Não pude ir vê-lo ao cinema como teria gostado, coisas da paternidade, mas assim que pude vi-o em casa.
É o que acontece com estas superproduções: se gostas delas, mal podes, deitas-lhes logo a mão.
O resultado? Bem, pelo título já terás uma ideia, mas basicamente eu poderia resumir a crítica assim:
Avatar 3 demonstra que a saga começa a dar sinais de esgotamento.
E é que James Cameron conseguiu algo difícil: um filme espetacular… que não surpreende. Explico-te os motivos.
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Argumento e personagens
É curioso, mas o que mais me chamou a atenção ao vê-lo não foi a parte visual, mas sim os buracos de guião da trama: omitem-nos coisas, muitas, e isso apesar de o filme ultrapassar folgadamente as três horas. Se não fosse incoerente em certos momentos, nem seria mau.
Não vou entrar em muito mais do que a ideia base, porque, sinceramente, não é necessário. É mais uma desculpa que nos conta que há uma luta com um novo clã Na’vi e que os nossos amigos soldados humanos andam por ali envolvidos.
É tudo o que precisas de saber para o ver.
Quanto às personagens, questão que tem um pouco mais de substância —um pouco, não penses que isto é Dostoievski—, as reações das personagens e até os diálogos não geram a épica necessária.
Como exemplo, duas cenas (sem spoilers): a primeira, a de Jake e Spider na floresta com a faca, onde os dois, sobretudo o miúdo, parecem agir como se aquilo não tivesse nada a ver com ele. Não chora nem mostra dor alguma. Não engulo.
A segunda, a cena final com o coronel Quaritch. O diálogo dele não encaixa bem. Falta-lhe punch, ou algo que explique melhor o que faz a seguir.
As duas cenas não são irrelevantes; supostamente são pontos de viragem, mas não parecem.
No lado positivo temos a vilã da função. Varang é uma vilã das antigas. Daquelas dos thrillers dos anos oitenta e noventa. Má, má, má. Má como poucas. Com aquele rosto que mistura loucura com desejo —excelentíssima Oona Chaplin— dá sempre vontade de que receba o que merece de uma vez. Para mim, é o melhor da película.
Também me parece positiva e credível a transformação interior de Neytiri. Do luto inicial até à decisão final, é um arco interessante.
Jake, o protagonista, e o seu filho Lo’ak são mais do mesmo. Igualmente planos. E de Tuk e Kiri, apesar do papel nuclear, melhor nem falar.
Quaritch também é mais do mesmo, mas neste caso para bem. O filme ganha interesse sempre que ele aparece no ecrã.
Mesmo assim, embora talvez os aspetos negativos predominem sobre os positivos, uma coisa que o filme tem a seu favor é que, apesar de ser longuíssimo —três horas e um quarto, repito— é muito divertido, e, salvo uma ou outra cena, não se torna longo nem pesado. Puro entretenimento de pipocas.
Visualmente (um pouco menos) impressionante

Parece mais um videojogo do que um filme. Para o bem e para o mal.
Isto é algo que já acontecia no anterior e menos no primeiro. Eu achava que era por causa de filmarem a diferentes velocidades —há cenas mostradas com o dobro dos fotogramas por segundo, quarenta e oito, em vez dos vinte e quatro habituais—, mas não é isso. Ou não é só isso.
Digo isto porque, mesmo visto na televisão, a vinte e quatro fps, continua a parecer mais um videojogo de última geração do que um filme.
Será a ambientação, as personagens, o uso do CGI… O que for, mas claro que aquilo que vês não é um filme de ficção científica convencional. Se compras a ideia, ótimo. Se não, pode tirar-te completamente da trama.
De qualquer forma, todo o design de produção —as paisagens do planeta, os seus céus e oceanos, as plantas, os animais (reciclados dos filmes anteriores), a iluminação…— tudo é espetacular.
Vale a pena vê-lo só por isto. Mais ainda, vale a pena ver o filme sobretudo por isto.
Na verdade, vi-o em versão 4K na televisão, mas quero voltar a vê-lo em 3D no projetor para perceber a evolução deste aspeto desde a obra anterior, que revi há pouco tempo.
Vê-lo duas vezes em tão pouco tempo só é conseguido por obras realmente impactantes a nível visual. Pelo menos no meu caso.
