O Peso do Talento é um filme divertido e um experimento curioso; até aí, tudo certo.
A questão é que você só vai aproveitar o filme sob uma condição bem clara: você precisa entrar no jogo de Nicolas Cage.
Se você gosta do ator, da imagem pública dele, dos seus excessos, da forma como ele transita entre meme, ator cult e astro de ação em decadência -ou transformado em outra coisa-, aqui há material para se divertir.
Se você não se conecta com isso, é bem provável que o filme pareça uma comédia de ação simpática, mas bem menos interessante do que pretende. Também vai fazer você olhar o celular com frequência, acredite.
Ainda assim, vale dar uma olhada pela curiosidade da proposta, que não é nada típica.
Índice de Contenidos del Artículo
Opinião rápida sobre O Peso do Talento
O filme dirigido por Tom Gormican funciona melhor como conceito do que como história. Não é que a história seja um desastre, porque não é, mas o verdadeiro atrativo do filme não está nela.
Aqui o importante é ver Nicolas Cage interpretando uma versão de Nicolas Cage, cercado por uma trama que usa a própria lenda dele como motor cômico. Essa é a piada e o gancho. A metapiada, na verdade.
Durante boa parte da duração, o filme avança com leveza. Não entedia, não fica pesado e tem uma energia saudável, fácil de acompanhar, favorecida pelas locações mediterrâneas.
É daqueles filmes que você vê sem grandes exigências, com algum momento realmente divertido e com a sensação de que seu(s) responsável(is) sabiam perfeitamente o que estavam fazendo.
O problema é que, quando você tira a camada de autoparódia, o que sobra por baixo é uma comédia de ação bastante comum. Não ruim, mas também não especialmente memorável. Poderia ser mais uma produção da Netflix.
Sobre o que é O Peso do Talento
O argumento parte de uma ideia tão simples quanto autoconsciente: Nicolas Cage interpreta uma versão fictícia de si mesmo, um ator em baixa que aceita ir ao aniversário de um milionário interpretado por Pedro Pascal.
O que começa como um trabalho estranho, quase humilhante e bem absurdo acaba virando uma trama de ação, espionagem e confusão que usa a própria figura de Cage como motor principal.
Na verdade, a trama é o menos importante do filme.
Um filme construído em torno do mito de Nicolas Cage
O mais interessante de O Peso do Talento é que ele abraça sua própria natureza. Não quer ser um filme “normal” com Nicolas Cage como protagonista. Quer ser um filme sobre o que Nicolas Cage significa como personagem cultural.
E isso tem seu ponto.
Cage há anos se tornou algo mais do que um ator. É uma presença. Um tom. Uma forma de entender o excesso. Pode aparecer em filmes bons, ruins, esquisitíssimos ou diretamente inexplicáveis, mas quase sempre há algo nele que faz você querer olhar.
Provavelmente é coisa de carisma. E do jeito de quem não está nem aí que ele transmite em todas as suas aparições mais recentes.
Aqui o filme aproveita exatamente isso. Sua carreira, sua imagem pública, seus gestos, sua intensidade e esse ponto entre a autoparódia e a reivindicação. Ele não ri exatamente dele. Ri com ele. Ou melhor, nós rimos com ele, que é diferente.
Além disso, Cage parece confortável dentro do experimento. Entra na brincadeira, aceita a piada e a empurra o bastante para que a coisa faça sentido.
Dito isso, o filme depende tanto dessa cumplicidade que pode deixar de fora quem não tenha interesse prévio pelo ator. Se Nicolas Cage não te diz nada, a proposta perde uma parte enorme da sua força. Ou toda.
Pedro Pascal soma, mas o filme continua sendo de Cage
Pedro Pascal ajuda bastante para que o filme não vire apenas um exercício narcisista de Cage.
Seu personagem funciona como contraponto, como fã dentro do próprio filme e como uma espécie de espelho deformado que permite que Cage brinque ainda mais consigo mesmo. A química entre os dois é um dos grandes motivos pelos quais o filme é agradável.
Pascal tem carisma, sabe dosar bem o entusiasmo e traz uma energia mais calorosa. Não compete com Cage, acompanha-o. E isso é importante, porque se o filme tentasse transformá-los em duas forças iguais talvez perdesse o foco.
Aqui o centro continua sendo Cage. Pascal melhora o conjunto, torna tudo mais humano e dá algum respiro, mas não muda a natureza da proposta.
E, bom, Paco León em um papel muito engraçado e distante do que estamos acostumados a ver dele, também dá seu toque.

