Quando fazemos marketing a sério, uma das tarefas de que teremos de nos encarregar é analisar o desempenho dos nossos esforços.
Esta análise, claro, variará na forma e no conteúdo em função dos recursos investidos.
É lógico pensar que o alcance não será o mesmo se investirmos 100€ por mês do que se investirmos um milhão.
No primeiro cenário provavelmente utilizaremos apenas um ou dois canais, enquanto no segundo serão seguramente mais de dez.
Por isso, à medida que o nosso projeto cresce, a analytics que lhe aplicamos será diferente.
Passaremos por diferentes fases. Alcançaremos diferentes etapas.
E neste artigo quero mostrar as cinco principais, que resumo nesta tabela:

Fase 1: Google Analytics

A forma mais simples de começar a medir “algo” no nosso marketing ou produto digital.
Se temos um projeto digital com um site ou app, é a primeira ferramenta que utilizaremos, pois é gratuita, muito fácil de implementar no nível básico e nos fornece bastante informação.
É a fase inicial da analytics de marketing.
O que você pode medir com Google Analytics
Bem configurado, permite medir coisas como:
Interações dos seus usuários
- O tráfego das suas campanhas TAGUEADAS
- A taxa de Rejeição / Interação das suas landing pages.
- Produtos / serviços vistos.
- Produtos / serviços adicionados ao carrinho.
- Usuários que entram no checkout => Remarketing.
- Outros eventos no site.
Características dos seus usuários
- Os dispositivos que seus usuários usam.
- Os países de onde eles acessam.
As conversões
- As conversões por campanha (modelo LCI ou “baseado em dados”, dependendo do relatório).
- Compras de produtos e devoluções.
Publicidade no nosso site
- Promoções no nosso site (banners)
- Produtos mostrados aos usuários.
O que o Google Analytics NÃO permite medir
Embora nos forneça muita informação, também há coisas que lhe faltam e que teremos de medir de outra forma, por exemplo:
- Campanhas em meios tradicionais (TV, imprensa, exterior).
- Campanhas digitais sem cliques (banner de marca, abertura de e-mails, visualizações de vídeos do YouTube): postview.
- Customer journey multidevice. Embora haja tentativas, são remendos.
- Ações de usuários que não aceitam cookies ou usam adblockers.
- Modelo de atribuição completo (dados enviesados).
- Dados pessoais (CRM).
O que mede pela metade
- Os cliques no seu site (seria possível medir todos, mas não é recomendável).
- Custos das campanhas de plataformas diferentes da Google (é preciso carregar dados).
- Keywords SEO (você vê pouquíssimas).
- Características sociodemográficas (Signal)
- Dados que não são coletados diretamente (erros JS, adblockers, Safari): sempre faltará um % das conversões. A lacuna aumenta a cada dia.
Vantagens do Google Analytics
Umas quantas, na verdade:
- Ter informação básica é rápido. Podemos começar a coletar dados em minutos.
- É a forma mais simples de começar a medir “algo” no nosso marketing ou produto digital.
- É a melhor ferramenta gratuita de analytics digital. E é melhor do que muitas pagas.
Desvantagens do Google Analytics
Claro, também tem algumas desvantagens:
- Não reflete a realidade do negócio. Nem sequer a do departamento de marketing. Nem a do marketing digital. Porque lhe faltam dados para isso.
- Ou seja, mede apenas uma pequena parte, pelo que não convém avaliar um negócio inteiro pelos dados do seu Analytics.
- Hoje, o GA4 é pior do que o GA3. Ele exige uma implementação técnica mais complexa em um ambiente mais complicado (GDPR, privacidade…)
Resumo
Por tudo o que foi dito, considero que o Google Analytics fica aquém.
Mesmo para medir apenas o desempenho de um produto digital (site ou app), você precisa de outras ferramentas complementares.
E muito menos se você quiser ter o controle de um negócio completo, por mais digital que ele seja…
De qualquer forma, será o primeiro passo nisto da analytics.
Fase 2: Reporting por canal digital
Quando crescemos e temos vários canais digitais, sobretudo se forem pagos (Google Ads, Meta, afiliados…), continuaremos a analisar o performance geral como na fase anterior, mas começaremos também a analisar cada canal separadamente, com mais profundidade, para tentar otimizá-lo.

