Há atores que, quando começam a ter peso suficiente em Hollywood, aproveitam para produzir dramas intimistas ou projetos pessoais. É uma opção.
Jason Statham escolheu outra opção: produzir um filme com sua produtora Punch Palace Productions -até agora eu nem sabia que ele tinha uma- e entrar em um cargueiro para distribuir pancada a torto e a direito, com cara séria, durante uma hora e meia.
Código: Vingança é exatamente o filme que você imagina quando alguém diz “Jason Statham em um cargueiro”. Uma variação de Duro de Matar, com o prédio substituído por um navio e Bruce Willis por outro careca que há cerca de vinte anos interpreta praticamente o mesmo personagem.
Com um orçamento de cerca de 40 milhões de dólares, o filme tem uma pequena história que talvez o impeça de recuperar esse dinheiro nas bilheterias. Pouco antes de chegar aos cinemas, o Prime Video publicou por engano o filme completo durante algumas horas em vez de publicar apenas o trailer.
Depois tiraram o filme do ar, claro, mas o estrago antes da estreia já estava feito. Veremos quanto arrecada e até que ponto isso influenciou.
Enredo de Código: Vingança
Statham interpreta Cole Reed, guarda-costas de um multimilionário que presencia o assassinato do chefe e acaba acusado do crime. Ao procurar os responsáveis, segue a pista até um cargueiro, onde descobre que, como sempre, há por trás de tudo uma conspiração maior do que parecia.
A partir daí, o filme se transforma em uma sucessão de infiltrações, lutas e tiros entre a tripulação do navio e o bom e velho Statham.
A história não vai ganhar nenhum prêmio de originalidade. Já vimos esse enredo cem vezes. E vários desses filmes também eram estrelados por Jason Statham.
Mas não acho que esse fosse o objetivo do filme.
Statham volta a fazer Statham. De novo
Jason Statham tem sempre mais ou menos o mesmo olhar.
Sabe aquele olhar sério, quase compungido, com a testa franzida.
Não importa se é motorista, mecânico, agente secreto, apicultor ou guarda-costas. Faz cara de que alguém está devendo dinheiro a ele, fala só o necessário e espera pacientemente a hora de começar a distribuir pancada.
Com algumas coreografias e quatro falas decoradas, ele poderia fazer cem filmes assim.
Na verdade, é mais ou menos isso que está fazendo.
O engraçado é que funciona porque Statham tem carisma suficiente para transformar esse personagem único que interpreta há metade da vida em uma espécie de gênero cinematográfico próprio.
Cinco minutos depois de aparecer, você já sabe perfeitamente que tipo de protagonista é Cole Reed e como ele vai se comportar durante o resto do filme.
Entre Duro de Matar e Metal Gear Solid 2
A comparação óbvia é Duro de Matar, embora provavelmente A Força em Alerta seja ainda mais certeira por causa do navio. Mas Bruce Willis era careca e Steven Seagal tinha uma bela cabeleira.
A questão é que temos um espaço fechado, um grupo de vilões, um herói (um pouco menos) sozinho e várias áreas pelas quais ele precisa avançar enquanto elimina obstáculos.
Sim, isso também poderia servir para descrever um videogame. E, de fato, enquanto eu assistia, outra referência vinha constantemente à minha cabeça: Metal Gear Solid 2.
Esta segunda parte do jogo de infiltração se passa na Big Shell, uma enorme instalação marítima que lembra uma plataforma de petróleo.
Obviamente, a história não tem nada a ver, mas aquela sensação de se infiltrar em uma estrutura industrial cercada de água, pegar inimigos de surpresa, subir escadas, abrir portas com volantes e avançar por diferentes áreas me trouxe sensações muito parecidas.
E o curioso é que não fui só eu: no meio do filme, sem eu ter comentado nada, minha parceira soltou: “parece um videogame”.
E sim, parece. Com o capitão do cargueiro como chefão final.

Boas coreografias e bastante violência
É na ação que o filme funciona melhor. Como não poderia ser diferente.
As coreografias são bastante boas. Não estamos falando de John Wick, porque ele ainda joga em outra liga quando o assunto são as lutas, mas Código: Vingança é um dos melhores alunos dessa escola.
Statham continua muito convincente nas cenas de ação e o diretor, Jean-François Richet, filma as lutas com clareza suficiente para você entender o que está acontecendo o tempo todo.
Pode parecer óbvio, mas depois de tantos filmes de ação em que uma luta é montada com planos de meio segundo, isso é algo que se agradece bastante.
Também há violência. Muita.
Mesmo assim, nunca chega a ser especialmente desagradável. Há sangue e várias mortes contundentes, mas o filme não se demora demais nelas. Até usa algumas para arrancar uma risada do público ou tentar fazer algo um pouco mais vistoso.
A morte do capitão é um bom exemplo. Não vou contar exatamente como acontece, mas é uma daquelas cenas em que o filme sabe perfeitamente o que está fazendo e aproveita para tirar um sorriso de você.
Até o vilão é legal
E, se estamos falando do antagonista, eu diria que ele é legal.
É um cara durão, tem presença e sabe o que faz. Não peça um grande desenvolvimento dramático, mas espere que ele saiba enfrentar a situação e aguente mais de trinta segundos contra Jason.
Não vai ficar para a história, mas cumpre perfeitamente a sua função e faz com que o confronto tenha um pouco mais de interesse do que seria de esperar.
95 minutos ajudam muito
Outra coisa que cai muito bem em Código: Vingança é ter 95 minutos.
Há alguns anos vemos filmes de ação com duas horas e quinze minutos para contar histórias que caberiam perfeitamente em uma hora e meia. Aqui isso não acontece.
O ritmo é constante, há coisas a acontecer desde o início e o enredo quase não para. Sabe que tipo de filme é, sabe o que o público espera de Jason Statham e não tenta nos convencer de que há algo muito mais profundo por baixo de tudo aquilo.
O problema é que isto me soa familiar
Aí está também a sua principal limitação.
Código: Vingança pode mudar o cenário, melhorar as coreografias e acrescentar uma morte um pouco mais imaginativa, mas a história é a de sempre. E quando você passa tantos anos vendo variações de Duro de Matar, ou filmes de Statham, chega um momento em que trocar o prédio por um cargueiro ou um motorista por um guarda-costas já não é suficiente para surpreender.
A falta de originalidade aparece praticamente desde o início, mas o filme sabe disso e compensa com bom ritmo: a ação funciona, Statham tem carisma, o cenário dá jogo e o diretor acrescenta de vez em quando pequenos detalhes que dão alguma personalidade a uma morte ou a uma luta.
Durante 95 minutos funciona bem, mas não dá mais do que isso.

