Mortal Kombat II é o segundo filme da nova saga cinematográfica iniciada com Mortal Kombat em 2021. Continuamos com a história baseada na franquia de videogames criada por Ed Boon e John Tobias. Como acontecia no primeiro filme, ela não adapta diretamente a história de nenhum jogo específico.
Dito isso, pega vários elementos dos primeiros jogos e principalmente de Mortal Kombat II, o videogame de 1993: Shao Kahn ganha muito mais peso, aparecem personagens como Kitana e Baraka e, acima de tudo, desta vez finalmente temos o torneio que o primeiro filme deixou pendente. Ainda assim, o filme mistura personagens, relações e acontecimentos de diferentes jogos e constrói sua própria história.
Simon McQuoid também volta como diretor, um australiano que antes de Mortal Kombat trabalhava principalmente com publicidade e para quem o filme de 2021 foi a estreia em longas-metragens.
Nesta segunda parte, Ed Boon e a equipe criativa dos videogames também tiveram um envolvimento muito maior, o que provavelmente explica a quantidade bem maior de referências, movimentos e detalhes reconhecíveis para os fãs.
A produção dobrou o orçamento, chegando a 110 milhões de dólares e boa parte das filmagens voltou a acontecer em Gold Coast, Austrália. Além disso, a produção foi afetada pela greve dos atores de Hollywood de 2023, que paralisou as filmagens e obrigou a retomada meses depois, já no verão australiano e com um clima bem mais complicado.
E, depois desta introdução, o resultado me deixa uma sensação bem simples: é um filme divertido, mas me parece bem ruim.
As lutas, o gore e os efeitos tornam o filme fácil de assistir, principalmente para quem é fã dos videogames, mas a história não se sustenta de jeito nenhum. E é mais um problema de roteiro e montagem do que do enredo em si.
Enredo de Mortal Kombat II
Como eu disse, o filme continua depois do que aconteceu no anterior e desta vez se aproxima muito mais do torneio que qualquer pessoa que conheça minimamente Mortal Kombat espera encontrar.
Os campeões da Terra precisam enfrentar Shao Kahn e companhia, enquanto entram novos personagens como Johnny Cage, interpretado por Karl Urban.
Não é preciso ser fã dos videogames para acompanhar o filme, embora obviamente você vá reconhecer muito mais coisas se for. Personagens, ataques, fatalities e referências constantes estão lá, mas a história principal —bem simples— pode ser entendida sem conhecer nada da saga.
O roteiro precisava de mais algumas revisões
O problema é que a história quase não se sustenta. Muita coisa acontece simplesmente porque sim. Ou porque o filme precisa que aconteça.
Por exemplo, personagens que mudam de lado com uma facilidade surpreendente, incluindo antigos vilões que de repente passam para o lado dos heróis sem qualquer transição. São reviravoltas muito pouco trabalhadas.
Ou então os poderes, em que acontece algo parecido. Em certos momentos, alguém descobre ou usa uma habilidade exatamente quando a cena precisa dela.
A sensação que isso deixa é que o roteiro vai inventando soluções pelo caminho para conseguir chegar à luta seguinte.
Entenda: eu sei que este filme vem de um videogame de luta e não espero uma história de Nolan, mas os erros são tão evidentes que tiram você da trama.
A isso se soma uma montagem que também não ajuda muito. Há situações que provavelmente têm uma explicação dentro do universo de Mortal Kombat, mas o filme passa por elas tão rápido ou as apresenta de forma tão confusa que você acaba se perguntando se perdeu alguma coisa.
Nesse sentido, dou outro exemplo: lembro de uma frase de um dos heróis no momento da morte —não vou dizer qual para evitar spoiler— que não faz sentido nenhum no filme e causa uma boa confusão. Se um futuro Mortal Kombat 3 aparecesse, talvez ela ganhasse sentido; mas, olhando apenas para este filme, não ganha.
Além disso, o filme tem outro problema evidente: a quantidade de personagens. São tantos que vários parecem estar ali simplesmente porque precisavam aparecer no pôster, e Cole —o protagonista?— é um bom exemplo: participa da história, mas durante boa parte do filme é difícil encontrar uma razão de peso para continuar tendo tanta presença, até porque nem sequer aparecia nos jogos originais.
Nem todos os personagens precisam de um arco totalmente desenvolvido, mas pelo menos devem parecer estar ali por algum motivo plausível. Fica claro que o objetivo é colocar rostos conhecidos para que os fãs os reconheçam.

