A Apple vem insistindo há alguns anos em um tipo de filme que começa a seguir uma fórmula bastante reconhecível: duas estrelas conhecidas, ação, algum humor, produção vistosa e pronto. Você já tem algo fácil de assistir em uma noite no sofá.
Temos Ghosted, com Chris Evans e Ana de Armas, The Family Plan, com Mark Wahlberg, Argylle ou Wolfs, no qual juntaram George Clooney e Brad Pitt e que, para mim, é o melhor de todos, embora esteja longe de ser uma obra-prima.
Filmes diferentes entre si, claro, mas com a mesma intenção de oferecer um espetáculo leve apoiando-se muito no carisma dos protagonistas.
Mayday volta a esse terreno, desta vez com um Ryan Reynolds no registro habitual e um Kenneth Branagh surpreendente como máquina de matar. Ao fundo, Guerra Fria, espiões, aviões, soviéticos, ação e humor.
Além disso, a direção é de John Francis Daley e Jonathan Goldstein, os mesmos responsáveis por Dungeons & Dragons: Honor Among Thieves, outro filme de que a crítica gostou bastante mais do que eu.
Por isso, talvez o problema seja meu com esses dois, porque nunca consigo gostar de verdade do que fazem.
E, à medida que Mayday avançava, eu tinha o tempo todo a sensação de já ter visto praticamente tudo o que o filme mostrava. A trama surpreende pouco, as piadas também e, embora as cenas de ação sejam bem filmadas, poucas conseguem levantar um filme que ainda por cima se aproxima das duas horas de duração.
Agora vou explicar tudo isso melhor.
Sobre o que é Mayday?
A história se passa em 1987, em plena Guerra Fria. Ryan Reynolds interpreta Troy Kelly, um piloto da Marinha dos Estados Unidos que participa de uma missão secreta sobre território soviético e que, como seria de esperar, acaba dando muito errado.
Kelly fica ferido e isolado atrás das linhas inimigas, onde conhece Nikolai Ustinov, interpretado por Kenneth Branagh. Nikolai é um ex-agente do KGB bastante peculiar, sobretudo porque sente um enorme fascínio pelos Estados Unidos e por sua cultura.
A partir daí, o filme se transforma em um buddy movie clássico. Dois personagens que deveriam pertencer a lados opostos acabam colaborando para tentar tirar o piloto americano do país enquanto os soviéticos os perseguem.
O filme não tenta criar uma grande tensão entre os dois para mostrar suas diferenças. Pelo contrário, eles se entendem bem depressa e logo fica claro que vão funcionar bem como dupla.
Ryan Reynolds continua sendo Ryan Reynolds
Com Ryan Reynolds acontece exatamente o que você espera:
Ele faz o papel de Ryan Reynolds.
Sabe aquele protagonista simpático, sarcástico e com tendência a fazer piadas mesmo quando os inimigos estão dando uma surra nele.
Não é necessariamente algo negativo, porque ele tem muito carisma e sabe perfeitamente interpretar esse tipo de personagem, mas já fez vários filmes repetindo praticamente a mesma coisa.
Isso significa que, se você gosta de Reynolds, a proposta deve agradar. Ele é simpático, tem carisma e consegue levar qualquer cena adiante apenas conversando com alguém. Mas também significa que, se você já está um pouco cansado desse registro, Mayday não vai oferecer nada de diferente.
No meu caso, achei o resultado um pouco irregular: há bastante humor ao longo de todo o filme, mas poucas vezes ele conseguiu me fazer rir de verdade. Ao contrário de suas incursões em Deadpool, por exemplo.
E é aí que os problemas começam a se acumular: o personagem parece conhecido, as piadas também e a história não surpreende. Felizmente, há um elemento que foge do habitual.
Kenneth Branagh é o melhor de Mayday
O personagem e a atuação de Kenneth Branagh são, de longe, o melhor do filme.
Quando aparece pela primeira vez, parece que sua função será a do típico contraponto sério ao humor de Reynolds. É um ex-agente do KGB, vive de forma bastante peculiar e tem um fascínio quase infantil por algumas coisas americanas.
Até aqui, tudo dentro do esperado.
A surpresa chega quando começa a ação e você descobre que aquele senhor aparentemente tranquilo que acabou de conhecer é uma máquina de matar.