Veredicto
Código: Vingança é mais um filme de Jason Statham fazendo Jason Statham, com praticamente todos os defeitos e virtudes que essa frase implica.
O enredo está mais do que batido, o protagonista volta a ser uma variação do personagem que interpreta há metade da carreira e também não há nenhuma ideia especialmente original.
Em troca, as lutas estão bem filmadas, as coreografias têm nível, a violência é abundante sem se tornar desagradável e o ritmo faz com que os 95 minutos passem bastante depressa.
Além disso, esse componente de infiltração quase de videogame dá alguma personalidade ao filme e faz do cargueiro algo mais do que um simples cenário.
Não chega, claro, ao nível de John Wick, nem pretende, mas aprendeu algumas coisas com essa escola e as aplica bastante bem.
Se você sabe que filme vai ver, dificilmente vai se entediar.
3/5.
Ficha técnica de Código: Vingança
| Campo | Dado |
| Título | Código: Vingança |
| Título original | Mutiny |
| Ano de estreia | 2026 |
| Ano de produção | 2024 |
| Duração | 95 minutos |
| Direção | Jean-François Richet |
| Elenco principal | Jason Statham, Annabelle Wallis, Adrian Lester, Roland Møller, Ramon Tikaram e Jason Wong |
| Gênero | Ação / thriller |
| País | Reino Unido / Estados Unidos |
| Estreia na Espanha | 21 de agosto de 2026 |
| Disponível em | Cinemas |
| Produtoras | MadRiver Pictures / Punch Palace Productions |
| Nota | 3/5 |
Nota
Para quem é
✔️ Se você gosta de Jason Statham.✔️ Se está a fim de um substituto de Duro de Matar.
✔️ Se valoriza boas coreografias e ação fácil de acompanhar mais do que uma história especialmente original.
Para quem não é
❌ Se você não gosta de Jason Statham.❌ Se precisa que o enredo surpreenda ou procura algo novo no cinema de ação.
❌ Se não lida bem com violência. Não chega a ser especialmente desagradável, mas há bastante.
Perguntas frequentes
Vale a pena assistir a Código: Vingança?
Sim, desde que você saiba que filme vai ver. É mais um filme de ação de Jason Statham, com um enredo muito conhecido, mas tem bom ritmo, lutas bem filmadas e 95 minutos que passam rápido. Para mim, é um 3/5.
Sobre o que é Código: Vingança?
Cole Reed trabalha como guarda-costas de um multimilionário. Depois do assassinato do chefe, acaba acusado do crime e a procura pelos responsáveis leva-o até um cargueiro, onde descobre uma conspiração muito maior.
Quanto dura Código: Vingança?
Código: Vingança dura 95 minutos. Acho que essa é uma das qualidades do filme, porque ele mantém um ritmo constante e não estica uma história que não precisa de muito mais tempo.
Quem dirige Código: Vingança?
O filme é dirigido por Jean-François Richet.
Quem estrela Código: Vingança?
Jason Statham interpreta Cole Reed e lidera um elenco onde também aparecem Annabelle Wallis, Adrian Lester, Roland Møller, Ramon Tikaram e Jason Wong.
Código: Vingança tem muita ação?
Sim. Há lutas corpo a corpo, tiroteios, perseguições e bastante ação durante todo o filme. As coreografias são um de seus melhores elementos e são filmadas com clareza suficiente para acompanhar bem os confrontos.
Código: Vingança é muito violento?
Tem bastante violência e várias mortes contundentes, embora não me pareça um filme especialmente desagradável. Algumas mortes são até pensadas para surpreender ou diretamente para provocar riso.
Código: Vingança se parece com Duro de Matar?
Muito. Usa uma estrutura muito parecida: um protagonista praticamente sozinho, um espaço limitado e muitos inimigos que tem de enfrentar enquanto avança. Neste caso, o cenário principal é um cargueiro.
Por que Código: Vingança lembra Metal Gear Solid 2?
Não porque as histórias sejam parecidas, mas pelas sensações. A infiltração em uma grande estrutura industrial no meio do mar, a forma de avançar por diferentes áreas e o surgimento progressivo de inimigos lembram em alguns momentos Metal Gear Solid 2. Até minha parceira, sem eu ter mencionado o jogo, comentou durante o filme que parecia um videogame.
Código: Vingança está no Prime Video?
Não confunda o famoso vazamento com uma estreia oficial em streaming. O Prime Video publicou por engano o filme completo durante algumas horas antes da estreia nos cinemas e depois o retirou.
Que nota Código: Vingança recebe nesta crítica?
3 de 5. A ação e o ritmo funcionam, Statham continua com carisma e o cenário dá bastante jogo, mas a história é familiar demais para se destacar especialmente dentro do gênero.

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