Talvez isto te surpreenda, mas, para mim, a melhor consola portátil do mercado não é da Nintendo.
Nem a Steam Deck. E muito menos qualquer outro PC em formato de consola.
Não.
É a R36s. E, possivelmente, nem te diz nada.
Não, se não estiveres metido no mundo dos videojogos retro. E bem metido, mais ou menos: conhecer o MAME e um ou outro emulador não conta.
Descobri-a há uns dois anos na newsletter do Chollometro. E comprei-a no momento.

E, como podes ver, é uma consola de estilo retro, muito parecida com a mítica Game Boy original, mas feita para emular videojogos dos anos 90 e anteriores.
Ou seja, desde a NES e a Master System (e outras anteriores), até —com nuances— à PSX, PSP, Nintendo 64 e Dreamcast da Sega, passando pela época dourada dos jogos em 2D, com a Mega Drive, Super Nintendo, NeoGeo e os arcades da Capcom e da Konami como protagonistas.
Se és como eu e cresceste entre Street Fighter, , Sonic, , Mario, Puzzle Bobble e jogos Metal Slug , fica a saber que estás perante uma pequena joia.
E nada cara: pelo que me custou —menos de 23€— e por ser uma R36s original (mais sobre isto depois), posso garantir-te que é uma autêntica pechincha.
Caso já estejas convencido, deixo-te o link da loja onde comprei a minha:
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E, como muitas vezes está esgotada lá, deixo-te também o de outra loja onde comprei a consola para o meu sobrinho (também original, embora um pouco mais cara, isso sim):
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E se ainda não estás convencido, agora explico-te os motivos.
Índice de Contenidos del Artículo
- Características e análise da R36s
- Os botões, a cruz direcional e os sticks analógicos
- Ergonomia
- A emulação
- Uso no dia a dia
- O sistema operativo e a comunidade
- Versões falsas
- Conclusões
- Perguntas frequentes
- A R36s vale a pena por 23€?
- Que consolas a R36s emula bem?
- A R36s consegue correr Nintendo 64 e PSP?
- A microSD que traz é fiável?
- Que sistema operativo usa a R36s?
- A R36s é melhor do que a Miyoo Mini Plus?
- A R36s é melhor do que uma Anbernic?
- É comparável a uma Steam Deck?
- Existem versões falsas da R36s?
- É uma boa opção para crianças?
Características e análise da R36s
Trata-se de uma consola portátil que conta com um ecrã de 3,5 polegadas e 600×480 píxeis de resolução, ou seja, formato 4:3.
Isto talvez não te diga muito, mas traduz-se no facto de se ver bastante bem para os jogos a que se destina.
De facto, a qualidade pode surpreender-te quando a ligares, quando o teu cérebro a comparar com as memórias que tinhas dos jogos dessa época e reparares que aqui “se vê melhor”.
A consola vem com uma bateria recarregável que dura várias horas. Não medi a autonomia, mas diria que anda pelas 4 ou 5 horas. Está bem, sem grandes alardes: não te vai saber a pouco, mas também não a vais desperdiçar.
Quanto ao som, cumpre. Talvez surpreenda menos do que o ecrã, mas, claro, também não surpreende pela negativa.
Por último, caso te interesse, o processador é um RK3326 já algo antigo e vem acompanhado de 1 GB de RAM, que fica curto para muitos jogos 3D.
Os botões, a cruz direcional e os sticks analógicos
Se falarmos dos botões, não te vou mentir: não são os melhores.
Estão longe dos de qualquer consola oficial da Sega, Nintendo, Sony ou Xbox. Parecem-se muito mais com os de qualquer comando barato não oficial: sensação plástica e sons / estalidos ao carregá-los.
Embora seja preciso diferenciar por cada tipo:
Botões frontais: são 4 botões plasticosos, mas aceitáveis, em forma de cruz. Além dos típicos Select, Start e outro. Não dão problemas.
Gatilhos traseiros: conta com 4, dois R e dois L. Sim, é uma disposição original para replicar os controlos habituais da PlayStation e Xbox, mas não é a mais confortável. Pelo menos para mim.
Tendo em conta os jogos em que se foca —uma era anterior em que normalmente só havia um gatilho de cada lado— acho que teria sido melhor deixar só dois gatilhos e montar uma botoneira frontal de 6 botões, que incluísse o L1 e o R1. Jogar à N64, por exemplo, seria bastante mais confortável.
