Vamos deixar claro: Rios Vermelhos 2 – Os Anjos do Apocalipse é clara e objetivamente pior que o primeiro. Não acho que seja preciso dar muitas voltas a isso.
O original tinha uma atmosfera muito mais forte, uma investigação com alguma coisa a mais de lógica e, sobretudo, uma dupla protagonista com muito mais carisma.
Esta segunda parte mantém Jean Reno como Pierre Niemans, mas muda todo o resto o suficiente para que o filme desça vários degraus.
Aqui a trama entra de cabeça no terreno do thriller religioso, conspirações, símbolos, monges ninjas, apocalipse e segredos antigos. Ou seja, um filme bem Dan Brown, mas com menos elegância narrativa e bem mais ação exagerada.
O melhor que se pode dizer é que não é chato, ajudado pela metragem enxuta. Tem ritmo e dá para ver sem muito esforço.
O problema é que ele parece muito menos ambicioso que o primeiro, com aquele ar de sequência funcional pensada para locadora, feita para aproveitar o sucesso sem se preocupar muito em estar à altura.
Porque Rios Vermelhos não era uma obra-prima, mas tinha personalidade. Esta segunda parte, por outro lado, parece mais interessada em acumular elementos chamativos do que em construir uma história que se sustente minimamente.
Índice de Contenidos del Artículo
Uma trama muito Dan Brown
A trama de Rios Vermelhos 2 gira em torno de uma investigação dupla —que, como no primeiro filme, acaba virando uma só— com assassinatos, simbologia religiosa e uma ameaça que, claro, vai ficando cada vez maior à medida que o filme avança.
Não vou entrar em detalhes, porque também não é preciso estragar nada, mas o tom é muito reconhecível: igrejas, segredos, textos antigos, conspirações e uma solenidade na direção e na encenação que tenta nos mostrar que tudo é muito mais profundo.
Spoiler: não consegue.
O problema é que aqui, ao contrário do que acontece nas obras de Brown, tudo parece encaixado à força. Como se alguém tivesse pegado uma série de peças vistosas do gênero e as colocado uma atrás da outra na tela sem se perguntar muito se elas encaixavam no conjunto.
Aqui tudo é exagerado e a lógica brilha pela ausência.

Monges ninjas fazendo parkour
O mais curioso do filme, e provavelmente o mais difícil de levar a sério, é tudo que envolve esses monges vestidos como ninjas e com habilidades parecidas, que se movem por aí com uma agilidade que parece saída de outro tipo de trama.
A ideia tem graça, não vou negar: ver monges fazendo parkour, perseguindo e matando pessoas é um pouco cômico. Embora eu duvide que essa fosse a intenção da obra.
Não aguenta uma análise séria. E o filme não parece consciente do quanto essa parte é absurda. Porque, se abraçasse mais esse disparate, talvez fosse mais divertido. Mas ele apresenta tudo com uma gravidade e uma grandiloquência que acabam jogando contra.
Poderia ter sido um thriller de ação divertido. Em vez disso, é algo que pretende ser transcendente e sombrio e é impossível, com esses ingredientes, conseguir isso.
O melhor de Rios Vermelhos 2
O melhor do filme é Jean Reno.
Reno continua tendo presença como Pierre Niemans. Não precisa fazer muito para preencher a tela. Tem aquele mesmo gesto do primeiro filme: cansado, seco, de policial que já viu coisas estranhas demais para se surpreender por completo.
Não é que o filme lhe dê um material maravilhoso, mas ele segura a onda. Na verdade, boa parte do pouco que funciona vem da sua presença, já que, quando está em cena, o filme parece um pouco melhor do que é.
Também ajuda que seu personagem já venha do primeiro filme. Você o conhece, sabe como ele é, há familiaridade.
A outra coisa boa é o que eu comentava antes: é divertido e, em alguns momentos, engraçado.
Tem perseguições, lutas, mistérios, cenários escuros e uma trama tão exagerada que às vezes roça o involuntariamente engraçado.
E isso, dependendo do dia, pode ser motivo suficiente para dar o play.

