Mortal Kombat voltou aos cinemas em 2021 com este reboot dirigido por Simon McQuoid, um diretor vindo principalmente da publicidade que estreava aqui nos longas-metragens, com James Wan e Todd Garner entre os produtores.
James Wan, muito conhecido por franquias como Jogos Mortais ou Sobrenatural, mais do que no que aparecia na tela, concentrou-se nesta primeira parte em conseguir o orçamento necessário, porque sem ele o projeto não fazia sentido e ele se recusava a participar. O projeto contou com cerca de 55 milhões de dólares, um valor respeitável, mas pequeno quando comparado com os grandes blockbusters.
Anos depois, Garner reconheceu que o estúdio não sabia muito bem o que tinha em mãos e que o orçamento obrigou a concentrar grande parte do filme no mesmo cenário de combate. Vendo o filme, isso fica claro, porque ele alterna cenas próprias de uma superprodução com outras mais típicas de filmes de locadora.
Quanto ao elenco, Lewis Tan interpreta Cole Young e é acompanhado por Jessica McNamee, Josh Lawson, Joe Taslim e pelo mais conhecido e sempre carismático Hiroyuki Sanada como Scorpion.
Enredo de Mortal Kombat
Já adianto que o enredo dos videogames aparece aqui a conta-gotas, porque o filme escolhe um protagonista, Cole Young, que não aparece na saga. É um lutador de MMA bastante medíocre que descobre que uma estranha marca de nascimento o identifica como um dos campeões destinados a proteger a Terra contra Outworld.
Sub-Zero começa a persegui-lo e a perseguir sua família, e Cole acaba se juntando a Sonya Blade, Jax, Liu Kang, Kung Lao e Kano sob a proteção de Raiden. O objetivo é se preparar para Mortal Kombat, embora, curiosamente, o torneio que dá nome a toda a franquia não chega a acontecer neste filme.
Curioso, no mínimo, já que não havia sido planejada de antemão uma sequência, Mortal Kombat II, que o desenvolvesse.
O que funciona em Mortal Kombat
O melhor é que o filme entende o que é Mortal Kombat.
Há violência, fatalities, poderes e habilidades marciais absurdas (o chute voador de Liu Kang é magnífico nesse sentido) e personagens muito reconhecíveis. Aliás, os produtores disseram que a prioridade era respeitar os fãs. Por isso, não se entende muito bem a opção de dar o protagonismo a Cole, quando havia tantos outros candidatos possíveis.
As coreografias não são ruins e o CGI, sem ser nem de longe fantástico, cumpre seu papel. Sobretudo considerando o que comentei sobre uma produção bem menor do que se espera de uma superprodução da Warner.
A relação entre Scorpion e Sub-Zero também muda em relação ao jogo, mas isso importa menos. O combate inicial é bom e o confronto final também. Hiroyuki Sanada dá a Scorpion uma presença que faz bem ao personagem — e ao filme —, e Joe Taslim funciona bem como Sub-Zero.
E depois há Kano, provavelmente o personagem mais divertido. Josh Lawson nos dá a dose de humor necessária e, por isso, rouba as cenas em que aparece.
Além disso, o filme é divertido. Dá para assistir sem problemas.

O que não funciona
A verdade é que você não pode levar o filme muito a sério, algo que às vezes o próprio filme parece fazer e em outras não.
Por exemplo, um dos problemas é tentar explicar demasiado algumas coisas e demasiado pouco outras.
As marcas e as arcana são o melhor exemplo. Foram inventadas para o filme para justificar por que os protagonistas têm poderes, mas acabam complicando algo que nos videogames aceitamos sem problemas.
Jeremy Slater, roteirista de Mortal Kombat II, reconheceu mais tarde que os fãs nunca se identificaram com o conceito e o comparou com os midiclorianos de Star Wars: explicar algo que ninguém precisava que fosse explicado. Na sequência, decidiram simplesmente deixar de mencionar as arcana.
Enquanto isso, o filme não explica pontos bem mais relevantes: por que Bi-Han continua vivo séculos depois? De onde vêm exatamente seus poderes? Por que trabalha para Shang Tsung e não para a Terra? Como Scorpion retorna do inferno? Por que Raiden, sendo um deus tremendamente poderoso e protetor da Terra, não luta diretamente?
São questões que nem sequer são abordadas e tiram qualquer coerência do conjunto.
Com os personagens acontece mais ou menos o mesmo. Há personagens demais e desenvolvimento de menos para levar o filme a sério. Kung Lao aparece, faz coisas legais com um chapéu metálico e pronto. Liu Kang, que nos jogos tem muito mais peso, fica aqui em um papel secundário, quando está claro que merecia parte ou todo o protagonismo de Cole.
Sonya e Jax funcionam melhor. Aliás, Sonya é provavelmente, junto com Cole, a personagem que recebe mais desenvolvimento.
Está claro que o roteiro precisava de uma boa revisão, ou duas, que teriam melhorado muito o material.
Também poderiam ter optado por não levar o filme tão a sério e fazer algo parecido com o que montaram em He-Man, mas faltam doses de humor para isso (Kano não consegue carregar tudo sozinho).
Em ambos os casos, com mais humor ou com um roteiro mais trabalhado, o filme certamente teria subido de nível. A montagem final fica no meio do caminho: nem é especialmente engraçado nem consegue ser épico.