Cruz direcional: mediana. Provavelmente, a pior parte do conjunto. Aceitável para jogos de plataformas, mas não para jogos de luta, nos quais, para realizar certos movimentos especiais, terás de tentar várias vezes. Enquanto o teu lutador salta sem tu quereres.
Cresci com o pad da Mega Drive —um dos melhores de todos os tempos para este tipo de jogos— e para PC tenho um FightPad da Mad Catz, por isso a diferença face a estes é abismal. Também o preço, claro.
Aqui tens um “hack” manual para tentar corrigir este d-pad:
Eu fi-lo, não demora mais de 5 minutos e é muito simples, mas não esperes milagres.
Talvez este outro seja a solução:
Embora no meu caso não o tenha experimentado. Para isto é preciso ter alguma paciência e eu receio que, a estas alturas, já não a tenha.
Sticks analógicos: aceitáveis. Sem chegarem aos das consolas de mesa, mas para jogos de luta talvez acabes a sacar hadokens com eles.
Uma nota: não sei por que motivo nenhum fabricante usa um mini-joystick semelhante ao da NeoGeo Pocket, o melhor que já vi numa portátil: é preciso, fiável e não sobressai:

Ergonomia
Estamos perante um dispositivo bastante leve, que podes ter na mão em sessões próximas das duas horas (o meu limite) sem que te pese.
Ainda assim, embora seja muito retro e muito parecida com a Game Boy, isso não significa que seja muito cómoda.
Não é.
Se estás habituado a jogar com comandos —sejam da PlayStation, da Xbox ou de PC— a verdade é que vais notar a diferença.
Vá, nada muito diferente de pegar numa Nintendo DS Lite hoje em dia.
Ainda assim, aqui tenho boas notícias. Torná-la muuuuito mais cómoda vai custar-te muito pouco:
- Praticamente nada, se tiveres uma impressora 3D.
- 5€ no Wallapop comprando um adaptador como o que comprei eu:

Que encaixa perfeitamente:

E alivia os dedos que é uma maravilha. Muito recomendável.
A emulação
Neste caso, temos uma boa e uma má notícia.
Por um lado, temos tudo o que é anterior à era dos 32 bits, que emula maravilhosamente.
Vais poder jogar todos os grandes clássicos da Super Nintendo, Mega Drive, NeoGeo e dos arcades sem qualquer problema.
Em qualquer lado. E com a capacidade adicional de guardar a partida (save states) a qualquer momento.
Simplesmente delicioso.
Por outro lado, temos as consolas de 32 e 64 bits, como PlayStation, PSP, Nintendo 64, Sega Saturn e Dreamcast.
Aqui a coisa já não é tão bonita.
Os jogos de PSX correm quase todos mais ou menos bem, mas o resto dessas consolas fica-lhe atravessado.
Mesmo certos títulos 3D que consegues jogar, como Mario 64 , sentem-se diferentes. Não os vais ver como recordavas. Não sei se é porque eliminam texturas ou mudam o anti-aliasing, mas, embora sejam jogáveis, veem-se pior.
E bom, depois há os que são injogáveis: Jet Force Gemini, , God of War, e até jogos em 2D como Guardian Heroes vão provavelmente obrigar-te a afinar o emulador e o sistema operativo para conseguir um framerate estável.
A verdade é que há formas de o fazer, como se pode comprovar com um dos jogos mais complexos da N64, o Perfect Dark:
Mas vai levar-te tempo de configuração ou instalação de emuladores, BIOS e ports.
Já não é tão “ligar e jogar” como nas outras consolas.
Se lhe dedicares tempo, podes espremer até ao último watt de potência da CPU, mas, a não ser que gostes desse tipo de mexida, duvido que valha a pena.
Isso sim, com algum esforço, poderás jogar até jogos de PC como o mítico Half-Life 1 e 2:
Uso no dia a dia
É muito bom, sobretudo se gostas de jogos retro e da época dos 16 bits. Vais desfrutar imenso, porque é um regresso àquilo de:
- Ligar.
- Jogar.
E já está.
Sem downloads.
Nem tempos de carregamento.
Nem esperas online.
Só:
- Ligar.
- Jogar.
Com um catálogo imenso de jogos que, provavelmente, na sua maioria não aproveitaste no seu momento.
E isto é assim tão simples porque a versão que eu comprei vinha com uma microSD de 64 GB com tudo pré-configurado.