O melhor do filme
O melhor é que ele sabe qual é sua principal carta e não tem vergonha de explorá-la. Pelo contrário.
Nicolas Cage rindo de si mesmo poderia ter sido uma ideia pobre demais, mas neste caso tem certo charme.
Veja bem, não estamos diante de uma reflexão profundíssima sobre fama, identidade ou o desgaste de uma carreira em Hollywood. O filme mira em algo mais simples: pegar tudo o que o espectador acha que sabe sobre Cage e transformar isso em combustível para uma comédia leve.
O tom também funciona bem. Não se leva a sério demais, mas também não cai o tempo todo na piada fácil. Tem momentos absurdos, acenos para fãs e uma estrutura ágil o bastante para não dar a sensação de estar esticando um meme por duas horas.
E, como eu dizia, a dupla Cage-Pascal sustenta o invento. Quando estão juntos, o filme ganha.
Vale destacar de novo que a fotografia e os cenários também ajudam esse clima gostoso de verão.

O pior do filme
O pior provavelmente é que a trama importa menos do que deveria.
Não vou entrar em detalhes para não estragar nada, mas a parte de ação e confusão cumpre sua função sem muito brilho. Está ali para dar forma de filme ao que, no fundo, é uma desculpa para brincar com Nicolas Cage.
O resultado é curioso, mas irregular. Há momentos em que o filme parece mais preocupado em lembrar você de como sua premissa é peculiar do que em construir algo realmente potente a partir dela.
Além disso, o conceito tem um teto claro. Depois que você entende o jogo, o filme precisaria de algo mais para subir de nível, e eu pelo menos não encontrei isso.
Por isso minha avaliação é apenas aceitável.
Ele não falha no que pretende, mas certamente não é um filme redondo. É simpático, tem personalidade e se deixa assistir muito bem, mas não é um filme memorável fora da própria piada.
Além disso, sem ser ruim, você o recomendaria a pouquíssimas pessoas.
Veredito: divertido, curioso e para fãs
O Peso do Talento não é um grande filme. Nem sequer uma boa comédia de ação, e não acho que tenha muito fôlego para quem não entra na brincadeira. Mas é um experimento curioso o bastante para justificar, pelo menos, uma olhada.
Se você entrar no jogo, vai terminar. Se não entrar, vai largar pela metade. E não vai acontecer nada. Tenho certeza de que o(s) responsável(is) tinha(m) isso claro.
Sua maior virtude também é seu limite: depende demais de Nicolas Cage. E, em menor medida, de Pedro Pascal. Se você gosta desses atores, especialmente Cage, provavelmente vai aproveitar. Se não, é fácil sair da trama e perder o interesse bem rápido.
Ficha técnica
| Título exato | O Peso do Talento |
| Ano | 2022 |
| Duração | 107 min / 1h47 |
| Diretor | Tom Gormican |
| Elenco principal | Nicolas Cage, Pedro Pascal, Tiffany Haddish, Sharon Horgan, Neil Patrick Harris, Paco León, Alessandra Mastronardi |
| Gênero oficial | Comédia, ação / comédia de ação |
| País | Estados Unidos |
| Disponível em | Netflix e outras |
Nota
Para quem é
✔️ Para fãs de Nicolas Cage.✔️ Para quem curte filmes autoconscientes e com um pouco de metacinema.
✔️ Para espectadores que buscam uma comédia de ação leve.
✔️ Para quem quer ver Pedro Pascal em um papel carismático que funciona muito bem.
Para quem não é
❌ Para quem não se conecta com Nicolas Cage.❌ Para quem procura uma grande história de ação.
❌ Ou uma grande comédia de ação.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver O Peso do Talento?
Sim, mas com ressalvas. Vale a pena se você gosta de Nicolas Cage ou se tem interesse no experimento de vê-lo interpretando uma versão fictícia de si mesmo.
É preciso ser fã de Nicolas Cage para curtir?
Não é obrigatório, mas ajuda muito. Se Cage não te interessa, o filme perde boa parte da graça.
Pedro Pascal está bem no filme?
Sim. Pedro Pascal traz carisma, leveza e boa química com Nicolas Cage. Ele não é o centro do filme, mas soma muito.
É uma comédia de ação ou um filme de metacinema?
É uma mistura das duas coisas, embora funcione melhor como filme autoconsciente sobre Nicolas Cage do que como comédia de ação pura.

Deixe um comentário