Muito ao estilo de Sisu, o filme finlandês em que um homem aparentemente sem nada de especial se revela praticamente indestrutível e vai eliminando nazistas um atrás do outro.
Não consegui deixar de pensar nesse filme durante todo Mayday, apesar de as personagens e os filmes terem pouco a ver entre si. Nikolai é soviético, Aatami Korpi é finlandês e as duas histórias partem de premissas diferentes.
Além disso, todas as suas cenas de ação funcionam. Da primeira à última.
Além da parte de ação, o personagem me lembrou um pouco a forma como alguns filmes de super-heróis transformaram personagens que antes eram levados muito mais a sério.
Há vários exemplos, a começar pelo mais óbvio: Colossus, que acompanha Deadpool em seus filmes, até porque também é soviético e tem um sotaque parecido. O Thor de Ragnarok é outro bom exemplo, ou até aquele Hulk fundido com Banner cuja fúria fica muito escondida.
Branagh tem um pouco disso aqui.

A dupla funciona melhor do que o filme
Branagh e Reynolds também funcionam muito bem juntos em cena.
Isso fica claro bem cedo, porque o filme não perde muito tempo transformando os dois em inimigos antes que comecem a se ajudar. Nikolai sente curiosidade por Troy quase desde o início, e a relação cresce de forma natural.
É um dos acertos do filme. Você não precisa de um arco narrativo para aproximá-los. Eles simplesmente funcionam bem juntos e o filme ganha quando interagem.
O problema é que, quando o filme se afasta deles e volta a concentrar-se na trama de espionagem, perde toda a força.
Quanto ao restante do elenco, fiquei bastante indiferente. Ninguém se destaca nem para o bem nem para o mal. Nenhum personagem incomoda, mas daqui a três dias você não vai se lembrar de nenhum.
Provavelmente nem de Troy e Nikolai.
A ação é competente, mesmo que já a tenhamos visto muitas vezes
Do ponto de vista técnico, também não há grandes defeitos a apontar.
As cenas de ação são bem coreografadas e perfeitamente compreensíveis, algo que agradeço muito. Não há aquela montagem frenética em que você sabe que duas pessoas estão brigando, mas precisa adivinhar quem está fazendo o quê.
Isso fica especialmente claro nas cenas de Branagh, porque o filme deixa que vejamos como ele se move e como vai eliminando os adversários.
Também há algumas cenas mais divertidas e ambiciosas, como a do caminhão que transporta o míssil nuclear, que poderia ter aparecido em True Lies sem problema. São momentos que dão aquele toque exagerado de que uma comédia de ação deste tipo precisa.
Por outro lado, a ambientação também me parece muito bem-feita. Os cenários, veículos e locações ajudam a transportar você para a União Soviética do final dos anos 1980, e o filme tem uma estética muito bem construída.
Portanto, o problema não é que Mayday seja mal feito.
Está bem filmado, tem lutas decentes, bons atores e um acabamento visual mais do que competente.
O que acontece é que quase nada disso consegue surpreender.

Caminhos batidos demais
Acho que esse é o principal motivo pelo qual fiquei bastante entediado assistindo ao filme.
O filme utiliza uma coleção de elementos que já vimos vezes sem conta:
- O soldado americano preso em território inimigo.
- A dupla improvável que acaba se tornando amiga.
- Os soviéticos são os vilões.
- Perseguições e lutas que já vimos (melhor) em centenas de filmes.
- E, claro, as habituais piadas no meio de situações perigosas.
Não me entenda mal: não tenho problema nenhum com um filme que usa fórmulas conhecidas. Se tivesse, praticamente não poderíamos assistir a filmes comerciais.
Mas, se vai usar essas peças, precisa fazer alguma coisa especialmente bem: ter ação espetacular, personagens memoráveis, piadas que funcionem o tempo todo ou um ritmo que não deixe você entediado.
Aqui tudo fica no meio do caminho. Correto, mas nunca deslumbrante. Em nada. Como em quase todos os filmes semelhantes da Apple.
E foi por isso que me lembrei de The Fall Guy, que também misturava ação, comédia, estrelas conhecidas e uma história relativamente simples sem tentar reinventar a roda.
No entanto, aquele me pareceu muito mais divertido. Tinha mais energia e, sobretudo, conseguia fazer com que o conjunto fosse mais divertido do que cada elemento isoladamente.
Em Mayday acontece exatamente o contrário: consigo enumerar várias coisas que são boas, mas, quando você as junta, o resultado não me convence.