Era mesmo ligar, escolher consola e jogo, e começar a jogar.
Facilíssimo.
Quando a comprei, podia escolher outras duas versões além da minha:
- Uma versão mais completa, com SD de 128 GB, mais algumas consolas emuladas e o dobro dos jogos, por mais 5€.
- Uma sem cartão SD, por menos 4€.
No meu caso, considerei que a minha versão era a mais equilibrada, maaass hoje em dia compraria uma sem microSD. Por um motivo.
As microSD que vêm com estas consolas são de dois tipos:
- As que já avariaram.
- As que vão avariar.
Sim, são péssimas.
Assim, como tinha lido, a primeira coisa que fiz assim que tudo funcionava foi metê-la no PC e copiar todas as ROMs e BIOS para um disco rígido à parte, como cópia de segurança.
Depois continuei a jogar com a consola tranquilamente por fases (quando pegava num jogo e até o terminar) durante mais ou menos um ano.
De repente, numa dessas pausas entre jogos, peguei nela e, ao ligá-la, apareceu-me um ecrã de erro.
Felizmente, como digo, foi entre terminar um jogo e querer começar outro, porque deve dar muita raiva estar quase a terminar uma aventura de 30 h e perder de repente o save porque a SD avariou.
Porque vai avariar.
Assim, tens duas opções:
- Aproveitar enquanto durar e aguentar quando avariar.
- Copiar as ROMs para um disco rígido assim que a consola te chegar e instalar uma imagem do sistema operativo da consola num bom cartão SD teu (como um Samsung, por exemplo). E jogar com tranquilidade.
Repito para os do fundo: vais ter de fazer este processo mais cedo ou mais tarde. Não importa quanto uses a consola ou quanto cuides dela.
As microSD chinesas corrompem-se todas. Todas.
Felizmente, não é algo grave.
O sistema operativo e a comunidade
Não é, porque existe uma comunidade forte à volta da consola —gente a desenvolver software e a procurar usos e soluções.
Há programadores, grupos de Facebook, canais de Telegram, repositórios no GitHub…
De tudo.
O que facilita a instalação do sistema operativo. O que quiseres, na verdade. O oficial é ArkOS, mas há vários mais.
Todos, se não me engano, são versões de Linux. E à medida que avançam e são lançados novos, a emulação melhora uma barbaridade.
A emulação de N64 que a consola fazia com o sistema operativo que vinha de origem na SD que avariou não tem nada a ver com a que faz agora com o ArkOS.
E, se a quiseres usar para Nintendo 64, o dArkOS trata disso muito melhor de origem.
Enfim, aqui te deixo um guia muito detalhado para criares a tua imagem com a última versão do ArkOS e a meteres na tua consola.
Na verdade, fica com a ideia de que o mais complicado será descobrir que painel traz a tua máquina, pois há vários diferentes e é preciso usar o do teu painel concreto. Neste link explicam-te como fazê-lo.
Bem, quando metes as mãos no sistema operativo, vais ver que tem muitas opções. Aqui dá para ajustar quase tudo e custa habituar-se a tanto.
Repito que para a era pré-32-bits não é preciso mexer em nada (talvez ajustar os botões). É para os 32 bits em diante que vais precisar de o fazer.
Já agora, é o SO que permite uma coisa fundamental: poder guardar a partida a qualquer momento.
Além do SO, há diferentes desenvolvimentos que te permitem coisas como:
- Jogar aos jogos de PC mencionados acima (jogos PortMaster).
- Transformá-la num reprodutor de filmes ou música.
- Fazer streaming local de jogos a partir do teu PC através do Moonlight, se tiveres uma gráfica NVIDIA.
- Outras nerdices: Pi-hole, servidor web, NAS…
Enfim, se só pudesses ter um dispositivo para jogar, este seria um bom candidato.
Versões falsas
Sim, o sucesso deste aparelhinho foi tanto que surgiram clones não oficiais com características diferentes.
É difícil detetá-las à primeira vista, sobretudo se não fores especialista. Mas a internet está cheia de tópicos como este e vídeos que explicam as diferenças.
O principal problema destas cópias falsas é que muitas não são compatíveis com ArkOS, por isso tens de te desenrascar para encontrar o SO adequado ao teu dispositivo.
