Marcados para Morrer é um filme de ação policial do tipo que quase não se faz mais. E isso, neste caso, é uma enorme virtude.
Não é perfeito nem especialmente original. Mas tem algo que muitos filmes mais modernos e com orçamentos muito maiores perderam pelo caminho: peso.
Peso nos disparos, nos golpes, nas entradas em casas, nas conversas dentro da viatura e naquela sensação de que qualquer ocorrência de rotina pode acabar muito mal.
Marcados para Morrer, originalmente intitulado End of Watch, é um thriller policial seco, sujo e direto. Um thriller de ação dos anos 90 feito em 2012.
E sim, isso é um elogio.
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Opinião rápida sobre Marcados para Morrer
Marcados para Morrer é um muito bom thriller de ação pouco conhecido. Um filme que merece mais atenção, sobretudo se você gosta de cinema policial de rua, com protagonistas que são seres humanos e não clichês, e ação realista.
Sua maior virtude não está na história. A trama é simples e funciona mais como desculpa do que como grande motor narrativo.
Mas não digo isso como crítica, porque o filme não tenta parecer mais complexo do que é, nem tenta vender para você um quebra-cabeça criminal complicadíssimo.
Nada disso. O importante aqui não é descobrir o que vai acontecer, mas acompanhar dois policiais que se metem em um problema cada vez mais sério.
E com essa desculpa de argumento, o filme funciona muito bem.
Funciona porque Jake Gyllenhaal e Michael Peña têm boa química. Funciona porque a ação se sente e é muito física. E funciona porque David Ayer leva totalmente a sério o filme que está fazendo.
Não há distância irônica, não há cinismo moderno e não há humor fácil nem piada pronta. Há policiais, rua, violência e tensão.
Do que trata Marcados para Morrer
O filme acompanha Brian Taylor e Mike Zavala, dois policiais de Los Angeles que patrulham áreas complicadas da cidade.
Numa das suas intervenções cruzam-se com algo maior do que o habitual e, pouco a pouco, passam de fazer o seu trabalho diário a tornar-se alvo de gente perigosa.
Não é preciso contar muito mais. Também não é que haja muito mais. Mas parte da força do filme está em como uma rotina policial normal vai derivando numa ameaça mais sombria.
Marcados para Morrer é sobre estar ali, dentro da viatura conversando com seu parceiro, entrando em casas em chamas, respondendo a pedidos de ajuda dos colegas e mostrando como a rua começa a se complicar cada vez mais em volta dos protagonistas.

O que mais gostei em Marcados para Morrer
O melhor de Marcados para Morrer é que mostra exatamente o que quer.
É um filme sobre policiais que querem ser policiais. Parece óbvio, mas não é. Brian e Mike não são super-heróis de quadrinhos, nem gênios da investigação, nem caras invencíveis à la Reacher feitos para ficar bem numa frase de trailer ou numa pose de pôster.
São dois agentes que querem fazer bem o seu trabalho, proteger o parceiro e voltar vivos para casa.
Há heroísmo, claro. Mas é um heroísmo humano.
Por isso a química entre Jake Gyllenhaal e Michael Peña importa tanto. Você acredita na amizade deles. Você acredita nas piadas, nas conversas e naquela confiança entre duas pessoas que passam horas demais juntas em uma viatura.
Os personagens têm algum clichê, sim, mas o trabalho dos atores é tão convincente que não incomoda muito. O filme se sustenta nessa dupla. Se eles não funcionassem, nada do resto funcionaria. Felizmente, não é o caso.
E depois há a ação.
Marcados para Morrer tem ação realista, seca e dura. Não é uma ação limpinha de Netflix, coreografada para brilhar ou pensada como espetáculo vazio. Aqui você sente os golpes, o fogo e as balas. O som importa e cada disparo parece ter consequências.
Ação ao estilo de Heat, filmes em que, como eu dizia no início, as balas têm peso.
Também gosto de como os antagonistas são tratados. Os vilões são maus, parecem maus e dão medo.
Não são vilões sofisticados nem especialmente ambíguos. São uma ameaça direta, desagradável e física. Você sente que, cada vez que aparecem, a coisa pode ficar muito feia.
Por fim, Marcados para Morrer se leva a sério. Não tenta pedir desculpas por ser um filme de gênero. Não quer desmontar o cinema policial nem parecer mais inteligente do que o espectador. Não precisa.
O que menos gostei em Marcados para Morrer
A principal barreira de entrada é a câmera na mão.
Para mim, isso não incomodou demais, porque acho que dá proximidade, urgência e sujeira — faz com que muitas cenas pareçam menos limpas e mais incômodas, exatamente o que um filme como este precisa —, mas entendo perfeitamente que possa se tornar cansativo.
O recurso está muito presente. Entre falso documentário, gravações internas e câmera nervosa, há momentos em que a decisão de estilo fica evidente demais. Se você não compra essa proposta, o filme pode tirar você de dentro dele em alguns momentos.
O outro porém está em a própria construção da história. Como dizia antes, a trama é mais uma desculpa ao serviço das cenas do que um mecanismo narrativo potente. Não é um problema grave, porque o filme compensa com personagens, ritmo e tensão, mas convém sabê-lo.
Se você procura uma trama policial complexa, com reviravoltas elaboradas e uma investigação especialmente trabalhada, provavelmente vai achar pouco.
Também há algum cliché de filme de polícias a mais. A irmandade, o parceiro como família, o perigo da rua, a épica do uniforme… Tudo isso está aqui. A diferença é que o filme defende tudo com tanta seriedade que você acaba acreditando.