Conclusões
Tenho visto que a crítica coloca este filme como o pior de Cameron, só à frente da sua primeira longa-metragem, Piranha II.
E sim, posso concordar. Mas, claro, este senhor tem umas quantas obras-primas no currículo. E tudo o que faz, por um motivo ou por outro, vale a pena ver.
Este não é exceção, portanto, se o vires com as expectativas certas, não te vai desiludir, sobretudo pelo seu aparato visual faustoso. No entanto, se esperas algo melhor do que Avatar (o primeiro), aí sim, vai desiludir-te.
Em ambos os casos, estou bastante seguro disso.
Ficha técnica
| Campo | Dado |
|---|---|
| Título em português | Avatar: Fire and Ash |
| Título original | Avatar: Fire and Ash |
| Ano | 2025 |
| Realização | James Cameron |
| Guião | James Cameron, Rick Jaffa, Amanda Silver |
| História | James Cameron, Rick Jaffa, Amanda Silver, Josh Friedman, Shane Salerno |
| Produção | James Cameron, Jon Landau |
| Elenco principal | Sam Worthington, Zoe Saldaña, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Oona Chaplin, Cliff Curtis, Joel David Moore, CCH Pounder, Edie Falco, David Thewlis, Jemaine Clement, Giovanni Ribisi, Britain Dalton, Jamie Flatters, Trinity Jo-Li Bliss, Jack Champion, Brendan Cowell, Bailey Bass, Filip Geljo, Duane Evans Jr., Kate Winslet |
| Duração | 3 h 15 min |
| Género | Ação e aventura, fantasia, ficção científica |
| País | Estados Unidos |
| Idioma original | Inglês |
| Estreia | 19 de dezembro de 2025 |
| Distribuidora | 20th Century Studios / Disney |
| Classificação | PG-13 |
| Saga | Avatar |
| Entrega | Terceiro filme da franquia |
| Personagens principais | Jake Sully, Neytiri, Kiri, Lo’ak, Tuk, Spider, Quaritch, Varang |
| Premissa | James Cameron regressa a Pandora com Jake Sully, Neytiri e a família Sully numa nova aventura marcada pelo conflito com um novo clã Na’vi e pelo regresso de antigas ameaças. |
Nota
Para quem é
✔️ Se gostaste dos anteriores e procuras mais do mesmo.✔️ Se dás prioridade ao espetáculo visual em vez do guião.
✔️ Se queres um filme longo para desligar sem pensar demasiado.
✔️ Se gostas de vilões claros e bem marcados como Varang.
Para quem não é
❌ Se esperas um salto ou uma evolução em relação aos anteriores.❌ Se precisas de um guião sólido para te prender.
❌ Se o efeito “videojogo” no cinema não te convence.
❌ Se não aguentas filmes com mais de três horas sem ritmo forte.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver Avatar 3: Fire and Ash?
Sim, mas com nuances. Se procuras espetáculo visual e entretenimento, cumpre. Se esperas uma grande história, provavelmente vai desiludir-te.
É melhor do que Avatar 2?
Não. Mantém o nível visual, mas não acrescenta nada de novo e o guião é mais fraco em momentos-chave.
É preciso ver os anteriores para o entender?
Sim. Não é um filme independente. Precisas de conhecer as personagens e o contexto para o acompanhar sem te perderes.
Porque dá sensação de “videojogo”?
Pelo uso intensivo de CGI, pelo estilo visual e por certos efeitos como o aumento dos fotogramas por segundo. Tudo isso faz com que perca parte do “feeling” cinematográfico clássico.
Quanto dura Avatar 3?
Aproximadamente 3 horas e 15 minutos. É longo, mas no geral faz-se divertido.
Quem é a melhor personagem do filme?
Varang destaca-se claramente como vilã. O arco de Neytiri também tem interesse. O resto é bastante mais plano.
É o pior filme de James Cameron?
Muitos colocam-no entre os mais fracos da sua filmografia, apenas acima dePiranha II. Ainda assim, continua a ser agradável.
É recomendável vê-lo em 3D ou em casa?
Se puderes, em 3D ou num ecrã grande. É aí que realmente se destaca. Em casa perde parte do impacto, embora continue visualmente potente.

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