As lutas e os efeitos estão bem melhores
Felizmente, quando começam as pancadarias, o filme funciona bem melhor. As coreografias funcionam bem, há variedade entre os confrontos e visualmente existem bons momentos suficientes para a ação cumprir seu papel.
Os efeitos também não me pareceram ruins. Não são nada de extraordinário, claro, mas cumprem seu papel e acompanham bem as lutas. Permitem que os personagens façam as barbaridades que esperamos de Mortal Kombat sem parecer uma produção barata demais.
Esta é uma das contradições do filme. Em termos de história, tem muito de filme B, com soluções fáceis e buracos de roteiro do tamanho do iceberg do Titanic, mas tecnicamente e em orçamento está muito acima do que normalmente associamos a esse tipo de cinema.
Gore, exagero e espírito de videogame
E, continuando nos aspectos positivos, o filme acerta mais justamente quando mostra que isto é Mortal Kombat. . Há sangue, golpes exagerados e fatalities completamente absurdos que querem fazer você pensar “que barbaridade” e rir do exagero.
Como no videogame, basicamente.
Por isso, esse excesso funciona bem. Se tentassem fazer uma adaptação realista demais, provavelmente seria pior —difícil demais de acreditar—, enquanto aqui a violência exagerada ajuda o filme a ter uma personalidade parecida com a do arcade.
Claro que há cenas de luta pensadas diretamente para que o espectador reconheça movimentos, confrontos ou situações dos jogos. Nem sempre acrescentam muito à história, mas como homenagem estão bem introduzidas.
O humor ajuda o filme a não se levar a sério demais
Também aparece aquele humor que parece obrigatório em quase toda grande produção recente de Hollywood e que, no filme anterior, ficava principalmente com Kano. Aqui, a estrutura “luta, comentário engraçado, momento sério, outra piada e seguimos” é a regra.
Mortal Kombat II sabe que está contando uma história bastante absurda, e o humor ajuda o filme a não tentar parecer sério demais.
Karl Urban como Johnny Cage é provavelmente quem mais se beneficia dessa abordagem. O personagem encaixa perfeitamente em um filme que prefere se divertir com o que está acontecendo em vez de tentar dar a tudo uma importância que simplesmente não pode ter.
O problema é que essa autoconsciência também não resolve o roteiro. Um filme saber que é um pouco absurdo não significa que qualquer coisa vale, e há vários momentos em que a única explicação para o que acontece é “porque é legal”.

O melhor e o pior
O melhor é bem claro: as lutas, o gore e a forma como o filme abraça o lado mais exagerado dos videogames. Também ajuda ter nível técnico suficiente para que as lutas sejam divertidas e não pareçam apenas atores se batendo diante de uma tela verde. A duração contida também ajuda.
O pior é tudo o que conecta essas lutas. A história é fraca, há personagens demais para o espaço que têm, algumas decisões surgem de repente demais e a montagem consegue tornar certos momentos ainda mais confusos do que deveriam.
Veredito: divertido, mas pouco mais
Mortal Kombat II me parece um filme melhor que o primeiro. Em tudo.
Além disso, mantém seus acertos, como ser um filme fácil de assistir quando você sabe o que esperar. A ação e o gore também melhoram, e há mais humor, então as quase duas horas passam rápido. Ainda assim, no fim fica uma sensação bem clara: é um filme muito fácil de esquecer..
Como adaptação é aceitável, mas como filme tem uma história muito pobre e pouco trabalhada.
Por isso, se o que você quer é ver os personagens de Mortal Kombat caindo na pancadaria, provavelmente vai se divertir. Se também espera uma história minimamente coerente que conecte todas essas lutas, aí já fica bem mais complicado.
Você decide.
Ficha técnica
| Dado | Informação |
| Título | Mortal Kombat II |
| Ano | 2026 |
| Duração | 1 h 56 min |
| Diretor | Simon McQuoid |
| Elenco principal | Karl Urban, Adeline Rudolph, Jessica McNamee, Josh Lawson, Ludi Lin, Mehcad Brooks, Tati Gabrielle, Lewis Tan, Chin Han, Tadanobu Asano, Joe Taslim e Hiroyuki Sanada |
| Género | Ação, aventura e fantasia |
| País | Estados Unidos |
| Disponível em | HBO Max |
Nota
Para quem é
✔️ Para fãs de Mortal Kombat que querem lutas, fatalities e muitos personagens conhecidos.✔️ Para quem procura um filme de ação simples.
✔️ Para quem gosta de gore e da violência exagerada dos videogames.
Para quem não é
❌ Para quem não tem qualquer interesse em Mortal Kombat.❌ Para quem precisa de uma história bem construída.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver Mortal Kombat II?
Se você procura ação, gore e personagens do videogame, o filme pode divertir bastante. Se o que mais valoriza é uma boa história, há muitos problemas.
Preciso de ter visto o primeiro Mortal Kombat?
É recomendável porque este filme continua a história e recupera vários personagens. Ainda assim, o conflito principal pode ser acompanhado sem lembrar de cada detalhe do anterior.
Mortal Kombat II é muito gore?
Sim. A violência exagerada, o sangue e os fatalities são uma parte importante do filme e também alguns dos elementos mais próximos do videogame.
É fiel aos videogames?
Principalmente no tom, nos personagens, nos movimentos e na violência. O filme abraça muito mais o espetáculo e o exagero de Mortal Kombat do que uma história especialmente elaborada.
Quem interpreta Johnny Cage?
Karl Urban interpreta Johnny Cage, um dos novos personagens com maior presença nesta parte.
Quanto dura Mortal Kombat II?
Dura aproximadamente 1 hora e 56 minutos.
Onde se pode ver Mortal Kombat II?
Está disponível na HBO Max.

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