Muito na linha de David Ayer
Marcados para Morrer segue a linha de outras produções de David Ayer.
Tem bastante daquele tom policial sujo, urbano e de rua que já estava em Training Day, embora ali Ayer assine o roteiro e aqui escreva e dirija. Não são o mesmo filme, mas compartilham um olhar duro sobre a rua, a violência e a fronteira entre fazer o trabalho e ficar preso a ele.
Também tem uma pequena pitada da violência mais direta de The Beekeeper, embora sem chegar a esse nível de excesso.
O interessante é que aqui Ayer encontra um equilíbrio bastante bom: há testosterona, há dureza e há épica policial (curiosamente onde você menos espera), mas também há personagens de verdade e não bonecos de papelão, o que evita que o filme se torne uma simples sucessão de cenas intensas.
Marcados para Morrer envelheceu bem?
Sim. Hoje em dia continua a ver-se muito bem. Não parece antiquado.
Tecnicamente é muito correto e, embora a câmera na mão possa denunciar bastante a época, eu não diria que isso fez o filme envelhecer mal. Pelo contrário, dá a ele uma textura concreta que combina com o que está contando.
Além disso, como o filme não depende de grandes efeitos digitais nem de uma estética especialmente da moda, ele se sustenta muito bem. Sua força está nos atores, no ritmo, na tensão, no som, na sensação física de perigo e em uma boa direção.
Avaliação final
Marcados para Morrer não reinventa o thriller policial, mas também não precisa.
É seco, sujo, intenso, credível e divertido. Tem uma dupla protagonista muito bem escolhida, ação física onde os disparos têm consequências e maus que cumprem uma função básica mas fundamental: dar medo.
Não é para quem procura uma trama complexa, uma história épica ou personagens com mil camadas. Mas se você quer um filme de policiais de rua, ação dura e espírito de thriller dos anos 90, aqui há muito para aproveitar.
Às vezes não é preciso reinventar nada. Basta fazer bem aquilo que os outros quase já não fazem.
Ficha técnica de Marcados para Morrer
| Campo | Dado |
| Título original | End of Watch |
| Título na Espanha | Sin tregua |
| Ano | 2012 |
| Duração | aprox. 109 min |
| Diretor | David Ayer |
| Elenco principal | Jake Gyllenhaal, Michael Peña, Anna Kendrick, Natalie Martinez, David Harbour, Frank Grillo, America Ferrera |
| Género | Crime / thriller / drama / ação |
| País | Estados Unidos |
| Disponível em | Prime Video / Amazon Video, verificar antes de publicar |
| Spoilers | Leves, sem revelar o final |
Nota
Para quem é
✔️ Para quem procura ação policial seca e direta.✔️ Para quem quer ação realista, dura e física e sente falta dos thrillers de ação dos anos 90.
✔️ Para fãs de Jake Gyllenhaal.
Para quem não é
❌ Se você procura uma trama policial complexa ou épica.❌ Se você quer super-heróis de quadrinhos. Aqui há heróis, mas eles são muito humanos.
❌ Se você não suporta câmera na mão.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver Marcados para Morrer?
Sim. Vale a pena se gostas de thrillers policiais secos, intensos e com ação realista. Não é especialmente original, mas funciona muito bem.
Marcados para Morrer e End of Watch são o mesmo filme?
Sim.End of Watché o título original eMarcados para Morreré o título pelo qual é mais conhecido em português.
Marcados para Morrer tem muita ação?
Sim, embora não seja ação espetacular de super-heróis. É uma ação mais urbana, suja e física.
A crítica tem spoilers?
Tem spoilers leves sobre a premissa e o tom, mas não revela o final.
Onde ver Marcados para Morrer?
Verifique antes de publicar, porque a disponibilidade muda. A referência aprovada neste momento é Prime Video / Amazon Video.
É parecido com Training Day?
Tem pontos em comum no tom policial urbano, sujo e de rua, emboraMarcados para Morreresteja mais centrado na relação entre os dois protagonistas.
Marcados para Morrer envelheceu bem?
Sim. Continua funcionando muito bem. A câmera na mão pode denunciar a época, mas sua proposta de ação seca e realista se sustenta muito bem.

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