Antes de mais nada, digo que Succession me parece uma série interessante, bem pensada e ainda melhor executada. Entendo as avaliações que recebeu e que muita gente a considere uma das grandes séries recentes. Tem ambição, bons atores, diálogos afiados e uma ideia muito clara do que quer contar.
E, no entanto, para mim não foi tudo isso. Ou melhor dizendo, eu não a aproveitei tanto.
Motivos?
Um principalmente: tenho muita dificuldade em criar empatia com qualquer um dos seus personagens. E isso me tira constantemente do seu universo.
Mas vamos falar um pouco mais da série em geral antes de aprofundar este ponto.
Índice de Contenidos del Artículo
- Do que trata Succession
- O melhor de Succession
- O pior de Succession
- Veredito
- Ficha técnica
- Perguntas frequentes
- Vale a pena ver Succession?
- Succession é superestimada?
- Do que trata Succession?
- Succession é uma comédia negra?
- Qual é o maior problema de Succession?
- O que há de melhor em Succession?
- Succession se parece com Billions?
- Succession é melhor que Industry?
- Quantas temporadas tem Succession?
- A crítica de Succession tem spoilers?
Do que trata Succession
Succession é sobre uma família rica e desprezível. E uma coisa é independente da outra, que fique claro. Dá para ser rico sem ser desprezível, e dá para ser desprezível sem ter um império midiático.
Neste caso, a série acompanha a família Roy, dona da Waystar RoyCo, uma enorme empresa de mídia e entretenimento.
O pai, Logan Roy, é o grande patriarca: duro, manipulador, temido por todos e com uma capacidade tremenda de dominar qualquer cenário ou sala em que entra.
À sua volta estão seus filhos, que se movem entre a necessidade de aprovação, a ambição, a insegurança e o desejo de poder. Todos querem algo e acreditam merecer mais.
Além disso, estão dispostos a apunhalar familiares e não familiares pelas costas se isso os aproximar um pouco mais do centro da mesa de decisões.
Essa é a base da série: uma briga familiar constante dentro de uma empresa gigante, onde as decisões empresariais se misturam com traumas pessoais, humilhações antigas e egos do tamanho de um prédio.

Comédia negra e crítica ao capitalismo
Onde Succession funciona melhor é como comédia negra sobre uma família rica. As brigas entre irmãos, sócios, assessores e pessoas próximas têm momentos muito bons. Há conversas em que ninguém diz exatamente o que pensa, mas todo mundo está tentando medir o outro, para saber quem ganha, quem perde e quem é descartado, ou simplesmente fica ridículo.
A série também funciona como crítica ao capitalismo mais implacável. Não tanto porque faça um discurso, mas porque mostra um mundo onde decisões que afetam milhares de pessoas — genial o ponto do foguete — são tomadas entre birras, vinganças, egos e estratégias familiares mal direcionadas.
Gostei especialmente dessa parte de empresa familiar que vai bem demais. Talvez porque, em outro nível, eu tenha vivido isso pessoalmente. Quando uma empresa funciona, os problemas não desaparecem: pelo contrário, tornam-se mais complexos. E as visões e objetivos de cada membro são diferentes.
Os Roy não estão preocupados em chegar ao fim do mês, claro. Seus problemas estão muito longe dos da gente comum. Justamente por isso muitas vezes parecem absurdos vistos de fora.
E é nesse ponto que a série nos mostra as costuras do sistema. Quando você observa que um símbolo do capitalismo tão característico como uma empresa gigante enfrenta os mesmos problemas que qualquer outra — brigas por dinheiro, poder, família — fica claro que o sonho americano talvez não seja tão sonho assim.
Aliás, essa crítica é algo que temos visto bastante ultimamente.
Existe uma moda com esse tipo de série?
Pois parece que sim, existe uma certa moda com essas séries de ricos, poder, empresas enormes e personagens moralmente duvidosos. Para dizer de forma suave. Succession, Billions e Industry são exemplos marcantes, cada uma à sua maneira, dessa tendência.
Para diferenciá-las um pouco e ver se você se anima com alguma, eu diria que, das três, Billions me parece mais divertida.