Como disse, segue a linha da Apple nesse tipo de filme — que diferença abismal em relação às séries que produz —, uma linha que também é seguida por muitos filmes da Netflix. Obras pensadas sobretudo para você passar um tempo com atores conhecidos, bastante ação, ritmo rápido e espetáculo.
Se é isso que você procura, perfeito: o filme não vai decepcionar. Mas, para mim, Mayday — e todos os mencionados — parece mais vistoso do que eficaz.
Quase duas horas é tempo demais para esta história
A tudo isso é preciso somar a duração.
Mayday dura cerca de 110 minutos, o que não é nenhum exagero. O problema é que a história é muito simples, sem grandes reviravoltas nem desenvolvimento de personagens. Por isso, acho que sobram vários minutos.
Com vinte ou trinta minutos a menos, seria mais divertido e iria mais direto ao ponto.
E minha forma de medir isso é bem simples: se, durante uma comédia de ação que deveria manter você envolvido, começa a olhar o celular ou a ver quanto falta para acabar, é porque esticaram demais.
Obviamente, foi exatamente o que me aconteceu aqui.
Conclusões e veredicto
Mayday não é um filme ruim. A filmagem e a montagem são corretas, as cenas de ação são muito boas, a ambientação soviética chama a atenção e Ryan Reynolds tem carisma suficiente para carregar um filme desse tipo nas costas.
Mas eu fiquei entediado, que é a pior coisa que pode acontecer com um filme cujo objetivo é entreter e passar voando.
Tudo o que eu via parecia conhecido e reciclado, com exceção do personagem de Kenneth Branagh, que claramente está se divertindo muito.
Se você gosta de Ryan Reynolds, aprecia a mistura de humor e ação e só quer colocar algo simples para passar o tempo, provavelmente vai se divertir mais do que eu.
Se você procura algo surpreendente, com uma trama interessante ou que deixe alguma lembrança quando termina, acho que há opções melhores.
Ficha técnica de Mayday
| Campo | Dado |
| Título | Mayday |
| Ano | 2026 |
| Direção | John Francis Daley e Jonathan Goldstein |
| Roteiro | John Francis Daley e Jonathan Goldstein |
| Elenco principal | Ryan Reynolds, Kenneth Branagh, Maria Bakalova, Marcin Dorociński e David Morse |
| Gênero | Ação, comédia e espionagem |
| Ambientação | 1987, durante a Guerra Fria |
| Duração | 110 minutos / 1 h 50 min |
| Plataforma | Apple TV |
| Estreia | 4 de setembro de 2026 |
| Orçamento | Estimado em cerca de 25 milhões de dólares |
| Minha nota | 2,5/5 |
Nota
Para quem é
✔️ Se você é fã de Ryan Reynolds.✔️ Se gosta de filmes que misturam ação e comédia.
✔️ Se procura apenas um filme leve para passar o tempo sem pensar demais na trama.
✔️ Se gosta dessas produções de plataforma com atores conhecidos, muita ação e espetáculo constante.
Para quem não é
❌ Se Ryan Reynolds já cansa você.❌ Se procura uma trama elaborada.
❌ Se espera um filme de ação que surpreenda.
Perguntas frequentes
Vale a pena ver Mayday?
Só se você gosta de Ryan Reynolds e procura uma comédia de ação simples para passar o tempo. Se quer algo mais original ou memorável, eu escolheria outro filme.
Qual é a melhor parte de Mayday?
Kenneth Branagh, especialmente quando entra em ação. A química que tem com Ryan Reynolds também funciona muito bem.
Ryan Reynolds está bem em Mayday?
Sim, embora ele volte a interpretar uma variação bem reconhecível do personagem que faz há anos. Se você gosta desse registro, não terá problema; se já está cansado, provavelmente também vai se irritar aqui.
Mayday é divertido?
Há humor durante praticamente todo o filme, mas muitas das piadas me pareceram previsíveis e pouco inspiradas.
Quanto tempo dura Mayday?
Dura 110 minutos, aproximadamente uma hora e cinquenta. Não é uma duração excessiva por si só, embora, para uma história tão simples, tenha me parecido longo.
Onde assistir a Mayday?
Maydayestreou na Apple TV.
Mayday tem grandes reviravoltas?
Não. É um filme bastante direto e previsível, sem grandes surpresas na trama.

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