas de arbitragem

A arbitragem vem do mundo financeiro, onde consiste em fazer trocas de divisas entre duas plataformas onde exista um diferencial.
Exemplo:
- Uma plataforma tem o câmbio Euro / Dólar a 1,15.
- Outra plataforma tem-no a 1,11.
- O trader compra dólares com euros no local onde estão mais baratos e vende-os rapidamente onde estão mais caros, ficando assim com esse diferencial.
Se falarmos de marketing online, trata-se de empresas especializadas num canal concreto, como AdWords ou Shopping.
Então, essas plataformas compram tráfego nesses canais a um preço baixo e depois revendem ao anunciante a um CPC mais alto.
O processo é este:
- O anunciante compra tráfego a estas plataformas a, por exemplo, 0,18€.
- Essas plataformas lançam campanhas no Shopping que custam 0,15€ por clique, apontando para o site do anunciante.
- Ficam com uma margem de 0,03€ por cada clique.
Embora a margem sejam cêntimos, em grande escala são muitos cêntimos ganhos.
É preciso ser muito especialista a otimizar um canal para conseguir esse diferencial, porque o anunciante não é parvo e, se pudesse fazê-lo ele próprio e poupar este extra, fá-lo-ia.
#5. Venda de formação online
A última das possibilidades é, do meu ponto de vista, la crème de la crème dos modelos de negócio digitais. Por vários motivos:
- Escalabilidade máxima: cria o conteúdo uma vez e vende-o -teoricamente- infinitas vezes.
- Distribuição mais simples: ausência de logística entendida como transporte. Pode considerar-se gratuita -ou quase- e imediata.
- É compatível com qualquer tipo de trabalho : seja autônomo, funcionário público ou empregado de uma empresa.
- Embora não sejam rendimentos passivos —a venda nunca é—, isso permite que você esteja a faturar automaticamente enquanto faz outras coisas (como dormir).
- Se gosta do seu trabalho e tem vários anos de experiência, é quase um passo lógico, dar o salto para formar outras pessoas.
- A flexibilidade de formatos permite que cada formador escolha os formatos que considerar mais simples, sem precisar adquirir conhecimentos técnicos se não os tiver.
Dito isso, você tem que gostar.
E nem toda a gente gosta de formação. Nem serve para a criar.
É assim.
Mas, como digo, penso que vale muito a pena considerá-lo.
Mais uma coisa antes de começar com as diferentes possibilidades: quero esclarecer que não incluo neste modelo a venda online de formação, que não é o mesmo que a venda de formação online.
No primeiro caso, tratar-se-ia de vender formação presencial (formação profissional, licenciaturas, Master) através de canais digitais e, do meu ponto de vista, isso seria uma venda de serviços.
Aqui falo de formação consumida em qualquer um dos formatos digitais.
Modelo de negócio
O modelo é claro: venda de conteúdos formativos em qualquer formato digital (vídeo, áudio, newsletter ou ebook).
Variantes
Temos dois modelos, dependendo de ser uma venda pontual ou uma assinatura.
Também poderíamos dividir os casos dependendo de a formação ser ao vivo ou gravada com antecedência, mas acho mais adequado separar pelo critério anterior.
Venda pontual de formação online

Típica de:
- Cursos.
- Masterclass.
- Ebook.
O sistema é simples: você compra um curso e recebe o material de uma das formas possíveis, dependendo da plataforma de venda escolhida.
Plataformas de venda de formação online
Temos três:
Plataforma própria
O habitual aqui é usar WordPress com Stripe como gateway de pagamento.
Esse sistema dá ao criador maior controle sobre tudo e também uma margem maior, mas, em troca, exige mais gestão e toda a promoção da formação.
É assim que tenho o meu sistema montado.
Plataforma mista
A mais típica atualmente é Gumroad.
A plataforma facilita a vida do criador na gestão da tecnologia —incluindo a distribuição dos materiais— e do faturamento.
E fica com uma comissão (que pode mudar a qualquer momento) por isso.
Plataforma externa
Plataformas como Domestika, , Udemy e semelhantes.
Aqui os papéis se invertem: em muitos casos, o criador recebe apenas uma comissão, enquanto a maior parte do que o usuário paga fica com a plataforma.
Isto faz com que seja preciso vender muito para ser rentável.
Mas, em contrapartida, você deixa de se preocupar com gestão, tecnologia, distribuição do conteúdo e faturamento, e o alcance do curso se multiplica.
É realmente difícil escolher um dos três sistemas, já que cada um tem pontos fortes e fraquezas.
É a situação particular de cada negócio que fará pender a balança para uma das três vias.
Venda de formação online por assinatura

Trata-se fundamentalmente de programas de membros .
Neste caso, nós cobramos todos os meses uma mensalidade ao cliente em troca de continuar como membro (como em uma academia), enquanto vamos adicionando conteúdo novo constantemente.
As vantagens deste modelo são principalmente duas:
- Vende uma vez, mas recebe muitas (todos os meses).
- Além disso, as receitas são mais previsíveis.
A principal desvantagem é ter que criar conteúdo novo continuamente.
Faça chuva, trovoada ou sol.
Além disso, pode ser necessário oferecer suporte aos membros do programa; nesse caso, se crescer demais, o tempo investido pode sair do controle.
Modelos de programas de membros
Há muitos modelos diferentes:
- Cursos ou lições independentes, para fazer ao seu ritmo.
- Frequência semanal ou mensal.
- Formato vídeo, áudio ou texto.
- Conteúdo permanente ou temporário, de forma que, se não estiver dentro naquele momento, perde-o.
- Tarifas premium ou econômicas.
Tecnologia
Salvo projetos muito grandes, o CMS do programa de membros costuma ser WordPress ou Kajabi.
Exemplos
Há imensas, mas algumas das mais populares são:
E é tudo o que eu queria contar sobre negócios online, mas antes de terminar quero deixar mais duas observações.
Conclusões finais
A primeira é que não sei se conhecia todos estes modelos.
Se chegou até aqui, provavelmente não.
Eu diria que ainda há mais, mas estes são os principais e já permitem ter uma ideia do que esperar.
Eu diria que os negócios digitais têm muitas vantagens sobre os físicos, como os custos mais baixos ou as possibilidades reais de trabalhar onde e quando quiser.
Obviamente, alguns modelos são mais propícios a isso do que outros.
Além disso, são muito flexíveis, e você pode dedicar a eles uma jornada de trabalho completa ou parcial.
Dito isso, não são grátis, como muita gente pensa antes de começar.
E não o são nem em tempo nem em dinheiro, embora, como digo, o investimento necessário seja (muito) menor.
Os trâmites administrativos também ficam mais ágeis. De fato, em alguns casos você nem precisa fazer nenhum.
Aqui não há licenças de abertura, rendas, pessoal a cargo etc. se não quiser.
Então, se você está pensando em montar algum tipo de negócio, deixo alguns links que talvez ajudem:
- Tipos de ecommerce: artigo com informação útil sobre este tipo de negócios digitais.
- Formação para montar um negócio de ecommerce: onde explico o passo a passo desde zero até ter um negócio de loja online totalmente operacional a todos os níveis.
- Curso de Analítica para ecommerce: se você já tem o seu, mas sente que não tem o controle e quer recuperá-lo, talvez isso ajude.
Se depois de ler este artigo e os que deixo nos links você ainda quiser mais, pode receber um conselho sobre negócios digitais todos os dias.
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