Também tem personagens desprezíveis, claro, mas todos costumam ter uma parte que permite entendê-los ou até criar um pouco de empatia por eles. Não justificá-los, mas compreender por que fazem o que fazem. Além disso, por ser uma série mais longa, a jornada tem mais percurso.
Industry, por outro lado, me parece bem abaixo.
Vejo como uma espécie de cópia que troca a empresa de mídia por um banco de investimento, mas menos afiada e menos perspicaz. Além disso, leva-se mais a sério, e isso joga contra ela.
Porque, sendo sinceros, as três são pouco realistas, embora por motivos diferentes. A diferença é que Succession parece bastante consciente do seu exagero. Às vezes, inclusive até demais.
O melhor de Succession
Apesar de tudo isso, é uma boa série. E é pelos seguintes motivos.
O elenco
O elenco é bom no geral. Jeremy Strong, Sarah Snook, Kieran Culkin, Matthew Macfadyen e companhia entendem perfeitamente o tom da série. Todos sabem se mover nesse ponto entre drama familiar, sátira e comédia negra.
Mas Brian Cox está acima.
Logan Roy é o personagem mais forte da série, e Cox aproveita isso de forma brutal.
Ele não precisa de grandes discursos para se impor. Muitas vezes basta um olhar, uma pausa ou uma forma de ficar calado para que você entenda perfeitamente o que está acontecendo.
Cada vez que aparece em cena, só de estar ali já melhora tudo.

O roteiro e a comédia negra
Os diálogos são bons. As maquinações também. A série tem muita habilidade para mostrar como todos tentam parecer muito inteligentes e estrategistas. E depois sempre caem.
Na verdade, ao vê-la, eu pensava constantemente em a frase mítica de Mike Tyson: “Todo mundo tem um plano até levar o primeiro soco na boca”.
A série deixa isso claro.
No entanto, o mais curioso é o absurdo de muitas ambições e ações. Se você as analisa a frio, a maioria não tem pé nem cabeça. Para muitos, aí está parte da graça: ver como uma família que tem tudo pode estar tão desestruturada emocional e psicologicamente.
A crítica ao poder
Succession retrata muito bem a impunidade dos ricos e, ao mesmo tempo, suas misérias. Essa gente pode fazer coisas que arruinariam a vida de uma pessoa normal.
Ao mesmo tempo, vivem presos numa competição permanente por uma promoção — ou uma aprovação paterna — que nunca chega.
São muito ricos, mas você nunca os inveja.
O pior de Succession
Bem, agora entramos na parte central da crítica. No que diferencia a minha opinião da corrente majoritária.
Personagens com quem é difícil criar empatia
Isso eu já mencionei.
Entendo que muita gente goste de ver pessoas desprezíveis fazendo coisas desprezíveis — de fato, aí está o sucesso de muitos realities —, mas não é algo que combine muito comigo.
Em Succession tenho dificuldade de me ver refletido em algum personagem, mesmo que parcialmente. Eu não agiria como nenhum deles em nenhuma situação. E isso me tirava constantemente da série enquanto eu assistia.
Explico: para gostar de uma obra — em qualquer formato, série, cinema ou quadrinhos — não preciso que os protagonistas sejam boas pessoas, nem que eu goste deles no sentido mais simples. Mas preciso de algum ponto de apoio. Algo que me faça entender suas ações. Porque não as entendo, as de nenhum deles.
São tão absurdas, e a solução parece tão evidente na maioria dos casos, que eu perdia constantemente a suspensão de descrença.
Por isso, com Succession acontecia que eu assistia, apreciava suas virtudes, mas não a aproveitava.
Ao contrário do que acontece comigo com séries como The Expanse, Game of Thrones, Person of Interest e tantas outras, em que eu ficava esperando quando sairia um novo episódio, aqui, na temporada final eu quase desejava que terminasse para marcá-la como concluída.
Situações forçadas demais
Na linha da perda da suspensão de descrença, também há situações que me parecem forçadas demais:
- Decisões pessoais absurdas. Sinceramente, ninguém com dois dedos de testa faria o que fazem os filhos — principalmente os homens — de Logan Roy. Más decisões repetidas vezes.
- Decisões empresariais enormes, que são todo ego e zero estratégia. É difícil pensar que uma empresa dirigida assim tenha chegado a ser o império que a série mostra.