Frequência
Esta análise variará dependendo do orçamento:
- Abaixo de 2 ou 3K/Mês será mensal.
- Acima disso (talvez) seja semanal.
E é que precisamos de ver um bom volume de dados para tomar decisões. E este volume exige mais ou menos tempo em função do tamanho do projeto e do seu investimento.
Responsável
Haverá sempre alguém encarregado de o apresentar e tirar conclusões, que poderá ser:
- Equipe interna: se o marketing for gerenciado inhouse.
- Freelancers: se utilizarmos diferentes, em função do canal.
- Agência: quando contratamos uma para gerenciar todo o paid ou o SEO.
O que inclui
Dependendo do canal, este reporting incluirá umas coisas ou outras. Para você ter uma ideia, estes relatórios incluirão:
- Os avanços da campanha.
- Em paid media, o foco serão as vendas.
- Em SEO, o posicionamento e a ORM.
- Nas redes, o alcance ou os contatos e a resolução de incidências.
Objetivo do reporting por canal
Na realidade, o principal é ver como estamos em relação aos objetivos de negócio estabelecidos. Pois, com base nisso, teremos dois cenários:
- Se estivermos alinhados, será apenas acompanhamento.
- Se estivermos abaixo, precisaremos de propostas de ações, por exemplo:
- Mudança no investimento.
- Cambio en la oferta.
- Cambio en el mix de medios.
- Cambio en las creatividades.
- …
Vale saber que as campanhas digitais de resposta direta permitem mudanças muito rápidas.
Fonte de dados
Toda esta informação será fornecida por diferentes ferramentas. Assim, podemos utilizar:
- Os relatórios da plataforma (Google Ads, Meta…).
- Google Analytics.
- Um AdServer, se o utilizarmos (recomendável para orçamentos elevados, já que tem custo)
- Search Console.
- Metricool
- …
Exemplos
Vejamos algumas imagens deste tipo de relatório para você ter uma ideia melhor:
Relatório semanal de paid media

Relatório mensal de SEO

Relatório mensal de Redes Sociais

Resumindo
Nesta segunda fase começamos a compreender o nosso marketing digital: como os canais se relacionam entre si, os canais de aquisição e os canais de conversão.
Isso sim, deixam de lado tudo o que acontece no produto digital: precisa ser combinado com Google Analytics (e algumas outras ferramentas) para nos dar uma visão melhor do que acontece no nosso site.
Além disso, exigem tempo de elaboração e de leitura.
Por causa do anterior, às vezes limitam-se a apresentar números em vez de fornecer informação e recomendações, que é o importante.
Fase 3: Modelos econométricos

O que é um modelo econométrico
Um modelo econométrico não é mais do que uma simulação matemática da realidade, que nos ajuda a entender por que algo aconteceu de determinada forma com base em certas variáveis.
E o bom é usar este conhecimento para a tomada de decisões futura.
Trata-se de explicar uma variável dependente (geralmente o faturamento ou as vendas) com base em outras variáveis (explicativas), como o tráfego do site, o preço, o interesse do público, o investimento publicitário ou o NPS da nossa marca.
Quando utilizar modelos econométricos em marketing
À medida que seu projeto cresce, você começa a considerar ações fora dos canais digitais. É nesse momento que começa a utilizar modelos econométricos.
Não é que seja algo mais recente ou avançado do que os relatórios mensais por ferramenta, mas serve para fornecer outro tipo de informação.
A frequência será, no mínimo, mensal. Pode aumentar dependendo do projeto ou da sazonalidade (não é normal fazer televisão continuamente).
Quem é o responsável
O responsável pela sua elaboração poderá ser:
- Equipe interna: se houver uma equipe forte de analytics.
- Agência de marketing ou mídia: quando contratamos uma para gerenciar todo o paid ou a mídia.
- Agência / ferramenta de atribuição: independente da agência. Melhor, mas mais caro (mais um fee a pagar).
O que se inclui aqui
Basicamente duas coisas:
- Como funciona o nosso investimento a longo prazo, não apenas a curto e médio prazo.
- Inclui meios tradicionais.
Qual é o objetivo
- Ver que meios geram as vendas.
- Ver como afetam as variáveis externas (concorrência, clima).
- Ajustar o investimento da melhor forma possível.
Há várias fontes de dados
Ainda mais do que na fase anterior:
- Google Analytics.
- AdServer
- Ferramenta de atribuição.
- Search Console.
- Pixel das plataformas publicitárias.
- CRM.
Vantagens dos modelos econométricos
Tem muitas, algumas muito óbvias que faltavam nas fases anteriores:
- Inclui canais não digitais.
- E variáveis externas (sazonalidade ou concorrência).
- Fornece informação estratégica e acionável.
- Explica o passado e serve para fazer projeções de futuro.
- Ajuda muito a criar a configuração ideal do plano de marketing.
- Apesar da sua complexidade, é possível fazer um até com Excel.
Desvantagens dos modelos econométricos
Claro, também têm uma série de desvantagens, que os tornam adequados apenas para projetos de certa dimensão:
- Não é simples criar um modelo robusto:
- É preciso selecionar bem as variáveis.
- Tener el histórico de datos.
- Ser capazes de o produzir e expor no formato adequado.
- Isto implica uma tarefa trabalhosa e difícil de automatizar (muitas fontes de dados).
- São necessários MUITOS dados para torná-lo confiável. Não é válido para projetos pequenos.
- Se o subcontratarmos, não é barato.
- As agências são juiz e parte.
Em resumo
Agora entendemos bastante bem como funciona o nosso marketing, e não apenas a parte digital, e como se comporta o nosso investimento.
Mais uma vez, deixa-se bastante de lado a parte de produto digital (taxa de conversão e eventos), embora possamos incluí-los como variáveis.
É preciso acreditar no modelo. É um ato de fé (até demonstrar sua validade). Se não acreditarmos nele, é um mau sinal.
É custoso. Em tempo, em dinheiro ou em ambos.
Fase 4: Atribuição
A análise econométrica costuma ser executada quando damos o salto para canais não digitais.
Mas pode acontecer que nunca demos esse salto.
Então, para avançar na analytics do nosso negócio, colocaremos o foco na Atribuição, que não é mais do que atribuir uma conversão ao canal ou canais que a tornaram possível.
Vejamos um journey de exemplo para esclarecer:

Este usuário entrou no nosso site por diferentes canais, com diferentes dispositivos e em diferentes momentos, até finalmente converter.
Então, a que canal atribuímos essa conversão?
- Ao primeiro?
- Ao último?
- A vários?
A atribuição pode ser monocanal ou multicanal, dependendo de quantos touchpoints do usuário com nosso site são considerados.
Além disso, usar um modelo de atribuição nos ajuda a entender que existem canais conversores “caça-gols”, como o remarketing ou o SEM de marca, e canais assistentes , como o e-mail. Também há outros que abrem o funnel.
Em suma, é preciso entender o que cada um acrescenta.
Os modelos de atribuição mais habituais
Popularizados pelo Google Analytics, poderíamos dizer que os principais são os seguintes:
- Last-click (monocanal) => ferramentas publicitárias.
- Last-click indirect (monocanal) => Google Analytics, na maioria dos relatórios.
- Time decay (multicanal) => Google Analytics.
- Baseado em dados (multicanal) => Google Analytics e outras ferramentas avançadas de analytics.
O GA4 se baseia nos dados que coleta do site e, se o configurarmos assim, no que sabe sobre o usuário, mas faltam informações.
Por exemplo, não conta com as visualizações publicitárias e o efeito dos post-view, nem informações sobre canais offline ou sobre os diferentes dispositivos de um usuário se ele não fizer login.
Por isso, Google Analytics não é a melhor ferramenta para fazer uma atribuição correta.
Outras ferramentas (não gratuitas) corrigem estes problemas e incorporam mais variáveis, não apenas os meios (CRM, chamadas, visitas à loja, concorrência, contratações…).
Com todas estas variáveis aplica-se um modelo matemático estatístico semelhante aos econométricos.
O que inclui esta fase
- Tal como no econométrico, a contribuição de cada canal para as vendas.
- Embora seja frequente incluir apenas informação de canais digitais (mais simples), na realidade pode acrescentar-se ao modelo tudo o que seja necessário (incluindo investimento em canais tradicionais), dependendo da ferramenta.
Objetivos
- Ver que meios geram as vendas.
- Ver como outras variáveis afetam.
- Ajustar o investimento da melhor forma possível.
Fonte de dados
Mais uma vez, há várias fontes:
- Google Analytics e AdServer.
- Pesquisas.
- Do negócio.
- Visitas à loja.
- BTL.
- CRM / chamadas / SMS.
- …
Vantagens da atribuição
Muito semelhantes às dos modelos econométricos:
- Inclui todas as informações de que precisamos (pelo menos nas ferramentas avançadas).
- Fornece informação muito acionável e estratégica em relação ao investimento.
- Explica o passado e serve para fazer projeções de futuro.
- Ajuda muito a ajustar a configuração ideal do plano de marketing se acharmos que podemos melhorar a abordagem.
Desvantagens da atribuição
Mais uma vez, semelhantes às da fase anterior:
- Não é simples criar um modelo robusto:
- É preciso selecionar bem as variáveis.
- Tener el histórico de datos.
- Ser capazes de o produzir e expor no formato adequado.
- Isto implica uma tarefa trabalhosa e difícil de automatizar (muitas fontes de dados).
- São necessários MUITOS dados para torná-lo confiável. Não é válido para projetos pequenos.
- Costuma ser subcontratado e as boas ferramentas não são baratas.
Resumo
Este estado da analytics é excelente para o departamento de marketing digital de um negócio. Sobretudo, se não forem realizadas ações em canais offline.
É uma análise muito confiável sobre os canais que mais influenciam as vendas, o que ajuda a distribuir adequadamente o investimento.
Podem ser adicionadas gradualmente variáveis de eventos que ocorrem no produto digital (microconversões, visualizações de páginas relevantes…).
Além disso, exigem equipe e ferramentas externas e tempo de elaboração interna para alimentar o modelo.
Fase 5: Incrementalidade
A atribuição distribui as conversões pelos diferentes canais de marketing.
Mas a verdade é que nem todas as conversões de um site, nem todas as vendas de um negócio, são fruto do marketing.
Lembre-se do modelo Product Led Growth, por exemplo.
Ou pense nas marcas próprias de supermercado, que nunca fizeram uma campanha e vendem.
Por isso, na hora de entender as vendas, além da promoção há outros fatores em jogo, como a distribuição ou o baseline conquistado.
E, trabalhando em marketing, o ideal é entender a contribuição que realmente fazemos. Isso é a incrementalidade:

Gráfico retirado deste artigo interessantíssimo:
https://www.marketingweek.com/ehrenberg-bass-advertising-growth/
Vale a pena ler, sem dúvida.
Como medir a incrementalidade
“Metade do dinheiro que gasto em publicidade é desperdiçado. O problema é que não sei qual metade.”
John Wanamaker (1.838-1.922)
E é que não é nada, mas nada fácil medir isso.
É tão complexo que, em nenhum projeto de que participei, tentamos realmente medir isso.
Aqui vai um exemplo de como isso pode ser feito, do grande Avinash Kaushik: basicamente, consiste em aplicar estratégias diferentes a grupos diferentes de usuários semelhantes e medir os resultados.

Resumo
Deveria ser o nosso objetivo, mas a verdade é que apenas nos grandes projetos existem recursos de pessoal e dinheiro para implementar sistemas de medição da incrementalidade.
Pegando nos três últimos degraus da analytics de marketing, poderíamos dizer que:
- Se os econométricos são ideais para os departamentos de comunicação e meios off…
- Os modelos de atribuição para o marketing digital…
- Medir a incrementalidade é o objetivo definitivo do diretor de qualquer negócio em relação ao marketing.
Conclusões finais
Se falarmos de um projeto pequeno ou médio, o normal será avançar gradualmente, uma fase de cada vez, começando pela primeira.
No entanto, se falarmos de projetos com maior investimento, o normal é começar diretamente e, no mínimo:
- No cenário 2, se fizermos apenas digital.
- No 3, se fizermos campanhas na televisão.
Eu diria que você deveria ficar obcecado em alcançar a fase 5 no seu projeto, mas estaria mentindo. Colaborei com negócios muito bem-sucedidos de diferentes dimensões e a única coisa que tínhamos —incluindo o meu— era o desejo de chegar lá, sem realizar ações nesse sentido.
Porque um bom plano de marketing e uma analytics correta na fase 2, 3 ou 4 são mais do que suficientes em muitas ocasiões.
Dito isso, a fase 1 quase sempre é insuficiente, então, se seu projeto está nela e você está dedicando recursos ao marketing, faça um favor a si mesmo e avance pelo menos para a segunda. Porque, mesmo que não trabalhe com canais pagos, o SEO e o e-mail (para citar os dois mais frequentes) também precisam ser otimizados.
E, à medida que seu projeto e seu marketing crescem, não se esqueça de que a analytics também precisa acompanhar essa evolução. É a única forma de otimizar esse investimento.
Se você tiver de levar apenas uma coisa deste artigo, que seja esta:
O marketing e sobretudo o digital, sempre, sempre, sempre precisam andar de mãos dadas com uma boa análise.
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