O pior de Rios Vermelhos 2
Um dos problemas é a troca do parceiro de Jean Reno.
No primeiro filme, Vincent Cassel interpretava Max Kerkerian. Aqui esse personagem não volta, e em seu lugar aparece Reda, interpretado por Benoît Magimel.
E sim, Magimel pode ser mais bonito. Tem porte, encaixa fisicamente nesse papel de policial jovem e mais impulsivo, mas tem bem menos carisma que Cassel. E isso se nota muito.
O problema não é só que o ator tenha menos presença, mas que a dupla perde eletricidade. Reno e Cassel tinham uma tensão mais interessante, uma diferença de energia que fazia o filme respirar melhor. Nesta segunda parte, a relação entre Niemans e Reda fica mais plana.
Por outro lado, é menos ambicioso que o original.
O primeiro tinha mais atmosfera, mais personalidade. Este segundo é mais absurdo e mais simples. Tudo é menos cuidado.
Tem momentos que podem divertir, mas falta a ambição do original. E quando a trama tenta parecer importante, o cenário de papelão fica evidente demais.
Há um último ponto que não pode ser atribuído à obra em si, mas que afetou minha experiência ao vê-la.
A cópia que vi no Amazon Prime tinha uma qualidade de imagem muito baixa. Não sei se estava em 720p ou diretamente em 480p, mas se via surpreendentemente mal.
E em um filme desse tipo, com cenas escuras e muita ação, isso se nota bastante.
Se pelo anterior já parecia um filme de locadora, a qualidade de imagem aumentava essa sensação.
Não sei se será igual em todos os dispositivos ou versões, mas minha experiência foi bastante ruim.
Veredito
Rios Vermelhos 2 dá para ver se você tem curiosidade, se gosta de Jean Reno ou se quer completar os dois filmes. Mas, como sequência do original, baixa claramente o nível.
Tem uma trama religiosa muito Dan Brown, cenas de ação interessantes e, sobretudo, monges ninjas fazendo parkour. Isso é motivo suficiente para vê-lo um dia sem muitas expectativas. Sério.
Jean Reno está bem, mas não basta para levantar um filme que não é um desastre absoluto, já que dá para assistir, mas também se esquece bem rápido.
E é que, quando revisitei a primeira parte de Rios Vermelhos para a crítica, eu me lembrava de quase tudo. Deste, que também vi na época, eu nem me lembrava se Jean Reno participava. Com isso acho que você consegue ter uma ideia bem clara do que espera.
Ficha de Rios Vermelhos 2
| Campo | Dado |
| Título | Rios Vermelhos 2 – Os Anjos do Apocalipse |
| Título original | Les Rivières pourpres 2 : Les Anges de l'apocalypse |
| Ano | 2004 |
| Duração | Aproximadamente 100 minutos |
| Diretor | Olivier Dahan |
| Roteiro | Luc Besson |
| Elenco principal | Jean Reno, Benoît Magimel, Christopher Lee, Camille Natta, Johnny Hallyday |
| Gênero | Thriller, ação, intriga |
| País | França / coprodução europeia |
| Disponível em | Disponível no Amazon Prime Video, conforme disponibilidade |
| Nota | 2/5 |
Nota
Para quem é
✔️ Para fãs de Jean Reno.✔️ Para quem quer completar os dois filmes.
✔️ Para quem gosta de uma trama à la Dan Brown (mas pior).
✔️ Para quem quer ver monges fazendo parkour, o que também não acontece todos os dias.
Para quem não é
❌ Para quem espera algo à altura do original.❌ Para quem não suporta tramas tipo Dan Brown ou precisa que a história tenha certa lógica.
❌ Para quem for vê-lo no Prime Video (qualidade de imagem péssima).

Deixe um comentário