Por isso, antes de comprares uma, certifica-te bem de que é a “oficial”. Deixo-te de novo o link onde comprei a minha, que é autêntica:
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E o da loja alternativa, um bocadinho mais cara, onde também comprei em alguma ocasião quando a anterior não estava disponível (e também não é falsa):
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Conclusões
Se nasceste nos anos 80 e gostavas de consolas, isto é uma viagem no tempo até à tua infância.
Impossível que não te interesse.
E claro, se a isto acrescentares a variável preço, torna-se o capricho mais rentável que vais comprar na tua vida.
Garantido a 100%.
A quantidade de tempo e diversão que lhe podes tirar por tão pouco dinheiro é alucinante. Nunca tanto tempo de diversão te custou tão pouco..
No meu caso, terminei várias das minhas pequenas joias pendentes, como Final Fantasy 6 e Guardian Heroes, da Sega Saturn.
Também voltei a desfrutar de dois dos jogos que mais joguei na altura: Wave Race, de N64 e Wip3Out, de PSX.
Para o futuro tenho em mente Tactics Ogre, Final Fantasy Tactics, Shining Force II e Vagrant Story.
E tenho de confessar, mesmo que seja sacrilégio, que deixei a meio o Final Fantasy IX. Não me agarrou nada, nem a história, nem os combates, nem o ritmo. Depois de ter acabado o VI, que talvez seja o melhor de todos, este outro não me parece estar ao mesmo nível. Falarei disso noutro post.
Em suma: compra-a sem hesitar.
Para ti e para o teu filho, para que entenda o quão divertido era saltar a toda a pressa em Green Hill com Sonic, ou descobrir o mundo secreto ultradifícil de Super Mario World.
Se ainda não chegou a descobrir Fortnite, vai agradecer-te.
Nota
Para quem é
✔️ Se nasceste nos anos 80 ou 90.✔️ Se gostas de jogos 2D.
✔️ Se gostas de mexer em aparelhos.
✔️ Se queres um capricho barato que te garanta horas de diversão.
Para quem não é
❌ Se queres 3D perfeito.❌ Se mexer numa SD e nos ficheiros internos te dá arrepios.
❌ Se és exigente com a cruz direcional.
Perguntas frequentes
A R36s vale a pena por 23€?
Sim, se o teu foco são jogos 2D e consolas anteriores aos 32 bits. Por esse preço, a relação diversão por euro é difícil de superar. Não é perfeita, mas é um capricho extremamente rentável.
Que consolas a R36s emula bem?
Funciona muito bem com NES, SNES, Mega Drive, NeoGeo, Game Boy, Game Boy Advance e arcades. PlayStation (PSX) corre bastante bem. Nintendo 64, Dreamcast, Saturn e PSP funcionam com limitações e ajustes.
A R36s consegue correr Nintendo 64 e PSP?
Consegue correr alguns jogos, mas nem todos são fluidos. Mario 64 é jogável. Títulos mais exigentes exigem ajustes no ArkOS ou simplesmente não são recomendáveis.
A microSD que traz é fiável?
Não. As microSD incluídas costumam ser de baixa qualidade e acabam por corromper-se. O recomendável é fazer uma cópia de segurança assim que receberes a consola e instalar o sistema numa microSD de marca (Samsung, SanDisk…).
Que sistema operativo usa a R36s?
O oficial é ArkOS, baseado em Linux. Existem versões otimizadas como dArkOS que melhoram a emulação, especialmente na Nintendo 64.
A R36s é melhor do que a Miyoo Mini Plus?
Depende do uso. A Miyoo Mini Plus tem melhor qualidade de construção e melhor cruz direcional, mas costuma ser mais cara. A R36s oferece melhor relação preço/emulação se a encontrares por volta dos 20–30€.
A R36s é melhor do que uma Anbernic?
As Anbernic (como RG35XX ou RG351) têm melhores materiais e controlos. Mas também custam mais. Se procuras máxima qualidade, Anbernic. Se procuras máxima rentabilidade por euro, R36s.
É comparável a uma Steam Deck?
Não. A Steam Deck joga noutra liga: mais potência, preço mais alto e mais complexidade. A R36s é uma máquina simples para ligar e jogar retro sem complicações.
Existem versões falsas da R36s?
Sim. Há clones não compatíveis com ArkOS. É importante comprar a versão original para evitar problemas de compatibilidade com o sistema operativo.
É uma boa opção para crianças?
Sim, especialmente se queres que descubram jogos clássicos sem microtransações nem jogo online. É uma forma simples de jogar sem distrações modernas.

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