A verdade é que eu pensava que sim, que conseguiria aguentar uns meses até a Dell lançar o seu monitor 4K abaixo dos 1000 euros mas apenas duas semanas depois já percebi que não.
Ponho-vos em contexto: há dois anos — quase três, na verdade — comprei um monitor NEC semiprofissional para design gráfico e web. Um bom monitor com 100% de cobertura sRGB e 75% do espaço AdobeRGB por um preço que não chegava aos 400 euros. A verdade é que notei a diferença, pois passei de um LG LCD de 21 polegadas com painel TN para um NEC IPS de 23,6 com ecrã mate.
Desde então até agora tenho estado muito satisfeito com ele e respondeu sempre na perfeição (0 píxeis mortos até hoje), mas claro que a minha situação já não é a mesma de então. Neste momento não faço muitos trabalhos para impressão; a minha produção centra-se em tarefas de design e analítica web que, em muitos casos, exigem quase obrigatoriamente vários ecrãs.
Ponho-vos um exemplo bastante típico: um cliente envia-me por email o texto de uma secção do seu site em espanhol, inglês e russo para eu substituir os textos atuais do site. Então o processo seria algo parecido com isto:
- Copio o parágrafo do email
- Passo-o por aqui para converter as HTML entities
- Passo-o para o editor de texto para o introduzir no código, acrescentando links, negritos, classes, etc.
- Faço a pré-visualização no navegador, em local
- Envio-o por FTP
- Confirmo que também aparece corretamente em produção
E repetiria este processo tantas vezes quantas fossem necessárias até terminar o texto.
Pois bem, fazer isto com um só monitor é bastante lento, apesar de contar com ferramentas como esta que permitem subdividir o ecrã com atalhos de teclado, por isso comecei a trabalhar com dois monitores, usando o NEC e, como segundo ecrã, o meu antigo LG. Esta opção durou-me algum tempo (cerca de 6 meses), mas nunca me habituei totalmente a ter um 21 ao lado de um 24; parecia-me largura de ecrã a mais e custava-me bastante virar o pescoço para o segundo monitor, pelo que troquei o LG por um Lapdock do Motorola Atrix (o ecrã + teclado que se pode acrescentar ao telefone Atrix desta empresa), mais comedido (13,3 polegadas e resolução de 1366 x 768).
Usei esta opção durante mais ou menos um ano e estava bastante confortável com ela, mas entre o meu irmão andar à procura de um computador novo completo (incluindo monitor), a qualidade do ecrã do lapdock ser bastante melhorável (e ainda por cima não ter conseguido calibrá-lo com o meu calibrador) e a opção dos monitores 4K ser uma alternativa real e à espreita, comecei a ponderar trocar de monitor e ver modelos novos. E encontrei os de formato 21:9, que não sabia que existiam como monitores para PC, mas que como TVs sempre me tinham chamado a atenção (sou um grande cinéfilo e este formato parece-me o melhor para desfrutar de um verdadeiro cinema em casa).
Como comentava no início do post, a minha ideia era esperar até sair algum monitor acessível (abaixo dos 1000 euros) em formato 21:9 e com resolução 4K, mas depois de uma semana a trabalhar com um único ecrã — o do lapdock — comecei a precisar de dois, por isso tenho usado o portátil ligando-lhe o segundo ecrã. Obviamente, contava que o desempenho do portátil não fosse o da "besta" que tenho como desktop (i5 a 1,9 GHz de dois núcleos, gráfica nVidia modesta e 8 GB de RAM no portátil, face a um AMD FX-8150 com 8 núcleos a 3,6 GHz, nVidia GTX 650 e 16 GB de RAM no outro), mas a verdade é que a diferença se nota demasiado.
E aqui entramos na questão de quanto valorizamos o nosso tempo: será quevale a pena esperar uns meses fazendo trabalhos 20% mais devagar e comprar um monitor que cumpra todas as minhas expectativas e que — possivelmente — me vá durar 5 anos ou será preferível comprar agora mesmo este ASUS por 450 euros que, embora não tenha a resolução que procuro, também não é propriamente uma resolução baixa (2560×1080), e que não me custará trocar daqui a 2–3 anos?
Para mim a coisa estava clara… E a Amazon ficará contente comigo ; )


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