- Semelhante ao ponto anterior, em muitas reuniões o importante não é decidir nada, mas humilhar. É ficção, sim, mas é pouco crível.
- Por fim, qualquer evento — casamentos, aniversários ou encontros familiares — acaba sempre virando uma guerra. Precisa ser sempre assim? Sério?
A série abraça claramente o exagero, faz parte do seu tom, mas, no meu caso, eu não parava de pensar você vai estragar tudo de novo?.
Uma série mais admirada do que prazerosa
É uma série ambiciosa e eu aprecio isso. Tem bons pontos, é muito bem feita e dá para notar que há uma intenção clara por trás. Por isso eu assistia.
Mas nunca cheguei a avaliá-la com a mesma nota da crítica. Para mim foi mais uma série que admiro do que uma série de que realmente gostei. A nuance é relevante.
Veredito
Succession é uma boa série. Isso eu não discuto.
É ambiciosa, bem escrita, bem interpretada e tem momentos muito bons de comédia negra. Também mostra bastante bem como funcionam certas dinâmicas de poder, família e empresa.
Mas está claro que não era uma série para mim.
Era difícil demais não sair de uma história em que todos me pareciam tão desagradáveis, suas decisões tão absurdas e em que muitas situações me pareciam tão forçadas que deixavam de me interessar.
Por isso entendo o fenômeno, mas não compartilho dele: boa série, sim; obra-prima, para mim nem tanto.
Ficha técnica
| Campo | Dado |
| Título | Succession |
| Anos | 2018-2023 |
| Temporadas | 4 |
| Episódios | 39 |
| Criador | Jesse Armstrong |
| Elenco principal | Brian Cox, Jeremy Strong, Sarah Snook, Kieran Culkin, Alan Ruck, Matthew Macfadyen, Nicholas Braun, J. Smith-Cameron |
| Gênero | Drama satírico, comédia negra, drama familiar |
| País | Estados Unidos |
| Disponível em | Max |
Nota
Para quem é
✔️ Para quem gosta de dramas familiares incômodos com personagens miseráveis.✔️ Para quem quer séries sobre empresas e poder, como Billions ou Industry.
Para quem não é
❌ Para quem precisa criar empatia com os personagens.❌ Para quem não se conecta com esse tipo de série sobre poder e empresa.
❌ Para quem detesta ver ricos brigando por problemas de ricos.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver Succession?
Sim, vale a pena se você gosta de dramas familiares incômodos, comédia negra e séries sobre poder empresarial, embora não seja uma série para todo mundo.
Succession é superestimada?
Depende do que você procura. É uma boa série, muito bem escrita e interpretada, mas pode parecer superestimada se você precisa criar empatia com algum personagem ou aproveitar mais a história.
Do que trata Succession?
Trata da família Roy, dona de um enorme império midiático, e das lutas internas entre seus membros pelo poder, pela aprovação do pai e pelo controle da empresa.
Succession é uma comédia negra?
Sim. Embora se apresente como drama familiar e empresarial, boa parte da sua força está na comédia negra, nos diálogos cruéis e no absurdo de muitas ambições de seus personagens.
Qual é o maior problema de Succession?
Seus personagens são tão desprezíveis que é difícil criar empatia com eles. Isso pode fazer parte do seu atrativo para muitos espectadores, mas também pode te tirar da série.
O que há de melhor em Succession?
O elenco, o roteiro, a comédia negra e a crítica ao poder. Brian Cox se destaca especialmente como Logan Roy, um personagem que domina muitas cenas quase sem dizer nada.
Succession se parece com Billions?
Sim, compartilha comBillionso interesse por poder, dinheiro e personagens ambiciosos, emboraBillionspossa ser mais divertida e ter personagens um pouco mais fáceis de entender.
Succession é melhor que Industry?
Para mim, sim.Industryatua numa zona parecida, mas é menos afiada, menos perspicaz e se leva mais a sério, algo que a prejudica.
Quantas temporadas tem Succession?
Successiontem quatro temporadas e conta uma história fechada em torno da família Roy e seu império empresarial.
A crítica de Succession tem spoilers?
Não. A crítica comenta situações gerais da série, seu tom e seus personagens, mas não entrega grandes reviravoltas nem o final.

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