É uma boa adaptação?
Cole, as marcas e as arcana foram criados para este filme. O roteirista explicou que precisava de um personagem novo que servisse de porta de entrada para espectadores que não conhecessem o universo, sem precisar alterar o passado dos lutadores clássicos.
Entendo o raciocínio, mas não concordo. Com Liu Kang, Sonya, Johnny Cage, Scorpion e dezenas de personagens disponíveis, inventar outro protagonista me parece desnecessário.
Apesar de tudo o que foi dito, a verdade é que, se você encarar o filme como uma adaptação do videogame, ele funciona bem. Porque, apesar de o enredo mudar muito em relação aos jogos, o espírito está lá.
A violência, o gore, os personagens, a ideia do enredo… Sim, pode não ser a melhor adaptação já feita, mas os elementos básicos, o essencial, estão lá.
Veredicto
Como adaptação, Mortal Kombat faz bem mais sentido do que como filme. Como cinema, tem buracos no roteiro, personagens pouco desenvolvidos, explicações desnecessárias e cerca de 10 minutos a mais.
Mesmo assim, entretém.
Dependendo do que você espera, pode ou não valer a pena assistir. Eu diria que, se gosta dos jogos, dê uma chance, porque não acho que vá se arrepender. Caso contrário, pode passar tranquilamente por ele e por sua sequência, Mortal Kombat II, sem problema.
Nota
Para quem é
✔️ Para fãs de Mortal Kombat.✔️ Para quem procura ação, gore e lutas sem complicações.
Para quem não é
❌ Para quem precisa de um argumento sólido.❌ Para quem procura um grande filme de artes marciais.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver Mortal Kombat (2021)?
Sim, sobretudo se você é fã dos videogames. Tem problemas de roteiro e personagens pouco desenvolvidos, mas oferece ação, gore, fatalities e referências suficientes à saga para ser divertido.
Mortal Kombat (2021) é uma boa adaptação do videogame?
Como adaptação, funciona melhor do que como filme. Muda bastante o enredo e introduz elementos novos como Cole Young, as marcas e as arcana, mas mantém o espírito de Mortal Kombat: violência, poderes, personagens reconhecíveis e combates exagerados.
O torneio Mortal Kombat acontece no filme?
Não. Embora toda a história gire em torno da preparação para Mortal Kombat, o torneio propriamente dito não chega a acontecer neste filme.
Quem é Cole Young em Mortal Kombat?
Cole Young é um personagem criado especificamente para o filme e não vem dos videogames. É um lutador de MMA que descobre ter sido escolhido como um dos campeões destinados a defender a Terra.
Quais são os melhores personagens de Mortal Kombat (2021)?
Kano é provavelmente o mais divertido graças ao humor de Josh Lawson. Scorpion também se destaca pela presença de Hiroyuki Sanada, enquanto Sub-Zero funciona bem como principal ameaça durante boa parte do filme.
O que são as arcana de Mortal Kombat?
As arcana são uma explicação criada para o filme sobre a origem dos poderes dos lutadores. O problema é que complicam algo que os videogames nunca precisaram explicar e acabam sendo um dos elementos menos convincentes do reboot.
Mortal Kombat (2021) tem muito gore e fatalities?
Sim. O filme assume a violência característica da saga e inclui sangue, fatalities e combates bastante explícitos. É justamente um dos aspectos em que melhor respeita o espírito dos videogames.
Que nota tem Mortal Kombat (2021)?
Como filme, dou 2,5 de 5. Como adaptação de Mortal Kombat, sobe para 3,5 de 5, porque, apesar dos problemas, consegue transmitir bastante bem o espírito dos jogos.

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